“Flávio Bolsonaro tem boca de tubarão para dinheiro e será preso mais cedo ou mais tarde”, diz Joice Hasselmann

Ex-deputada mais votada da história do Brasil, que já foi símbolo do antipetismo, diz que vomitou quando se deu conta do grau de corrupção do senador

BRASIL 247
“Flávio Bolsonaro tem boca de tubarão para dinheiro e será preso mais cedo ou mais tarde”, diz Joice Hasselmann rep. publ. internet/247

Em uma entrevista explosiva concedida à TV 247, a jornalista e ex-deputada federal Joice Hasselmann expôs sem meias-palavras as entranhas do clã Bolsonaro e traçou um prognóstico sombrio sobre o futuro judicial do filho mais velho do ex-presidente. Mulher mais votada da história da Câmara dos Deputados em 2018 e ex-líder do governo no Congresso, Joice afirmou com veemência que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrentará a cadeia devido ao seu envolvimento em esquemas de corrupção e à sua ambição desenfreada.

A profecia da prisão: “Ele vai ser preso mais cedo ou mais tarde”

Durante a entrevista, Joice relembrou que todas as previsões que fez no passado sobre prisões de aliados do bolsonarismo se confirmaram, citando nomes que acabaram no banco dos réus e atrás das grades após deixarem o poder. Ao analisar a situação de Flávio Bolsonaro, a ex-parlamentar foi enfática:

“Quando eu digo em entrevista que o Flávio vai ser preso, tem gente que duvida: ‘Como ele vai ser preso?’ Mas ele vai ser preso mais cedo ou mais tarde. Ganhando ou perdendo eleição, assim que deixar o mandato ou até no meio do caminho, ele será preso. Lembrem-se de que o Michel Temer foi preso. Tudo o que eu avisei na tribuna lá atrás aconteceu, e com o Flávio não será diferente. É bandidagem em nível de cadeia mesmo: desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro, corrupção.”

O choque no apartamento da Barra: “Saí dali e vomitei no aeroporto”


A ruptura moral com o primogênito de Jair Bolsonaro começou ainda em 2018, antes mesmo do primeiro turno das eleições presidenciais. Na época, Joice foi até a residência de Flávio, no Rio de Janeiro, para discutir a formação da chapa presidencial e a escolha do nome para a vice-presidência. Ao cruzar a porta do imóvel, ela conta ter sido tomada por uma repulsa física incontrolável diante da ostentação do local:

“Eu vi a corrupção escancarada. Eu vi um apartamento nababesco, móveis caríssimos, obras de arte… tudo incompatível com o salário de um funcionário público, ainda que fosse o teto. Crianças em escola particular caríssima, a esposa iniciando a carreira como dentista… Bolsonaro me cogitou para vice e eu respondi: ‘Me queira bem, não me queira mal’. Eu saí dali e vomitei no saguão do aeroporto. Não consegui segurar nem para chegar ao banheiro.”

A constatação de enriquecimento ilícito fez com que Joice rejeitasse de imediato o convite para ser candidata a vice-presidente e se afastasse dos filhos do capitão: “Minha vida pública foi combater a corrupção. Eu não ia tirar foto com corrupto, não ia estar ao lado de um corrupto, não ia defender bandido.”

“Boca de tubarão para dinheiro”

Ao dissecar as transações financeiras suspeitas de Flávio — que vão desde o caso clássico das “rachadinhas” da Alerj até as negociações imobiliárias nababescas, suspeitas de sociedade oculta em negócios empresariais e a compra de mansões milionárias em Brasília —, Joice descreveu um padrão de conduta dominado pela voracidade:

“O Flávio gosta muito de dinheiro. Muito. O que a gente está vendo de jatinho, sócio oculto de empresa e mansões é pouco. Ele vai querer sempre mais, ele é insaciável. O Flávio Bolsonaro tem boca de tubarão para dinheiro.”

A ex-deputada desafiou a matemática do patrimônio do senador, ressaltando que seus rendimentos oficiais jamais cobririam o custo de vida ostentado:

“Pensa comigo: o Flávio ganha cerca de R$ 40 mil brutos como senador. Com descontos, sobram uns R$ 35 mil limpos. Ele comprou uma mansão que dizem que foi por R$ 6 milhões, mas que na verdade vale pelo menos R$ 14 milhões. Tem piscina, jardim, funcionários, manutenção pesada, colégio de alto padrão… Quem ganha R$ 35 mil sustenta isso como? Eu sempre afirmei como jornalista: se um político entrou remediado na política e enriqueceu sem ter recebido herança, ele está roubando. Não existe mágica.”

Gabinete do ódio, atentado e a defesa da democracia

A postura independente de Joice no início de 2019 e suas recusas em acobertar os negócios da família transformaram a parlamentar no alvo número um da máquina de difamação digital bolsonarista, operada a partir do Palácio do Planalto. Joice revelou como atuou para abastecer o Supremo Tribunal Federal com provas do funcionamento do Gabinete do Ódio, o que desencadeou o Inquérito das Fake News.

A retaliação extrapolou as redes:

“Quem mandou os ‘kids pretos’ na minha casa para me matar ou me deixar paraplégica foi o próprio Jair Bolsonaro. Me espancaram, quebraram minha coluna em cinco lugares e o rosto inteiro, e a polícia do Distrito Federal, comandada pelo Anderson Torres, veio com a tese absurda de ‘queda da própria altura’. Ninguém cai no chão e quebra a coluna em cinco lugares.”

Apesar de seu longo histórico como ponta de lança da Lava-Jato e da oposição ferrenha aos governos petistas, Joice Hasselmann justificou por que decidiu cruzar o rubicão e declarar voto em Luiz Inácio Lula da Silva:

“Eu voto no Lula porque voto contra o ditador, contra o crime organizado instalado no poder e em defesa da sobrevivência da democracia. Se eu me calasse agora, faltasse o meu voto e o país caísse nas mãos dessa quadrilha por mais 20 anos, eu jamais me perdoaria. Meu compromisso é impedir a destruição do Brasil. No dia seguinte, vou para a oposição.”




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