Com 80% de confiança dos brasileiros, PIX supera instituições e une esquerda e direita, aponta Quaest
Sistema de pagamentos supera Igreja, Polícia Militar e Forças Armadas em levantamento nacional
rep. publ. internet O sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central alcançou um patamar de confiança superior ao de instituições tradicionais do país e, mesmo em um ambiente de forte polarização política, registra apoio elevado entre eleitores de diferentes posições ideológicas. Segundo pesquisa Genial/Quaest, 80% dos brasileiros afirmam confiar no Pix.
De acordo com o jornal O Globo, os dados da pesquisa mostram que apenas 19% dos entrevistados dizem não confiar no sistema, enquanto 1% não soube responder. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais.
O resultado coloca o Pix à frente de todos os outros itens avaliados pela Quaest e revela uma característica de especial interesse no ano eleitoral: o sistema praticamente atravessa a divisão política entre esquerda e direita.
Entre os entrevistados que se definem como de “direita não bolsonarista”, 87% afirmam confiar no Pix. Na chamada “esquerda não lulista”, são 88%. Entre os independentes, três em cada quatro entrevistados também manifestam confiança no sistema.
Esta foi a primeira pesquisa em que a Quaest incluiu o Pix na avaliação ao lado de instituições que tradicionalmente apareciam nas primeiras posições do levantamento.
A Igreja Católica registra agora 76% de confiança, seguida pela Polícia Militar, com 75%. As Forças Armadas aparecem com 70%, mesmo percentual dos entrevistados que afirmam confiar no próprio cônjuge.
Pix vira ativo na disputa eleitoral
O amplo apoio ao sistema ocorre justamente quando o Pix ganha espaço na corrida presidencial e passa a ser explorado politicamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Para o cientista político Murillo de Aragão, da consultoria Arko Advice, o grau de aprovação tornou politicamente difícil assumir uma posição contrária ao sistema.
“O Pix se tornou algo como o Plano Real ou o Bolsa Família: ninguém hoje vai se posicionar contra ele, e todos os discursos tentam de alguma forma se apropriar do seu sucesso”, avalia.
Aragão pondera, no entanto, que a popularidade do sistema não significa necessariamente que a questão seja capaz, por si só, de determinar o voto.
“Não necessariamente isso vai mover o voto do eleitor, que costuma ser guiado por esperança ou ameaça. Agora, se durante a campanha ele entender que há algum risco ao Pix, pode acabar influenciando pelo segundo motivo”, afirma.
A pesquisa identifica algumas diferenças de confiança relacionadas à renda e à idade. O índice tende a diminuir entre os brasileiros mais velhos e de menor renda, embora permaneça elevado também nesses segmentos.
Lula e oposição já travaram disputa sobre o Pix
Nos últimos meses, o presidente Lula passou a incorporar a defesa do Pix aos próprios discursos, especialmente depois das tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos no ano passado.
Diante dos ataques da gestão do presidente Donald Trump ao sistema brasileiro de pagamentos, Lula passou a associar a defesa do Pix à soberania nacional.
A estratégia também procura estabelecer um contraponto ao apoio dado por aliados de Flávio Bolsonaro ao governo Trump e vincular o adversário político às pressões estadunoidenses contra o sistema brasileiro.
Flávio, por sua vez, passou a afirmar em entrevistas que o Pix seria “do Brasil e do Bolsonaro”, buscando associar a criação do sistema ao governo de seu pai, Jair Bolsonaro.O PIX, porém ,foi desenvolvido por técnicos do Banco Central durante a gestão de Michel Temer (MDB).
“Patrimônio brasileiro”
Coordenador do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Beto Vasques avalia que a popularidade transformou o Pix em uma espécie de “linha vermelha” para os candidatos, diante da resistência que qualquer tentativa de alterar seu funcionamento poderia provocar.
“As classes média e alta viram sua rotina financeira ficar mais ágil e segura, e os mais pobres, mesmo com brechas tecnológicas e sociais ainda existentes, também sentiram que isso facilitou suas vidas. Em um momento de polarização exacerbada, esse consenso é a prova do sucesso do Pix, que se impôs como patrimônio brasileiro”, afirma Vasques.
A avaliação ajuda a explicar por que forças políticas adversárias procuram associar suas imagens ao sistema, em vez de questionar sua continuidade.
Presidência e Congresso recuperam confiança
A Genial/Quaest também registra melhora na confiança em algumas das principais instituições políticas do país às vésperas de um novo ciclo eleitoral.
A Presidência da República aparece com 57% de confiança, três pontos percentuais acima do registrado em 2025. O índice, entretanto, continua abaixo dos 62% verificados em 2023, primeiro ano do atual mandato de Lula.
O Congresso Nacional chegou a 49%, aproximando-se do Supremo Tribunal Federal (STF), que registra 50% de confiança.
Os partidos políticos, por sua vez, alcançaram 44%, o melhor resultado desde 2023. Apesar do avanço, a desconfiança ainda é majoritária: 55% dos entrevistados dizem não confiar nas legendas.
Confiança nas urnas eletrônicas cai para 65%
Enquanto algumas instituições recuperaram terreno, a confiança nas urnas eletrônicas caiu em relação a 2022, último ano em que a Quaest havia medido a percepção dos brasileiros sobre o sistema.
Naquele ano, 78% dos entrevistados afirmavam confiar nas urnas. Agora, o índice está em 65%.
Em 2022, durante os ataques do então presidente Jair Bolsonaro ao sistema eletrônico de votação, a Justiça Eleitoral realizou campanhas informativas para reafirmar a segurança do processo eleitoral.
Segundo a pesquisa, a redução da confiança ocorreu em diferentes faixas etárias, regiões e classes sociais.
O STF também enfrenta forte resistência entre os eleitores identificados com o bolsonarismo. Nesse segmento, 73% afirmam não confiar na Corte. O levantamento ocorre em um momento de maior escrutínio sobre o tribunal em razão da relação de ministros com o caso do Banco Master.
Polícia Militar mantém índice elevado
A Polícia Militar aparece entre as instituições mais bem avaliadas mesmo quando os resultados são separados por posicionamento político.
Entre os entrevistados classificados como de “esquerda não lulista”, 75% afirmam confiar na PM. Na “direita não bolsonarista”, o percentual chega a 85%.
O resultado ocorre em um cenário no qual a violência aparece como a maior preocupação dos brasileiros em outros levantamentos da própria Quaest.
Na última posição entre os itens avaliados aparecem os árbitros de futebol. Segundo a pesquisa, 56% dos entrevistados afirmam não confiar neles.
A desconfiança na arbitragem é maior entre os brasileiros mais velhos e entre aqueles com menor nível de escolaridade.



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