BOLSONARISTAS SÃO CONSUMIDORES DE NOTÍCIAS FALSAS, APONTAM RELATÓRIOS DE INTELIGÊNCIA
Uma pesquisa realizada logo após o pleito presidencial de 2018 pela organização Avaaz indicou que cerca de 98% dos eleitores de Jair Bolsonaro entrevistados foram expostos a notícias falsas
rep. publ. internet/Senado Diversos estudos acadêmicos, relatórios de inteligência e levantamentos jornalísticos apontam uma forte correlação entre o eleitorado bolsonarista e o consumo ou compartilhamento de desinformação. No entanto, especialistas em comunicação e cientistas políticos ressaltam que o fenômeno das notícias falsas afeta diferentes espectros políticos e não deve ser generalizado de forma simplista para todos os indivíduos de um grupo.
Uma pesquisa realizada logo após o pleito presidencial de 2018 pela organização Avaaz indicou que cerca de 98% dos eleitores de Jair Bolsonaro entrevistados foram expostos a notícias falsas, e aproximadamente 89% acreditaram na veracidade de um ou mais desses conteúdos avaliados.
Um levantamento jornalístico baseado em inquéritos judiciais revelou que quase metade dos políticos formalmente investigados ou responsabilizados por espalhar desinformação nas redes pertencia ao Partido Liberal (PL), partido do ex-presidente.
Investigações conduzidas em CPIs apontaram que diversos canais alinhados ao ecossistema bolsonarista lucraram milhões de reais através da monetização de vídeos, fake news e conteúdos contendo narrativas enganosas ou sem comprovação factual.
Dinâmica das Redes de Comunicação
A arquitetura do consumo de notícias por esse grupo baseia-se em dinâmicas específicas:
Ecossistemas Fechados: O compartilhamento massivo ocorre predominantemente em aplicativos de mensagens como WhatsApp e Telegram, o que dificulta a checagem pública imediata.
Câmaras de Eco: Usuários tendem a consumir conteúdos que confirmam seus vieses ideológicos anteriores, o que valida teorias conspiratórias ou ataques a opositores políticos e instituições.
Desconfiança na Mídia Tradicional: A retórica recorrente de deslegitimação da imprensa profissional faz com que o público bolsonarista busque canais alternativos de informação, os quais operam frequentemente sem filtros editoriais ou compromisso com a checagem de fatos.
Embora os dados estatísticos evidenciem que a extrema-direita brasileira desenvolveu uma rede de desinformação estruturada e altamente capilarizada, sociólogos e pesquisadores de mídia alertam que o consumo de conteúdos distorcidos decorre de um fenômeno global de polarização, afetando também, em menor escala ou de formas distintas, outros grupos ideológicos.



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