Elias Jabbour alerta: ‘Flávio Bolsonaro quer um Brasil submisso aos EUA; Lula, o oposto’
Deputado federal eleito afirma que alinhamento de Flávio a Trump ameaça a soberania brasileira e contrasta com a política externa de Lula
rep. publ. internet/Elias Jabbour O deputado federal eleito pelo Rio de Janeiro Elias Jabbour (PCdoB) afirmou, em entrevista ao Boa Noite 247, que a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) representa um confronto entre dois projetos de inserção do Brasil no cenário internacional. Segundo ele, enquanto Lula defende uma política externa baseada no multilateralismo e na autonomia das relações diplomáticas e comerciais, Flávio Bolsonaro propõe um alinhamento aos interesses dos Estados Unidos que pode comprometer a soberania brasileira.
“O Flávio Bolsonaro é, pela primeira vez, o candidato que fala abertamente ser pró-Estados Unidos”, declarou Jabbour. Para o deputado eleito, a posição do candidato do PL não se limita à aproximação diplomática com Washington, mas envolve compromissos que poderiam subordinar decisões estratégicas do Brasil à política externa norte-americana.
Jabbour mencionou declarações de Flávio Bolsonaro durante uma viagem a Dallas, nos Estados Unidos, quando, segundo seu relato, o candidato apresentou o Brasil como uma alternativa para reduzir a dependência norte-americana em relação às terras raras chinesas. Na avaliação do parlamentar eleito, esse posicionamento revela a disposição de colocar recursos brasileiros a serviço de uma estratégia geopolítica definida por Washington.
“Ele ofereceu um governo de transição aos Estados Unidos, ele comemorou tarifa e esteve com o Trump sentado numa posição de subserviência total”, afirmou. Jabbour também criticou a disposição atribuída a Flávio de integrar uma iniciativa de segurança hemisférica associada ao governo norte-americano, interpretando a proposta como parte de uma reorganização das relações políticas na América Latina sob influência dos Estados Unidos.
Para o deputado eleito, o conjunto dessas posições aponta para um modelo de política externa que reduziria a capacidade do Brasil de estabelecer prioridades próprias nas relações internacionais. “Ele é a subserviência total e é uma ameaça claramente neocolonial para o Brasil, como nunca antes na história desse país”, declarou.
Na avaliação de Jabbour, a principal diferença entre os dois candidatos está na maneira como compreendem a posição brasileira diante das disputas entre as potências econômicas. Enquanto Flávio Bolsonaro tenderia a vincular o país à estratégia norte-americana, Lula buscaria preservar relações com diferentes centros de poder, sem transformar essas parcerias em compromissos de alinhamento automático.
“O Lula é o oposto, porque o Lula representa o multilateralismo, representa o Brasil que não cabe no quintal de ninguém”, afirmou.
O deputado eleito argumentou que a política externa conduzida por Lula demonstra a possibilidade de manter relações econômicas e diplomáticas com países que possuem interesses divergentes. Ele citou os vínculos comerciais com a China, o diálogo com os Estados Unidos, as negociações com a União Europeia e a ampliação das relações com países africanos e outras nações do Sul Global.
“O Lula trata tão bem com a China quanto com os Estados Unidos. O Lula não coloca os seus dois pés numa canoa só. Ele trata igual a todo mundo”, disse Jabbour, ao defender uma estratégia que permita ao Brasil negociar com diferentes parceiros sem comprometer sua capacidade de decisão.
Segundo ele, a relação entre Brasília e Washington durante o governo Lula demonstra que a defesa da soberania não significa necessariamente o rompimento com os Estados Unidos. Mesmo diante das pressões e medidas adotadas pelo governo de Donald Trump, Jabbour considera que Lula procurou manter os canais diplomáticos e comerciais, preservando a autonomia brasileira.
O parlamentar eleito ressaltou que o Brasil precisa estabelecer relações com as potências a partir de seus próprios interesses econômicos e políticos. Nesse sentido, a diversificação das parcerias internacionais seria um instrumento para ampliar a capacidade de negociação do país, evitando a dependência de um único centro de poder.
Essa diferença, segundo Jabbour, adquire importância diante da disputa entre Estados Unidos e China, que envolve mercados, investimentos, tecnologia e o controle de recursos naturais. Na interpretação do deputado eleito, um eventual governo Flávio Bolsonaro poderia transformar o Brasil em participante da estratégia norte-americana de contenção da influência chinesa, mesmo que isso contrariasse interesses comerciais brasileiros.
Jabbour considera que a política externa não pode ser tratada como uma questão separada do desenvolvimento nacional. As decisões sobre alianças internacionais, investimentos e acesso a mercados têm consequências sobre a capacidade do Brasil de financiar sua economia, ampliar sua indústria e preservar instrumentos de soberania.
Para ele, o risco de uma política de alinhamento automático está justamente em transferir para outro país a definição das prioridades brasileiras. Ao contrário, a estratégia defendida por Lula permitiria negociar com diferentes parceiros e utilizar essas relações para atender às necessidades nacionais.
“É uma agenda completamente diferente da agenda de Flávio Bolsonaro no que concerne à agenda internacional”, afirmou.
Ao concluir sua análise, Jabbour sustentou que a eleição presidencial envolve uma escolha sobre o papel que o Brasil pretende desempenhar no mundo. De um lado, segundo sua avaliação, estaria um projeto de alinhamento aos Estados Unidos; de outro, a continuidade de uma política externa voltada à diversificação de parcerias e à preservação da autonomia nacional.
Para o deputado federal eleito, a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro ultrapassa o campo das relações diplomáticas e diz respeito à própria capacidade do Estado brasileiro de decidir seu futuro sem subordinação aos interesses de outras potências.



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