Lula defende educação e pesquisa como prioridades para soberania: “Brasil precisa ser destemido”

Presidente associa desenvolvimento nacional a investimentos em ciência e tecnologia; anúncios incluem supercomputador, cooperação com a China e formação profissional

BRASIL 247
Lula defende educação e pesquisa como prioridades para soberania: “Brasil precisa ser destemido” Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita ao Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, na Zona Rural de Macaíba – RN/Crédito: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quinta-feira (20) a educação, a pesquisa científica e o domínio tecnológico como prioridades para garantir a soberania e o desenvolvimento do Brasil. Em discurso no Rio Grande do Norte, Lula afirmou que o país precisa ampliar oportunidades para a juventude e superar a condição de nação em desenvolvimento.

“O que nós precisamos é fazer com que esse país seja destemido, que esse país pense grande, que esse país pense que a gente pode se transformar numa nação muito grande”, declarou Lula. O presidente participou do evento em que o Governo Federal apresentou uma nova etapa da estratégia nacional para inteligência artificial.

Lula disse que o conhecimento científico e tecnológico será decisivo para o Brasil alcançar maior autonomia. “Se a gente quiser ter soberania, temos que ter produtividade”, afirmou.

O presidente também incluiu a educação, a ciência e a defesa nacional entre as áreas que devem receber atenção prioritária do Estado. Segundo ele, o Brasil possui condições para se tornar um país desenvolvido, desde que mantenha investimentos e ofereça oportunidades para pesquisadores, estudantes e profissionais qualificados.

“Esse país quer deixar de ser um país subdesenvolvido ou em via de desenvolvimento para ser desenvolvido em todas as áreas. A gente tem condições para isso, basta querer”, disse.

Juventude e oportunidades no Brasil


Lula afirmou que os investimentos tecnológicos pretendem evitar que jovens formados no Brasil precisem deixar o país por falta de perspectivas profissionais. O presidente defendeu a ampliação da formação de engenheiros, matemáticos e especialistas preparados para atuar na economia digital.

“O que nós queremos dizer para a juventude brasileira é o seguinte, nós queremos que vocês tenham a oportunidade que o pai de vocês não tiveram, que a minha geração não teve”, declarou.

O presidente disse que o país pretende ocupar espaço no mercado internacional de inteligência artificial e demonstrar a capacidade de seus pesquisadores e estudantes. “Nós vamos entrar nesse mercado. Nós vamos provar que os brasileiros, que os nossos acadêmicos e que a nossa juventude não devem nada a ninguém. Eles só precisam de oportunidades”, afirmou.

Lula acrescentou que a transformação digital precisa estar acompanhada da geração de empregos no Brasil. “É por isso que nós estamos fazendo isso. É por isso que vamos fazer essa revolução digital. A gente não quer ficar para trás”, disse.

O presidente também destacou a ampliação do acesso ao ensino superior. Segundo Lula, o Brasil tinha 5 milhões de trabalhadores com diploma universitário em 2003 e atualmente possui 25 milhões. O objetivo apresentado por ele é elevar esse contingente para 40 milhões ou 50 milhões de pessoas.

Redução das desigualdades regionais


Lula relacionou os investimentos em educação e tecnologia à necessidade de reduzir as desigualdades entre as regiões brasileiras. Ele recordou que o Nordeste concentrou historicamente indicadores elevados de analfabetismo, desnutrição infantil e mortalidade infantil, além de registrar menor presença de jovens nas universidades, mestres e doutores.

O presidente afirmou que o poder público deve direcionar recursos para estados com menor infraestrutura e menos oportunidades. “Era necessário que a gente desse oportunidade às outras regiões de ficarem iguais às melhores regiões que a gente tinha. E não aconteceria se não tivesse o papel do Estado”, declarou.

A escolha do Rio Grande do Norte para receber o novo supercomputador foi apresentada por Lula como parte dessa política. Segundo o presidente, São Paulo e Campinas também demonstraram interesse em abrigar a estrutura. “E por que eu decidi aqui? Porque eu acho que a gente precisa olhar o Brasil e os estados que mais necessitam”, disse. Lula acrescentou que a instalação representa uma homenagem ao povo potiguar e à governadora Fátima Bezerra.

O presidente comparou a decisão com outros investimentos destinados ao Nordeste, entre eles a expansão das universidades e dos institutos federais e a transposição do Rio São Francisco. Para Lula, essas iniciativas dependem de decisões políticas capazes de distribuir recursos públicos de maneira mais equilibrada.

“Governar é tomar decisão. E tomar decisão você arruma amigos e inimigos. E nós tomamos a decisão”, afirmou ao comentar a transposição.

Os anúncios para inteligência artificial


Na sequência do evento, o Governo Federal anunciou a ampliação da infraestrutura necessária para desenvolver e treinar modelos de inteligência artificial no Brasil. As medidas integram o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que prevê investimentos de R$ 23 bilhões entre 2024 e 2028.

A primeira frente consiste na aquisição, por edital competitivo, de um supercomputador que deverá ficar entre as dez maiores máquinas do mundo em capacidade de processamento de inteligência artificial. A infraestrutura poderá ser utilizada por empresas, startups, universidades, instituições de pesquisa e diferentes níveis de governo.

O projeto busca diminuir a dependência de serviços computacionais contratados no exterior e ampliar a capacidade brasileira de processar dados relacionados a serviços públicos e privados. A estratégia também envolve formação profissional, transferência de tecnologia, transparência e governança digital.

A segunda frente prevê cooperação tecnológica com empresas da China para ampliar a supercomputação no país, desenvolver modelos de inteligência artificial em língua portuguesa e capacitar profissionais brasileiros.

O terceiro eixo inclui a participação do Brasil no esforço internacional de desenvolvimento de chips com arquitetura aberta RISC-V. A iniciativa pretende ampliar as possibilidades de criação tecnológica e reduzir a dependência de arquiteturas proprietárias.




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