Lula diz que eleição deste ano opõe “seriedade” a quem “faz orgia”

Presidente critica Flávio Bolsonaro em ato no Rio, cita o caso do Banco Master e afirma: “ou a gente consolida a democracia, ou ela vai acabar”

BRASIL 247
Lula diz que eleição deste ano opõe “seriedade” a quem “faz orgia” rep. publ. internet/247

Na reta final da campanha pela reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) nesta sexta-feira (2), durante uma carreata pelo centro do Rio de Janeiro, e afirmou que a eleição representa uma disputa entre a “seriedade” e quem “faz orgia”.

Lula afirmou que a eleição deste ano é a “luta da seriedade, de homens que têm biografia com a luta, contra aquele que faz orgia, aqueles que não medem qualquer comportamento de caráter”.

A declaração foi feita em referência a Flávio Bolsonaro e a relatos sobre uma suposta traição e participação em orgias com garotas de programa. A suspeita foi publicada inicialmente pelo site PlatôBR, em reportagem baseada em mensagens encontradas no celular de um antigo sócio do senador.

“Por isso, companheiros do Rio de Janeiro, esta passeata é o começo de uma passeata que só vai terminar domingo, às 17h, quando terminarem as eleições”, afirmou Lula, em referência ao encerramento da votação do primeiro turno.

Durante o ato, o presidente percorreu parte do centro da capital fluminense na caçamba de uma caminhonete, acompanhado por apoiadores que caminharam entre a Candelária e a Cinelândia.

Banco Master entra no discurso

Ao longo do percurso, Lula fez quatro intervenções. Além dos ataques a Flávio Bolsonaro, pediu votos para aliados, falou sobre a escala 6 por 1 e as bets e convocou seus apoiadores a se mobilizarem para a votação de domingo.

Em um dos discursos, Lula voltou suas críticas ao caso Banco Master.

“A gente não pode permitir que a quadrilha do banco Master volte a governar este país”, disse.

O presidente também mencionou a defesa feita por Flávio Bolsonaro ao policial militar Bruno Dias Delaroli.

“A gente não pode permitir que esse país eleja uma pessoa que, sendo senador da República, foi defender um policial que matou uma menina de 5 anos de idade”, afirmou.

“Ou a gente consolida a democracia, ou ela vai acabar”

Lula também procurou colocar a defesa da democracia no centro de seu discurso de reta final. O petista afirmou que considera a votação de domingo uma disputa que ultrapassa a escolha individual de um candidato.

“O que está em jogo não é a vitória de um homem, é a vitória de uma ideia, é a vitória de uma democracia. Ou a gente consolida a democracia, ou ela vai acabar”, declarou.

O presidente pediu ainda que seus apoiadores convençam pessoas com mais de 70 anos a comparecer às urnas. Para essa faixa etária, o voto é facultativo. Lula argumentou que os eleitores mais velhos deveriam participar da votação pensando no país que deixarão para filhos e netos.

“Estou convencido de que a gente vai ganhar as eleições no domingo. Não há porque ter segundo turno se a gente pode matar a desgraça no primeiro turno. E é domingo que a gente vai ter que ganhar essas eleições”, disse.

Críticas à escala 6 por 1 e às bets

A concentração de apoiadores também levou Lula a interromper o discurso para pedir calma. Segundo o UOL, algumas pessoas passaram mal e um vidro de um ponto de ônibus chegou a quebrar enquanto parte do público tentava se aproximar do presidente.

“Temos mulheres e crianças aqui. Se essa é a caminhada da vitória, precisamos de todos vocês bem para poder votar”, afirmou.

Lula aproveitou o momento para reiterar sua posição pelo fim da escala de trabalho 6 por 1 sem redução salarial.

“Somos da geração que lutou para acabar com a escala 6 por 1”, disse.

Ao pedir que os apoiadores parassem de se empurrar, Lula voltou a atacar seus adversários e citou investigações envolvendo a Previdência e o Banco Master.

“Eles criaram a quadrilha da Previdência e nós prendemos a quadrilha da Previdência. Eles criaram a quadrilha do Vorcarco e nós desmontamos a quadrilha do Vorcaro”, afirmou.

Em seguida, reforçou o pedido para que ninguém se machucasse: “agora, é ganhar as eleições. Ninguém pode se machucar, porque precisamos do voto de todos vocês”.

Já no encerramento do ato, em frente ao Museu Nacional de Belas Artes, Lula voltou a defender uma definição das eleições no primeiro turno e retomou algumas de suas principais bandeiras.

“Bet nunca mais! Jornada 6 por 1 nunca mais! Quadrilha do Vorcaro nunca mais! Quadrilha da Previdência nunca mais!”, declarou.

Lula comenta debate da Globo

O presidente também mencionou o debate da TV Globo que estava previsto para a noite de quinta-feira (1º), mas não ocorreu. Lula havia optado por participar de um podcast no mesmo período.

“Ontem, vocês viram o que aconteceu com a Globo. A Globo até agora está pensando no que aconteceu. Que o Lula não veio no debate, e o podcast de que eu participei teve mais audiência do que a novela. Uma demonstração de que, se a gente tiver coragem, se a gente tiver determinação, a gente não é manipulado pelos meios de comunicação”, afirmou.

Lula participou da mobilização ao lado dos candidatos ao Senado que apoia no Rio de Janeiro, Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD).

Depois de um breve discurso do candidato do PSD, integrantes do público gritaram o nome de Mônica Benício (PSOL).

Mônica, que também disputa uma vaga no Senado e pertence ao campo progressista, participou da caminhada, mas não permaneceu ao lado de Lula.

No encerramento, a primeira-dama Janja da Silva dirigiu uma mensagem às mulheres e destacou a importância do eleitorado feminino para a campanha.




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