Flávio Bolsonaro e Douglas Ruas são vaiados em São Januário e Vasco leva chocolate do Santos
Candidato à Presidência ouviu torcedores gritarem “onde está o Vorcaro?” e deixou o estádio, escoltado por agentes da Polícia Federal, depois do terceiro gol santista
rep. publ. internet Flávio Bolsonaro e Douglas Ruas, candidatos à presidência e ao governo do Rio pelo PL, foram vaiados por torcedores neste domingo (16), em São Januário, onde acompanharam a partida entre Vasco e Santos. Vascaínos, os dois assistiram ao jogo na arquibancada, mas a passagem do candidato à Presidência pelo estádio ficou marcada por xingamentos e pelo grito “onde está o Vorcaro?”. Dentro de campo, a noite também foi amarga para os donos da casa, que levaram um verdadeiro chocolate do Santos.
Durante sua permanência no estádio, Flávio recebeu algumas manifestações de apoio, mas também foi alvo de uma recepção hostil de parte da torcida. O episódio ganhou contornos políticos em plena abertura oficial da campanha eleitoral, na qual o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tenta se consolidar como principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O grito sobre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, remete à relação que passou a ser explorada politicamente contra Flávio durante a campanha. O candidato já admitiu ter se reunido pessoalmente com Vorcaro em São Paulo depois que o banqueiro passou a usar tornozeleira eletrônica no final de 2025. Flávio afirmou anteriormente que o encontro teve como assunto as tratativas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
A passagem por São Januário terminou antes do apito final. Flávio deixou o estádio depois do terceiro gol do Santos, acompanhado por agentes da Polícia Federal, sem conversar com jornalistas nem cumprimentar torcedores na saída.
“Onde está o Vorcaro?”
A presença de Flávio nas arquibancadas rapidamente chamou a atenção dos vascaínos.
Além de vaias e xingamentos, torcedores passaram a gritar “onde está o Vorcaro?”, numa referência direta ao ex-controlador do Banco Master.
O episódio ocorre em um momento delicado para o candidato, que enfrenta questionamentos políticos sobre seus contatos com Vorcaro.
Flávio afirmou anteriormente que se encontrou com o banqueiro para tratar exclusivamente do projeto cinematográfico sobre Jair Bolsonaro e disse que Vorcaro havia deixado de cumprir compromissos financeiros relacionados ao filme.
A relação tornou-se, porém, um flanco explorado por adversários e agora chegou também às arquibancadas de São Januário.
A manifestação espontânea dos torcedores mostrou como temas da campanha presidencial podem ultrapassar o ambiente tradicional dos atos eleitorais e alcançar espaços populares como os estádios de futebol.
Flávio encontrou Neymar antes da partida
Antes de ocupar seu lugar na arquibancada, Flávio Bolsonaro esteve no vestiário e encontrou Neymar.
O candidato abraçou o atacante santista e brincou com o jogador sobre o resultado que esperava para a partida.
“Mete um golzinho, mas o Vasco mete dois ou três”, disse Flávio.
A previsão não se confirmou.
O Santos dominou o Vasco, e a sucessão de gols tornou a permanência do candidato no estádio cada vez mais desconfortável.
Depois do terceiro gol santista, Flávio decidiu deixar São Januário.
O candidato também se encontrou com Pedrinho, presidente do Vasco, durante sua passagem pelo estádio.
Vasco orientou funcionários a manter neutralidade
A presença de um candidato à Presidência em São Januário também levou o Vasco a tomar cuidados institucionais.
O clube adotou uma postura de imparcialidade diante da visita e orientou seus funcionários a manter neutralidade.
A diretriz ocorre em meio à abertura do período eleitoral e à possibilidade de que candidatos de diferentes campos políticos procurem espaços de grande visibilidade pública, incluindo eventos esportivos.
A presença de Flávio no estádio, portanto, não significou apoio institucional do Vasco à sua candidatura.
A orientação de neutralidade buscou justamente separar as atividades do clube da movimentação eleitoral.
Douglas Ruas também acompanhou partida
Douglas Ruas acompanhou Flávio Bolsonaro na arquibancada.
Os dois são torcedores do Vasco e estiveram juntos durante a partida, em uma noite que acabou marcada tanto pelo resultado esportivo quanto pelas manifestações políticas das arquibancadas.
