Relembre 10 fatos marcantes da Copa de 2026

Mundial ampliado consagrou a jovem seleção espanhola, revelou novas forças, bateu recordes e expôs contradições relacionadas a ingressos, vistos, política e segurança

BRASIL 247
Relembre 10 fatos marcantes da Copa de 2026 COPA DO MUNDO-Reuters

A Copa do Mundo de 2026 terminou neste domingo (19) com a Espanha campeã após derrotar a Argentina por 1 a 0 na prorrogação, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Mas a primeira edição do torneio disputada por 48 seleções será lembrada por muito mais do que o segundo título mundial espanhol.

Em retrospectiva publicada após a decisão, a Reuters reuniu os principais acontecimentos de uma competição marcada por recordes, surpresas esportivas, festas populares e importantes controvérsias fora dos gramados.

Realizada nos Estados Unidos, no México e no Canadá, a Copa teve 104 partidas, uma nova fase de 32 avos de final e a participação inédita de diversas seleções. Apesar da ampliação, Argentina, Espanha, França e Inglaterra, quatro das equipes mais fortes do ranking internacional, chegaram às semifinais.

A expansão abriu espaço para histórias inesperadas, como a campanha de Cabo Verde, o avanço histórico da Noruega e o crescimento do Canadá. Ao mesmo tempo, os altos preços dos ingressos e as restrições para a concessão de vistos expuseram os limites de um evento que pretende apresentar-se como global, mas permaneceu inacessível para grande parte dos torcedores.

1. A Espanha encerra a Copa como grande campeã

O fato mais importante do Mundial foi a conquista da Espanha, que derrotou a Argentina na decisão com um gol de Ferran Torres durante a prorrogação.

A seleção espanhola começou a competição sob desconfiança, especialmente depois de empatar por 0 a 0 com Cabo Verde na fase de grupos. Ao longo das partidas, porém, a equipe comandada por Luis de la Fuente cresceu, aperfeiçoou sua organização coletiva e apresentou o futebol mais consistente do torneio.

Na fase eliminatória, a Espanha superou adversários como Portugal, Bélgica e França antes de dominar a Argentina na final. A equipe terminou a competição com apenas um gol sofrido e ampliou para 38 partidas sua sequência de invencibilidade.

Com um elenco jovem e jogadores como Lamine Yamal e Pau Cubarsí, a seleção espanhola encerrou o Mundial como símbolo de um projeto esportivo pensado para durar até 2030.

2. O maior Mundial de todos os tempos

A Copa de 2026 foi a primeira disputada por 48 seleções, 16 a mais do que nas sete edições anteriores.

A mudança produziu o maior número de jogos da história do torneio e uma inédita fase de 32 avos de final. O aumento também levou a recordes de gols, público e duração da competição.

A nova estrutura foi recebida inicialmente com desconfiança. Críticos temiam que a entrada de mais seleções reduzisse o nível técnico e produzisse partidas excessivamente desequilibradas.

O resultado foi mais complexo. Embora tenha havido confrontos entre seleções de forças muito diferentes, o formato ampliado permitiu que países com pouca tradição internacional disputassem o Mundial e construíssem campanhas que mobilizaram torcedores ao redor do mundo.

3. Cabo Verde conquista o mundo

Uma das maiores histórias da competição foi protagonizada por Cabo Verde, país que disputou uma Copa do Mundo pela primeira vez.

A seleção africana tornou-se uma das grandes surpresas do Mundial ao empatar com a Espanha na fase de grupos e avançar para as partidas eliminatórias.

Com uma população reduzida e uma estrutura esportiva muito menor do que a das grandes potências, Cabo Verde conquistou a simpatia de torcedores de diferentes nacionalidades.

A campanha demonstrou uma das principais virtudes do Mundial ampliado: a oportunidade de países historicamente afastados do centro do futebol internacional enfrentarem as maiores seleções do planeta.

4. Noruega chega às quartas pela primeira vez

A Noruega também alcançou um resultado inédito ao chegar às quartas de final.

Liderada por Erling Haaland, a equipe norueguesa eliminou o Brasil nas oitavas e só foi derrotada pela Inglaterra na fase seguinte. Os resultados representaram a melhor campanha do país em Copas do Mundo.

A participação norueguesa também produziu uma das imagens culturais do torneio. Torcedores popularizaram uma coreografia conhecida como “remo viking”, reproduzida em arquibancadas, estações de metrô, praças e espaços públicos.

A campanha confirmou o crescimento de uma geração norueguesa que passou a competir em condições de igualdade com seleções tradicionais.

5. Os anfitriões viveram sentimentos diferentes

Estados Unidos, Canadá e México chegaram ao Mundial com expectativas distintas e encerraram a competição com experiências também diferentes.

O Canadá demonstrou evolução e avançou para a fase eliminatória, alimentando o interesse pelo futebol em um país tradicionalmente associado a outras modalidades esportivas. O desempenho foi acompanhado por recordes de público e por uma atmosfera de descoberta em torno da seleção nacional.

