Como Lula fez o Brasil atingir o inédito patamar de IDH “muito alto”

Tudo é política e foi assim que o presidente fez o país alcança 0,805 no IDHM em 2024, embora índice ajustado pela desigualdade ainda seja um entrave, rebaixando um pouco o país para “médio desenvolvimento”

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Como Lula fez o Brasil atingir o inédito patamar de IDH “muito alto” rep. publ. internet

O ingresso do Brasil, pela primeira vez na história, na faixa de “muito alto Índice de Desenvolvimento Humano” não é um acidente estatístico, mas o resultado previsível de uma escolha de método governamental. Os dados do relatório Radar IDHM, divulgados nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), mostram que o país atingiu a nota histórica de 0,805 em 2024, superando o limiar de 0,800. Para além do simbolismo de colocar o país no topo do ranking global ao lado de nações como Noruega, Alemanha e EUA, o avanço explica-se pela centralidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reconfiguração do Estado indutor de bem-estar social.

Essa guinada recente consolida uma trajetória longa de superação, mas ganha contornos de laboratório político quando observada a história recente. Há três décadas, o país amargava a classificação de baixo desenvolvimento humano (abaixo de 0,555). A grande novidade do dado atual é o poder de recuperação demonstrado pelo Estado após o tombo severo sofrido em 2020 e 2021 em decorrência da pandemia de Covid-19. O processo de estancamento da queda na expectativa de vida e a retomada vigorosa a partir de 2022 culminaram no ápice registrado em 2024. A explicação para o fenômeno reside no desenho das políticas públicas da atual gestão.

Método da Inversão de Prioridades: A engenharia de Lula

A elevação estrutural dos indicadores sociais e econômicos sob os mandatos de Lula repete um padrão histórico já observado em suas gestões anteriores: a aceleração do desenvolvimento humano acontece quando a economia é intencionalmente oxigenada a partir da base da pirâmide. Como bem sintetizou o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, o motor do avanço vincula-se diretamente a duas engrenagens centrais: a distribuição de renda por meio de políticas de transferência e a valorização real do salário mínimo.

A análise técnica do PNUD corrobora essa visão ao apontar a reconstrução e ampliação de programas como o Bolsa Família como o fator decisivo para incluir populações historicamente vulnerabilizadas no orçamento público. Essa injeção de recursos na base provocou um efeito cascata que se reflete diretamente nos três pilares do índice:

Educação como vanguarda: Foi o principal vetor de crescimento do período. O subíndice disparou de 0,679 para 0,798, registrando uma expressiva expansão média de 1,35% ao ano, um reflexo direto da volta dos investimentos federais em permanência escolar e infraestrutura de ensino.

Consolidação da longevidade: A expansão planejada e o fortalecimento do SUS permitiram que o subíndice de saúde escalasse para excelentes 0,860 em 2024, blindando a população e elevando a expectativa de vida após o colapso sanitário dos anos anteriores.

Ruptura com a linha de flutuação de Bolsonaro

Para compreender o sucesso do modelo atual, é indispensável analisar o contraste com o legado deixado pela gestão de Jair Bolsonaro (PL). O período anterior representou uma antítese do desenvolvimento humano, caracterizando-se por escolhas políticas que empurravam os indicadores para baixo.

Sob Bolsonaro, o país experimentou um baixo dinamismo econômico combinado com a precarização dos direitos dos trabalhadores e o incentivo a uma cultura do armamento que retroalimentou os índices de violência urbana. No campo educacional, social e ambiental, o retrocesso deu-se pela via da desidratação orçamentária e da retirada sistemática de direitos de populações indígenas e quilombolas. A isso somou-se um cenário contínuo de insegurança institucional decorrente de flertes explícitos com um golpe de Estado, que ameaçaram derreter os pilares do regime democrático reconquistado há pouco mais de 40 anos. A substituição dessa postura de desmonte pela previsibilidade democrática de Lula foi o pré-requisito político para que os números nacionais voltassem a subir.

Desigualdade como consideração e alvo futuro

O olhar analítico sobre o relatório também exige decifrar as fricções internas que a média nacional de 0,805 costuma camuflar. Quando o IDH sofre o desconto da má distribuição de renda, saúde e educação, o IDHM Ajustado à Desigualdade (IDHMAD) fixa-se em 0,641, o que posicionaria o país temporariamente em uma faixa de médio desenvolvimento. Trata-se de uma consideração estrutural relevante, mas que também traz um dado positivo: a perda associada à desigualdade encolheu de 23,9% para 20,4% na série histórica, indicando que o fosso começou a ser estreitado.

Essas disparidades, embora secundárias diante da conquista do patamar “muito alto”, desenham o mapa de desafios para o planejamento do governo, daí a importância de um quarto mandato para Lula:

    Hiato racial: A população branca atingiu um IDHM de 0,851 (muito alto), enquanto a população negra avançou para 0,774 (alto desenvolvimento). O dado digno de nota é que o ritmo de avanço dos negros foi proporcionalmente maior (10,3% contra 5,5% dos brancos), embora a distância absoluta de 10% permaneça como um desafio de inclusão.
    Gênero e trabalho: No cômputo geral, homens marcam 0,802 e mulheres 0,798. A assimetria ganha corpo no ambiente do mercado de trabalho, onde a renda masculina atinge um índice de 0,822 frente a 0,679 do público feminino.
    Geografia social: Enquanto o Distrito Federal (0,866) e São Paulo (0,838) lideram o topo do bem-estar, a dinâmica mais interessante de crescimento acelerado deslocou-se para estados do Nordeste, como Alagoas (0,746) e Maranhão (0,745), impulsionados pelo vigor econômico de regiões metropolitanas como Natal e Grande Teresina.

Em suma, o fechamento dos dados de 2024 atesta que todos os 27 estados da federação não apenas superaram as cicatrizes deixadas pela pandemia e pela crise institucional recente de Bolsonaro, mas inauguraram um patamar civilizatório inédito para a sociedade brasileira, pavimentando o caminho para um crescimento sustentável onde o Estado volta a funcionar como escudo dos mais vulneráveis. Na condução dessas mudanças, como vem ocorrendo nos últimos 25 anos, está Luiz Inácio Lula da Silva.




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