FESTA DA ORGIA DE VORCARO COM MULHARES: Alcolumbre, Pacheco, Toffoli, Ciro, Arthur e Alexandre
Festança de Halloween promovida por banqueiro em São Paulo teve celulares vetados na porta, esquema rígido de segurança e citação a nomes do STF e do Congresso Nacional
rep. publ. internet O banqueiro Daniel Vorcaro utilizava a organização de eventos privados e exclusivos como uma ferramenta para aproximar autoridades, construir pontes políticas e agradar figuras centrais dos Poderes em Brasília. Em 31 de outubro de 2023, uma terça-feira, ele promoveu uma festa secreta de Halloween na casa noturna Madame Underground Club (conhecida como Madame Satã), na Bela Vista, em São Paulo. O evento reuniu 20 homens e 120 mulheres, mantendo exigências rígidas de sigilo, como a retenção de aparelhos celulares na entrada e forte aparato de segurança privada, informa a revista piauí.
A articulação dos convidados ficou dividida entre duas frentes: o ex-ministro das Comunicações do governo Bolsonaro, Fábio Faria, foi encarregado de selecionar e chamar um seleto grupo de homens, enquanto o promoter Tiago Polo ficou responsável pelo recrutamento das mulheres. A intenção de Vorcaro era lotar o ambiente com modelos novas, acionando contatos ligados a grandes agências.
Bastidores, convites e autoridades citadas
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal e integrantes de relatórios do caso mostram trocas de texto entre Fábio Faria e Vorcaro nos dias que antecederam a celebração. Em 24 de outubro, Faria enviou mensagens afirmando que os senadores Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco estavam “fechados” para a terça-feira e que também havia convidado o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na mesma oportunidade, Faria comentou que Alcolumbre perguntava se “as suíças” iriam à festa. Vorcaro confirmou a presença.
No dia seguinte, Faria reforçou as confirmações e mencionou que Toffoli tentaria comparecer, pois presidia uma sessão na Segunda Turma do STF naquela data. Ao ser questionado por Vorcaro sobre “Ciro” (em provável referência ao senador Ciro Nogueira), Faria explicou que ele estaria viajando. Em áudio posterior enviado ao banqueiro, o ex-ministro citou ainda a possibilidade de atrair outros nomes de peso da República, mencionando “Arthur” (suspeita da PF sobre o deputado Arthur Lira) e Alexandre Ramagem.
As mensagens indicam ainda a intermediação de uma pessoa identificada pelas iniciais “MV” para consultar sobre a presença do empresário Wesley Batista. Diante da consulta, Vorcaro assentiu. A PF aponta que as iniciais podem se referir ao advogado e ex-presidente da OAB Marcus Vinícius Furtado Coêlho, que atua para a família Batista e também para Vorcaro.
Estrutura, exigências e o perfil dos convidados
Para evitar o vazamento da localização, o endereço da casa noturna só foi repassado aos convidados no próprio dia do evento. Durante o planejamento, Vorcaro enfatizou o controle rígido de acesso:
Proporção de 120 mulheres para 20 homens.
Retenção obrigatória de celulares na portaria para evitar fotos e vídeos.
Contratação de equipe especializada em segurança e privacidade.
Preferência por modelos estrangeiras e brasileiras jovens.
Apesar da estrutura montada, Vorcaro manifestou preocupação com a repercussão de eventuais vazamentos. Chegou a afirmar a Faria que, caso a imprensa questionasse, alegaria tratar-se de um “evento do banco para parceiros de Halloween”. O aluguel da casa noturna contou com bufê variado, mesas de queijo, sushi, e atrações internacionais de música eletrônica, incluindo os conjuntos e DJs Swedish House Mafia, Solomun e Vintage Culture.
Incidentes após a festa e ordem para “derrubar” conteúdos
No dia seguinte ao evento, uma das convidadas publicou um vídeo no TikTok com a legenda “MELHOR FESTA DE HALLOWEEN”. Ao tomar conhecimento, Vorcaro exigiu imediatamente ao promoter Tiago Polo a remoção do conteúdo da rede. A publicação foi apagada em seguida.
Meses depois, Vorcaro acionou Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”, para tentar derrubar outra publicação no Instagram que mencionava os DJs contratados e a realização do evento fechado no Madame Club. Mourão fazia parte do grupo investigado pela Polícia Federal por ameaçar funcionários e prestadores de serviço a mando do banqueiro. O Sicário tentou cometer suicídio dentro das instalações da Polícia Federal em Belo Horizonte no dia 4 de março deste ano e faleceu dois dias depois.
O que dizem os citados
Procurados pela reportagem da piauí, os envolvidos e citados apresentaram as seguintes respostas:
Dias Toffoli (Ministro do STF): Negou ter comparecido ao evento.
Davi Alcolumbre (Senador): Informou por nota que cumpria agenda de trabalho no Senado Federal, em Brasília, na data referida.
Rodrigo Pacheco (Senador): Declarou que esteve em Brasília presidindo sessão do Senado transmitida ao vivo e que jantou com Alcolumbre na capital federal naquela noite.
Fábio Faria (Ex-ministro): Afirmou que sua atuação se limitou unicamente a transmitir convites a amigos em comum a pedido do anfitrião, a quem conheceu em um fórum empresarial.
Marcus Vinícius Furtado Coêlho (Advogado): Negou ser a pessoa identificada como “MV”, afirmou que esteve em Brasília na data da festa e que não participou do evento.
Wesley Batista: Sua assessoria informou categoricamente que o empresário jamais esteve em festas promovidas por Daniel Vorcaro e que não há elementos que o relacionem às citações nas mensagens.
Madame Satã: A direção da casa noturna informou que o espaço foi alugado por uma produtora e que a casa não compactua com as condutas relatadas.
Agências de Modelos (Mega, Ford, Joy e Allure): Os responsáveis pelas agências Mega, Ford e Joy afirmaram rigorosa proibição quanto ao envolvimento de suas modelos em eventos com promoters ou festas do gênero, rechaçando qualquer intermediação oficial. O dono da agência Allure negou envio de modelos ou qualquer sociedade oculta com o banqueiro.
Tiago Polo: Não respondeu aos contatos da reportagem e removeu a conta da revista de seus seguidores nas redes sociais.



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