Eliane Cantanhêde diz que tarifaço fortalece Lula e enfraquece Flávio Bolsonaro, o “Tariflávio”

Colunista afirma que ofensiva comercial dos Estados Unidos teve motivação política, produziu efeito contrário ao esperado e ampliou o desgaste eleitoral do senador do PL

Brasil247
Eliane Cantanhêde diz que tarifaço fortalece Lula e enfraquece Flávio Bolsonaro, o “Tariflávio” Lula e Flávio BolsonaroCrédito: Ricardo Stuckert/PR | Agência Senado

A jornalista Eliane Cantanhêde afirmou que o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil acabou produzindo um efeito político inverso ao pretendido: fortaleceu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e agravou o desgaste do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apelidado nas redes sociais de “Tariflávio”. A análise foi apresentada em sua coluna e em comentários sobre a crise diplomática desencadeada pela decisão do governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos.

Segundo Cantanhêde, a medida norte-americana foi marcada por forte conteúdo político e por justificativas contestadas, atingindo diretamente a disputa presidencial de 2026. Para a jornalista, a iniciativa acabou reforçando o discurso de defesa da soberania nacional adotado pelo governo Lula, enquanto ampliou as dificuldades eleitorais enfrentadas por Flávio Bolsonaro.

Carta de Flávio virou problema político

Um dos principais pontos destacados por Eliane Cantanhêde é a carta enviada por Flávio Bolsonaro ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Em vez de pedir o cancelamento definitivo das tarifas, o senador defendeu o adiamento da medida para depois das eleições brasileiras.

A jornalista classificou a iniciativa como “um desastre” para o próprio Flávio Bolsonaro.

“Quer dizer que um novo tarifaço agora não pode, porque é bom para o presidente Lula, mas, depois das eleições, depende de quem ganhar? O importante para o candidato não é se é bom ou mau para o Brasil e os brasileiros; o que vale é se é bom ou mau para ele e o bolsonarismo”, escreveu Cantanhêde.

Na avaliação da colunista, o episódio reforçou críticas de que interesses eleitorais foram colocados acima dos interesses nacionais.

Tarifaço fortaleceu discurso de Lula

Cantanhêde sustenta que a estratégia de pressão dos Estados Unidos acabou oferecendo ao presidente Lula uma oportunidade política importante.

Desde o anúncio das novas tarifas, o governo passou a enfatizar a defesa da soberania brasileira, denunciando o caráter político das sanções e rejeitando acusações formuladas por Washington sobre temas como Pix, comércio digital, meio ambiente e propriedade intelectual.

Segundo o chanceler Mauro Vieira, o governo brasileiro realizou cerca de 30 reuniões e contatos diplomáticos tentando evitar a escalada comercial, mas a decisão norte-americana já estaria tomada antes mesmo da conclusão das negociações, reforçando a percepção de que a medida teve motivação predominantemente política.

Até aliados reconhecem ganho para Lula

A percepção descrita por Eliane Cantanhêde encontra eco até mesmo entre integrantes da pré-campanha de Flávio Bolsonaro.

Reportagem da Folha de S.Paulo revelou que aliados do senador reconhecem que o novo tarifaço beneficia inicialmente Lula, especialmente ao permitir que o presidente associe o episódio ao discurso de defesa da soberania nacional. A estratégia da campanha bolsonarista passou a ser tentar reduzir esse impacto e mudar rapidamente o foco do debate eleitoral.

O próprio Flávio Bolsonaro já havia admitido anteriormente que uma nova rodada de tarifas poderia fortalecer politicamente Lula, motivo pelo qual pediu aos Estados Unidos que a medida fosse adiada.

“Tariflávio” domina as redes

Enquanto o debate político se intensificava, a repercussão nas redes sociais foi imediata.

O apelido “Tariflávio” passou a figurar entre os termos mais compartilhados em plataformas como X, Instagram e TikTok, sendo utilizado tanto por adversários políticos quanto por usuários comuns para associar o senador ao desgaste provocado pelas novas tarifas.

O termo também foi incorporado ao discurso de setores governistas, que passaram a explorar eleitoralmente a relação entre o senador e a ofensiva comercial norte-americana.

Disputa eleitoral ganha novo capítulo

A crise comercial transformou-se em um dos principais eixos da pré-campanha presidencial de 2026.

Enquanto Lula procura consolidar a imagem de defensor da economia nacional diante das pressões externas, Flávio Bolsonaro tenta convencer o eleitorado de que buscou evitar prejuízos às exportações brasileiras e responsabiliza o governo federal pelo fracasso das negociações.

A avaliação apresentada por Eliane Cantanhêde, contudo, é de que o movimento dos Estados Unidos acabou produzindo exatamente o efeito contrário ao esperado por setores da direita brasileira: fortaleceu politicamente Lula, ampliou o desgaste do senador do PL e consolidou o tarifaço como um dos temas centrais da sucessão presidencial.




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