Rafael Fonteles defende ofensiva contra abstenção e comparação entre Lula e Flávio Bolsonaro
Governador reeleito do Piauí diz que campanha deve estimular comparecimento e explorar diferenças entre as trajetórias dos dois candidatos
rep. publ. internet/Rafael Fonteles O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), defendeu que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva concentre esforços no segundo turno em duas frentes: reduzir a abstenção e estabelecer uma comparação direta entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).
Em entrevista ao Painel, da Folha de S.Paulo, Fonteles afirmou que a menor quantidade de cargos em disputa nesta etapa pode ser usada como argumento para estimular o eleitorado a comparecer às urnas. “Temos que fazer um grande esforço contra a abstenção. Agora quase não tem mais as eleições estaduais. Será uma votação bem mais rápida, não vai ter as longas filas que vimos”, disse.
Reeleito com 70,9% dos votos, Fonteles avalia que a campanha também deve explorar as diferenças entre as trajetórias políticas e pessoais dos dois candidatos à Presidência.
“É preciso comparar as duas pessoas, quem é o Lula e quem é o Flávio. Quem é o candidato adversário, que nunca trabalhou, a não ser em cargos públicos. Ele não tem uma história de luta, referenciar isso é muito importante”, afirmou.
Fonteles vê antecipação do voto útil
Na avaliação do governador, a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno esteve relacionada a uma antecipação do chamado voto útil, movimento que costuma se intensificar apenas na reta final de disputas polarizadas.
“Houve uma antecipação do segundo turno no primeiro, houve o derretimento das candidaturas de terceira via. Tiveram o pior desempenho de toda a história”, declarou.
Para Fonteles, esse cenário indica que Lula ainda dispõe de espaço para recuperar a desvantagem registrada na primeira etapa da eleição.
“É como se tivéssemos ganho uma chance que normalmente não teríamos”, afirmou.
Avanço da extrema direita
O governador também atribuiu o desempenho de aliados de Flávio Bolsonaro nas eleições para governos estaduais e para o Congresso ao fortalecimento internacional da extrema direita.
“A questão cultural da extrema direita global crescendo chegou inclusive aos menores municípios do interior”, disse.
Fonteles foi um dos principais nomes do PT a sair fortalecido do primeiro turno. Aos 41 anos, conquistou novo mandato no Piauí com ampla vantagem e passou a ser citado dentro do partido como um dos nomes de uma nova geração de lideranças petistas.
Lula venceu em todos os municípios do Piauí
No Piauí, Lula obteve 71% dos votos e venceu nos 224 municípios do estado. A eleição também terminou com vitória de dois candidatos ao Senado aliados do presidente: Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD).
Depois de participar, nesta segunda-feira (5), de uma reunião convocada por Lula em Brasília, Fonteles afirmou que a meta da campanha é elevar a votação do presidente no estado para 80% no segundo turno.
Segundo ele, a estratégia nacional também deverá considerar as particularidades de cada unidade da Federação.
“São 27 eleições agora. Existem os temas gerais, como combate a violência e à corrupção, mas tem muitos temas específicos também”, afirmou o governador.
Para Fonteles, a chamada estadualização da campanha será decisiva para ampliar a votação de Lula em regiões onde o presidente já teve desempenho expressivo e, ao mesmo tempo, reduzir desvantagens em estados onde Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente.



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