Começa a guerra: EUA e Israel lançam “ataque preventivo” contra o Irã
Agressão foi confirmada pelo ministro Israel Katz
AP Photo/rep. publ. 247 Israel afirmou neste sábado, 28 de fevereiro de 2026, ter lançado um ataque “preventivo” contra o Irã, reacendendo a escalada militar no Oriente Médio e reduzindo ainda mais as perspectivas de uma solução negociada para a disputa em torno do programa nuclear iraniano.
As informações foram publicadas pela Reuters, que também relata que o jornal The New York Times, citando um funcionário dos Estados Unidos, informou que ataques norte-americanos contra o Irã estavam em andamento, sugerindo uma nova etapa de envolvimento direto de Washington no confronto.
Ataque “preventivo” e coordenação com Washington
Segundo o governo israelense, a ofensiva foi apresentada como uma ação destinada a “remover ameaças” contra o Estado de Israel. O ministro da Defesa, Israel Katz, declarou de forma explícita o enquadramento político-militar da operação: "O Estado de Israel lançou um ataque preventivo contra o Irã para remover ameaças ao Estado de Israel".
Um funcionário da Defesa de Israel, citado no relato, afirmou que a operação vinha sendo planejada há meses em coordenação com Washington e que a data de lançamento teria sido definida semanas antes. Esse detalhe, se confirmado, reforça o caráter estratégico da ação e a convergência entre Israel e Estados Unidos na abordagem de força diante do impasse nuclear e do programa de mísseis iraniano.
Explosões em Teerã e sirenes em Israel
A Reuters informa que explosões foram ouvidas em Teerã na manhã de sábado, segundo a imprensa iraniana. Imagens veiculadas em vídeo mostrariam fumaça se elevando após uma explosão na capital iraniana.
Ao mesmo tempo, sirenes soaram em Israel por volta de 08h15 no horário local. De acordo com o Exército israelense, o alerta teve caráter “proativo”, para preparar a população diante da possibilidade de um ataque com mísseis em resposta.
As autoridades israelenses anunciaram medidas internas de emergência: fechamento de escolas e locais de trabalho, com exceções para setores essenciais; restrições a atividades públicas; e bloqueio do espaço aéreo para a aviação civil. Israel também fechou seu espaço aéreo para voos civis, e a autoridade aeroportuária orientou a população a não se dirigir aos aeroportos do país.
O pano de fundo: guerra de 12 dias e nova rodada de negociações
A ofensiva ocorre após Israel e Irã terem se enfrentado em uma guerra aérea de 12 dias em junho, conforme a própria Reuters descreve. A sequência indica um ciclo de escalada e retaliação que, em vez de se dissipar, volta a se intensificar.
Em fevereiro, Estados Unidos e Irã haviam retomado negociações com o objetivo de resolver, pela via diplomática, uma disputa de décadas — tentativa que buscava evitar uma confrontação militar capaz de desestabilizar ainda mais a região. A retomada do diálogo, porém, esbarrou em exigências e limites políticos difíceis de conciliar.
Israel, segundo o texto, defendia que qualquer eventual acordo dos Estados Unidos com o Irã deveria incluir o desmantelamento da infraestrutura nuclear iraniana — e não apenas a interrupção do enriquecimento. Além disso, Israel pressionava Washington para que as conversas incorporassem restrições ao programa de mísseis iraniano.
O Irã, por sua vez, disse estar preparado para discutir limitações ao seu programa nuclear em troca do levantamento de sanções, mas rejeitou vincular a questão nuclear ao tema dos mísseis. A posição expõe um impasse central: enquanto o Ocidente e Israel buscam um pacote que inclua o vetor balístico, Teerã tenta separar os dossiês e preservar capacidade dissuasória regional.
O que se sabe sobre a liderança iraniana e o risco de retaliação
Em meio aos ataques, uma fonte citada pela Reuters afirmou que o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, não estava em Teerã e teria sido transferido para um local seguro. A informação, no contexto de uma ofensiva com potencial de atingir estruturas sensíveis, sinaliza preocupação do Estado iraniano com a continuidade de comando e com a segurança de sua cúpula.
Do lado iraniano, a mensagem oficial, segundo o relato, foi de que o país se defenderá contra qualquer ataque. O Irã também advertiu países vizinhos que abrigam tropas norte-americanas de que poderá retaliar contra bases dos Estados Unidos caso Washington ataque diretamente.
Essa advertência amplia o raio de risco do confronto, pois envolve a geografia militar norte-americana no Golfo. A Reuters lembra que, em junho, quando os Estados Unidos se juntaram a uma campanha israelense contra instalações nucleares iranianas, Teerã retaliou lançando mísseis em direção à base aérea de Al Udeid, no Catar, descrita como a maior base norte-americana no Oriente Médio.
O precedente de junho, somado ao relato de que ataques dos Estados Unidos estariam em andamento agora, reforça o temor de uma espiral rápida: ação, retaliação, contra-ataque — e o arrastamento de atores regionais e de infraestruturas militares fora do território israelense e iraniano.
Disputa nuclear, mísseis e a narrativa sobre “ameaças”
O conflito se conecta diretamente ao tema nuclear. Potências ocidentais têm alertado, segundo o texto, que o projeto de mísseis balísticos do Irã ameaça a estabilidade regional e poderia servir como meio de entrega de armas nucleares, caso estas venham a ser desenvolvidas.
Teerã nega buscar bombas atômicas, mas permanece sob pressão internacional por conta do acúmulo de capacidades e do histórico de desconfiança em torno do programa nuclear. Ao exigir o desmantelamento da infraestrutura — e não apenas limites ao enriquecimento — Israel aposta em um objetivo mais maximalista, que reduz a margem para uma saída negociada intermediária.
Nesse cenário, a escolha da expressão “ataque preventivo” também funciona como instrumento político: busca conferir legitimidade antecipada e enquadrar a operação como autodefesa. A frase de Katz sintetiza esse argumento, ao afirmar: "O Estado de Israel lançou um ataque preventivo contra o Irã para remover ameaças ao Estado de Israel".
Um Oriente Médio sob nova escalada e diplomacia sufocada
Com explosões relatadas em Teerã, sirenes em Israel, fechamento do espaço aéreo e sinais de coordenação entre Israel e Washington, a região volta a um patamar de confronto que empurra a diplomacia para a margem. A retomada das negociações em fevereiro aparece, no relato, como um esforço já fragilizado por exigências incompatíveis e pela disputa sobre o vínculo entre nuclear e mísseis.
A depender da dimensão e da continuidade dos ataques — e do tipo de resposta iraniana — o episódio pode marcar uma nova fase do conflito, com implicações diretas para a segurança regional e para a já prolongada disputa sobre o futuro do programa nuclear iraniano.



COMENTÁRIOS