A combinação entre futebol e campanha eleitoral tornou a presença dos dois particularmente visível.
Enquanto alguns presentes aplaudiram Flávio, as vaias, os xingamentos e principalmente o coro relacionado a Vorcaro deram o tom mais contundente da reação de parte dos torcedores.
Campanha presidencial começou nas ruas
O episódio em São Januário ocorreu no momento em que a campanha eleitoral entra oficialmente em sua fase de mobilização pública.
Flávio Bolsonaro participou de ato na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, como parte do início de sua campanha presidencial.
Em seu discurso, procurou apresentar sua candidatura como alternativa ao governo Lula.
“O Brasil tem futuro e um caminho para a gente”, afirmou.
Flávio também atacou o governo federal e declarou que “a esperança virou medo”, sustentando que os brasileiros desejariam uma mudança de direção política.
A estratégia busca consolidá-lo como principal nome da direita e da extrema-direita para enfrentar Lula.
Disputa é para chegar ao segundo turno contra Lula
Flávio entra na eleição como o adversário mais bem posicionado para disputar com Lula uma eventual segunda etapa da corrida presidencial.
O presidente lidera as pesquisas de intenção de voto, enquanto os candidatos da direita e da extrema-direita disputam principalmente quem terá força suficiente para chegar ao segundo turno.
Nesse contexto, a campanha de Flávio tenta ampliar sua exposição pública e associar sua candidatura a ambientes populares.
A visita a São Januário fazia parte dessa tentativa de aproximação com o eleitorado.
A reação encontrada nas arquibancadas, porém, mostrou os riscos desse tipo de exposição.
Diferentemente de atos organizados pela própria campanha, eventos esportivos reúnem públicos heterogêneos e não permitem controlar as manifestações políticas dos presentes.
Vorcaro vira problema político para Flávio
O coro ouvido em São Januário também evidencia que o caso Daniel Vorcaro pode acompanhar Flávio durante a campanha.
O candidato admitiu ter mantido encontro com o ex-controlador do Banco Master depois que Vorcaro já estava submetido ao uso de tornozeleira eletrônica.
Segundo a versão apresentada por Flávio, o contato ocorreu para colocar um ponto final nas negociações relacionadas ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro e procurar novos investidores para o projeto.
Flávio sustentou que o assunto tratado foi exclusivamente o filme.
Independentemente da explicação apresentada pelo candidato, o episódio passou a integrar o repertório de críticas políticas contra sua candidatura.
Em São Januário, essa associação apareceu de forma direta, resumida em poucas palavras pelos torcedores: “onde está o Vorcaro?”
Romário também movimenta cenário político no Rio
A campanha eleitoral no Rio de Janeiro também vem sendo marcada por rearranjos políticos.
Romário, depois de deixar o PL para apoiar Eduardo Paes, participou de carreata, em mais uma demonstração das movimentações que acompanham a corrida presidencial e estadual.
As mudanças de alianças mostram um cenário fluminense em transformação, com diferentes lideranças buscando se posicionar diante das candidaturas nacionais e estaduais.
O Rio terá papel relevante na disputa presidencial e concentra bases eleitorais importantes tanto para Lula quanto para o campo bolsonarista.
Por isso, atos públicos, alianças locais e manifestações espontâneas tendem a ganhar peso crescente à medida que a campanha avança.
Uma noite ruim dentro e fora de campo
Para Flávio Bolsonaro, a visita a São Januário terminou muito diferente da previsão feita no encontro com Neymar.
O candidato havia permitido um gol ao craque santista em sua brincadeira, desde que o Vasco respondesse com dois ou três.
O roteiro foi outro.
O Santos construiu uma ampla vantagem, o Vasco levou um chocolate diante de sua torcida e, depois do terceiro gol adversário, Flávio deixou o estádio discretamente.
Escoltado por agentes da Polícia Federal, saiu sem falar com a imprensa e sem interagir com os torcedores.
A passagem por São Januário, planejada em um momento de abertura da campanha presidencial, terminou marcada pelas vaias, pelos xingamentos e pelo coro que levou para dentro do estádio uma questão que promete continuar presente na disputa eleitoral: “onde está o Vorcaro?”



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