PONTUANDO NA POLÍTICA NACIONAL

Para que servem as eleições?

SINOPSE DE IMPRENSA
PONTUANDO NA POLÍTICA NACIONAL rep. publ. internet

Mário Vitor Santos, jornalista, ponta que, a pesquisa Datafolha oferece um dado politicamente mais importante do que a oscilação de alguns pontos: apesar da intensa campanha política e midiática que se tornou onipresente nas manchetes dos veículos da mídia tradicional nas últimas semanas, Lula continua liderando sozinho a corrida presidencial e preserva uma vantagem relevante sobre seu principal adversário.

E segue: Há ainda outro problema para a candidatura de Flávio Bolsonaro: a herança política do sobrenome, à qual ele faz jus. Flávio não começa a disputa a partir de uma página em branco. Ele carrega a imagem de um campo político que, durante a pandemia de Covid-19, ficou associado ao negacionismo sanitário, à resistência às medidas de proteção e à minimização da gravidade da doença. O nome Bolsonaro está associado a 700 mil mortes, pelo menos. Está associado a vítimas tratadas com escárnio.

Moisés Mendes, jornalista, pontua que, Flávio Bolsonaro já gabaritou todos os tipos de suspeitas, escândalos e investigações em todas as áreas. São fatos graves que poderiam pulverizar, em tempos de normalidade, sua candidatura e a estrutura que a sustenta. O núcleo e o entorno da extrema direita brasileira já tiveram mortes suspeitas ou violentas e continuam a ter embates internos com alto grau de virulência. Já aconteceu todo tipo de crueldade ao redor dos Bolsonaros. Mas falta a cabeça do cavalo ensanguentada aos pés da cama de alguém.

E segue: Em O Poderoso Chefão, é a cabeça do cavalo que eleva o nível das crueldades. Não é a morte de inimigos. A morte de gente é banalizada pelas máfias e deixa de incomodar. A degola do cavalo de corridas Khartoum, o preferido de Jack Woltz, é o horror inimaginável pelo desafeto sabedor de que o mafioso é capaz de todo tipo de violência. Mas não com seu cavalo.

Em "O passado te condena, não adianta declarar: “página virada”, Flávio Bolsonaro, em vez de apresentar os esclarecimentos prometidos há 100 dias sobre o caso Dark Horse, declarou o “caso encerrado”, pontua a advogada Elisabeth Lopes. Há muitos interesses em jogo no processo eleitoral, oriundos dos diferentes vértices da sociedade reverberados por um personagem poderosamente ativo na formação de opinião, o denominado PIG (Partido da Imprensa Golpista), ou mídia corporativa, que instrumentaliza armações e pautas para defender os interesses que representa, os quais, comprovadamente, não correspondem aos da maioria da população, mas a de uma parcela restrita, o 1% da população que concentra a maioria da renda gerada no país. Não é necessário dizer mais nada para deduzir de que lado está a Rede Globo, o Estadão, a Folha de São Paulo, a revista Veja e os demais veículos integrantes do PIG.

Emir Sader, sociólogo e cientista político, pontua:

Para que servem as eleições?

Antes de tudo, para que votemos e busquemos um mundo melhor. Também, para que elejamos pessoas em quem confiamos que possam ajudar nessa direção. E para que os candidatos proponham o que gostariam de fazer, se fossem eleitos.

Para que os partidos proponham programas de governo.
Para que a gente tenha que tolerar as bobagens que grande parte dos candidatos costuma dizer e propor.
Para que os horários eleitorais interrompam as programações a que estamos acostumados.
Para que, a cada quatro anos, as denúncias sobre o caso do Lulinha voltem.
Para que o Lula seja candidato e vença eleições, até onde ele possa ser candidato.
Para que a direita exiba suas barbaridades nos horários eleitorais.
Para que a gente tenha a impressão de que vivemos em uma democracia, em que as pessoas decidem o seu destino.
Para que as pessoas acreditem que estão numa democracia, que os destinos do país estão nas suas mãos.
Para que a gente fique chateado ou contente com quem votou nas eleições anteriores.
Para ter que buscar o título de eleitor e não encontrar.
Para ter esperanças nas próximas eleições.
Para ter certeza de que é melhor com eleições do que sem.
Para não ter saudades da ditadura militar, quando eram eles que escolhiam quem governaria o Brasil.
Para ter mais confiança na democracia.




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