Na reta final de campanha, Flávio Bolsonaro vira alvo de rivais da própria direita

Após apelo pelo voto útil, Flávio Bolsonaro é criticado por Cury, Caiado, Zema e Renan Santos na disputa pelo eleitorado de direita

BRASIL 247
Na reta final de campanha, Flávio Bolsonaro vira alvo de rivais da própria direita rep. publ. internet/G1 X

A tentativa do candidato da extrema direita Flávio Bolsonaro (PL) de atrair, já no primeiro turno, os eleitores de outros candidatos da direita provocou uma reação dos adversários. Segundo o jornal O Globo, Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) passaram a contestar o pedido de voto útil e a dirigir críticas ao candidato do PL, enquanto mantêm os ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A mudança ocorreu depois que Flávio Bolsonaro pediu apoio a quem tem outro candidato como primeira escolha. “Eu faço um apelo a você que não me tem como primeira opção. Considere votar em Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Vamos resolver essa parada já no primeiro turno”, afirmou. De acordo com O Globo, aliados do senador também procuraram interlocutores ligados a Cury, Caiado e Zema para sondar a possibilidade de desistências, mas encontraram resistência.

O peso dessa disputa aparece na pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (21). Lula registra 37% das intenções de voto, ante 33% de Flávio. Cury tem 6%; Caiado, 4%; Renan, 3%; e Zema, 1%. Os quatro candidatos somam 14%.

Cury fez as críticas mais diretas após um debate promovido pelo Flow, ao qual Flávio não compareceu. Disse que o senador “sempre foge”, questionou sua experiência administrativa e classificou como “promíscua” a relação dele com o Banco Master. Também mencionou episódios relacionados à antiga loja de chocolates de Flávio e à operação Dark Horse, que apura o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro. Durante o debate, Cury havia chamado os candidatos ausentes de “covardes”.

Caiado concentrou sua reação na premissa do voto útil: a de que Flávio seria o nome da direita com mais condições de enfrentar Lula. “Quem está apostando no Flávio, na verdade, está apostando na loteria, porque ele tem 50% de rejeição e não tem como crescer. Eu tenho como crescer”, afirmou na segunda-feira, antes do debate.

Zema, por sua vez, intensificou as críticas a pessoas associadas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Cobrou a saída do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto dos dois em Londres, e disse que Vorcaro “comprou muito político vendido”, ao citar integrantes do PT e do PL. Conforme O Globo, a pressão para que seus eleitores migrem para Flávio causa incômodo no Novo. Apesar de uma ala do partido defender o apoio ao senador ainda no primeiro turno, a avaliação predominante é de que Zema continuará na disputa.

Renan Santos afirmou que pessoas ligadas a Flávio tentaram estabelecer contato por intermédio de amigos em comum. Ele disse ter recusado a aproximação e descartou apoiar o candidato do PL em um eventual segundo turno. Ao comentar o apelo pelo voto útil, avaliou: “Se tem algum efeito, é um efeito marginal. Ele está aproveitando o momento que agora é bom para ele para tentar fazer isso”.




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