Tebet, Carlos, Luxemburgo: 1 a cada 5 deixam estado natal para concorrer
Carlos Bolsonaro, do RJ para SC, Vanderlei Luxemburgo, do RJ para TO, e Simone Tebet, de MS a SP
Carlos Bolsonaro, do RJ para SC, Vanderlei Luxemburgo, do RJ para TO, e Simone Tebet, de MS a SP Imagem: Arte/UOL Um a cada cinco candidatos, ou 22% do total, disputa a eleição de 2026 fora do estado onde nasceu. Nessa situação, estão nomes de ambos os espectros políticos, como Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), pela esquerda, e Carlos Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), pela direita.
O que aconteceu
22% dos candidatos concorrem fora de seu estado natal. Cerca de 4.500 candidatos disputam a eleição em um estado diferente daquele onde nasceram. Ao todo, mais de 20 mil pessoas registraram candidaturas neste ano. Os dados foram apresentados pelos próprios candidatos ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Nomes disputam os diferentes cargos destas eleições. Os candidatos que disputam eleição fora do estado natal buscam diferentes cargos, como deputado estadual, deputado federal, suplentes de senador, senador e governador.
Regra eleitoral permite alteração. A principal norma sobre a troca de domicílio eleitoral está na Lei das Eleições, que prevê que, para concorrer como candidato em um estado diferente, a pessoa deve mudar o domicílio eleitoral pelo menos seis meses antes do primeiro turno.
Mudanças para São Paulo foram criticadas. Dos nomes mais conhecidos, a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB) é natural de Três Lagoas (MS) e disputa vaga no Senado por São Paulo. Na mesma chapa, está Marina Silva (Rede), ex-ministra do Meio Ambiente, que é de Rio Branco (AC). O atual governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), busca a reeleição. Ele nasceu no Rio e já foi criticado por isso, mas também já atacou as adversárias usando o mesmo argumento.
Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi para SC. Carlos Bolsonaro (PL) é fluminense e tenta vaga no Senado por Santa Catarina, onde também vive o irmão Jair Renan. Em dezembro do ano passado, Carlos renunciou ao cargo de vereador no Rio, já de olho na disputa.
Ex-técnico carioca busca vaga no Senado por Tocantins. Com passagem pelo comando da seleção brasileira, o ex-técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo (Podemos) é natural do Rio e tenta uma das duas vagas no Senado pelo estado da região Norte do país.
Natural de Pindamonhangaba (SP), Ciro Gomes (PSDB) foi para o Ceará quando ainda era criança. Ele construiu vida pessoal e carreira política no estado cearense. Foi prefeito de Fortaleza (1989-1990) e já foi governador (1991-1994). Ciro também disputou à Presidência nas eleições de 1998, 2002, 2018 e 2022, tendo perdido todas. Neste ano, ele tenta novo mandato de governador do Ceará.
No Distrito Federal, a maioria dos candidatos de fora tenta o governo. Cinco nomes que disputam o cargo de governador são de fora: a atual governadora, Celina Leão (PP), natural de Goiânia; José Roberto Arruda (PSD), de Itajubá (MG); Ricardo Cappelli (PSB), que nasceu no Rio; Kiko Caputo (Novo), nascido em Juiz de Fora (MG); e Paula Belmonte (PSDB), de São Paulo.
Norma é abrangente. O advogado constitucionalista Adib Abdouni explica que a compreensão consolidada do TSE sobre o conceito de domicílio eleitoral é ampla. Segundo ele, vai além da residência e compreende também os locais com vínculo afetivo, familiar, profissional ou social, que podem ser justificados como nova escolha da localidade.
"A elasticidade é deliberada e tem nobre origem, pois se destina a amparar o eleitor que se desloca, o trabalhador itinerante, o servidor removido. Que dela também se sirva o cálculo partidário é consequência inevitável de uma regra concebida para não excluir ninguém" - Adib Abdouni, advogado constitucionalista
O especialista afirma que a Justiça Eleitoral aceita a candidatura se os seis meses de mudança tiverem sido cumpridos. Ele também diz que possíveis irregularidades estão em caso de falsidade sobre a mudança. A fronteira da ilicitude não é a mudança, mas a falsidade. "Endereço emprestado e declaração mendaz de residência atraem a inscrição fraudulenta de eleitor (art. 289 do Código Eleitoral) e a falsidade ideológica eleitoral do art. 350, tipo que reclama dolo específico, ou seja, o propósito de alterar a verdade sobre fato relevante para fins eleitorais", detalha.
"Paraquedismo político" está liberado. Para Gustavo Ribeiro, mestre em ciência política pela Sorbonne (França), apesar da estratégia política, o chamado paraquedismo político, quando um candidato muda de domicílio cumprindo as regras eleitorais, não resulta em ilegalidade.
Situações se repetem em todo o Brasil. "Foi o caso de Tarcísio de Freitas ou de Rosângela Moro em 2022. Em 2026, o padrão se repetiu em larga escala. O principal exemplo é o de Carlos Bolsonaro, que teve sete mandatos no Rio e transferiu o domicílio para Santa Catarina. Hélio Lopes, o Hélio Negão, fez o mesmo em Roraima, e há muitos outros", exemplifica.
Estratégia governista mira em votação anterior. Ribeiro aponta o caso de Tebet como uma forma de o governo Lula (PT) fortalecer o palanque em São Paulo, onde ela teve 1,6 milhão de votos em 2022, como candidata a presidente. "Além de uma estratégia para fortalecer o palanque do presidente Lula em São Paulo, esse vínculo [com a localidade] é construído depois, para justificar a mudança."



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