Exclusivo: manobras de Flávio para impedir votação podem gerar sanções internacionais ao Brasil

Parlamentar europeia não descarta suspensão de ratificação de acordo com Mercosul

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Exclusivo: manobras de Flávio para impedir votação podem gerar sanções internacionais ao Brasil ICL

por Jamil Chade, jornalista

A criação de obstáculos para que os brasileiros fossem votar, neste domingo, chamou a atenção internacional e já se articula uma gestão na Europa para denunciar uma eventual manobra por parte de Flávio Bolsonaro para garantir uma vitória nas urnas.

Em entrevista ao ICL Notícias, a eurodeputada Marie Toussaint, insistiu em criticar as ações do senador e alertou que o país pode sofrer consequências internacionais, caso as irregularidades por parte da extrema direita fiquem provadas.

“É um dia muito preocupante para o Brasil”, disse. No Parlamento Europeu, ela faz parte da Comissão de Assuntos Econômicos e é suplente na Delegação para as Relações com o Brasil.

“Quando olhamos ao Brasil, vemos um grande país democrático onde as vozes podem falar livremente. Mas, mesmo com avanço de Flavio nas pesquisas, ele tenta roubar a eleição”, alertou. “O que ele faz é colocar uma dúvida sobre o resultado”, disse a parlamentar

Caso isso se confirme, ela indicou que deve haver um movimento dentro do Parlamento Europeu para suspender a ratificação do tratado comercial entre o Mercosul e a UE. Acordos de cooperação e de ajuda também poderiam ser congelados. “No fundo, poderemos ter instrumentos para reagir”, disse.

Num primeiro momento, uma das pressões seria para que a UE não reconhecesse o resultado de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, nessas condições.

Marie Toussaint admitiu que não esperava viver essa situação com o Brasil. “Trata-se de uma grande democracia”, disse. “Eu não estava preocupada com o roubo de votos. Mas, ao mesmo tempo, não é uma surpresa que isso venha de Bolsonaro”, constatou.

A deputada também apontou que a situação brasileira deve servir de alerta para a Europa. “Quando a extrema direita chega ao poder, ela faz de tudo para não mais abandonar e isso é a primeira preocupação”, disse.

As criticas também vieram de entidades brasileiras em Bruxelas. “O que assistimos nestas eleições foi um ataque grotesco à cidadania. No Brasil, o desmantelamento do transporte, as blitzes e o fechamento de seções eleitorais deixaram milhares de pessoas sem condições de votar”, disse Bianca Santana, coordenadora de Comunicação da Revibra Europa.

“No exterior, o desrespeito com mais de 1 milhão de eleitores atingiu o cúmulo do absurdo: em Londres, pessoas descobriram no próprio local que a sua seção tinha sido transferida para Edimburgo, a centenas de quilómetros. Isto não é falha técnica, é uma violação do direito ao voto. A Revibra exige apuração rigorosa e respeito absoluto à democracia”, pediu.

Para Paulo Lugon Arantes, da Europe Brazil Office, os apelos por parte da UE precisam ser examinados. “Desconsiderar os apelos de Europarlamentares e da Comissão de Observação da UE, é queimar uma ponte política essencial neste momento crítico para o Brasil”, defendeu.




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