O México conseguiu vencer uma partida eliminatória pela primeira vez em cerca de quatro décadas, provocando grandes celebrações populares.

Os Estados Unidos, por outro lado, foram eliminados nas oitavas de final, frustrando as expectativas de uma campanha mais longa em casa. A seleção norte-americana demonstrou competitividade, mas não conseguiu transformar o apoio local em um resultado histórico.

6. A hospitalidade norte-americana surpreendeu visitantes

Antes do Mundial, havia dúvidas sobre a capacidade dos Estados Unidos de receber torcedores de dezenas de países em um contexto marcado por polarização política, legislação permissiva sobre armas e restrições migratórias.

Segundo a Reuters, muitos visitantes acabaram encontrando uma recepção mais calorosa do que esperavam.

A convivência entre torcedores produziu trocas culturais, festas nas ruas e uma intensa ocupação das cidades-sede. Elementos cotidianos da vida norte-americana, como os refis gratuitos de refrigerantes, chegaram a virar tema de comentários e brincadeiras entre visitantes estrangeiros.

A competição marcou o início de um período de protagonismo dos Estados Unidos no esporte mundial, que inclui outros grandes eventos internacionais nos próximos anos.

7. Ingressos caros tornaram a Copa um evento exclusivo

A popularidade do torneio não eliminou uma das principais críticas à organização: o alto custo para acompanhar os jogos presencialmente.

Ingressos, hospedagem, transporte interno e alimentação tornaram a viagem inviável para muitos torcedores. Em vários casos, apenas pessoas muito ricas ou dispostas a comprometer uma parcela significativa de sua renda conseguiram participar do evento.

A distância entre as cidades-sede também elevou as despesas, especialmente para quem pretendia acompanhar mais de uma seleção ou viajar durante as fases eliminatórias.

O contraste entre estádios lotados e a exclusão econômica de milhões de pessoas reacendeu o debate sobre a transformação do futebol em um produto cada vez mais voltado às elites globais.

8. Restrições de vistos deixaram torcedores de fora

A desigualdade não foi apenas econômica.

Torcedores de países submetidos a restrições migratórias pelos Estados Unidos encontraram dificuldades para obter vistos e acompanhar suas seleções. Alguns ficaram completamente impedidos de viajar.

Em consequência, equipes de determinados países tiveram de contar com o apoio de suas diásporas, de imigrantes já residentes na América do Norte e de torcedores locais.

O problema evidenciou uma contradição central da Copa: embora a competição seja apresentada como uma celebração universal, parte de seu público potencial não conseguiu chegar ao país que concentrou a maior quantidade de partidas.

9. Política entrou nos estádios apesar das proibições

A organização do Mundial tentou restringir manifestações políticas dentro das arenas, mas não conseguiu impedir que temas internacionais aparecessem nas arquibancadas e nas celebrações.

Bandeiras, mensagens e gestos de solidariedade foram vistos durante a competição. Muitos episódios não resultaram em punições, revelando a dificuldade de separar completamente o futebol dos conflitos e debates do mundo contemporâneo.

A seleção espanhola, por exemplo, foi celebrada por palestinos em Gaza e na Cisjordânia após o título. A identificação esteve relacionada aos posicionamentos do governo de Pedro Sánchez e ao gesto de Lamine Yamal, que havia exibido uma bandeira palestina durante uma celebração do Barcelona.

O Mundial voltou a demonstrar que, apesar dos regulamentos das entidades esportivas, grandes competições internacionais inevitavelmente se transformam em espaços de expressão social e política.

10. Pausas, música e espetáculo mudaram a experiência do jogo

A Copa de 2026 também apresentou mudanças na forma como as partidas foram realizadas e consumidas.

As pausas para hidratação, necessárias diante do calor em várias cidades, passaram a ser utilizadas pelos treinadores como momentos para corrigir posicionamentos, reorganizar as equipes e transmitir orientações táticas.

O recurso dividiu opiniões. Para alguns, as interrupções prejudicaram a fluidez das partidas. Para outros, tornaram-se uma adaptação inevitável às condições climáticas e à intensidade física do futebol atual.

As apresentações musicais também ganharam espaço, especialmente na final. O espetáculo do intervalo contou com grandes nomes da música e participações de Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho ao lado de Madonna.

A homenagem a Pelé, com a reprodução de seu discurso de despedida baseado na mensagem “amor, amor e amor”, foi um dos momentos mais emocionantes da decisão.
Uma Copa de recordes e contradições

A primeira Copa com 48 seleções confirmou que a ampliação do torneio pode produzir novas histórias, revelar equipes emergentes e aumentar o alcance mundial do futebol.

Ao mesmo tempo, o evento expôs problemas que deverão acompanhar a Fifa nos próximos anos: preços elevados, exclusão de torcedores, restrições migratórias, riscos de segurança, interferência política e a crescente transformação das partidas em grandes espetáculos comerciais.

A Espanha saiu dos Estados Unidos com a taça. Cabo Verde e Noruega voltaram para casa reconhecidos por campanhas históricas. Canadá e México fortaleceram sua relação com o futebol, enquanto os norte-americanos terminaram frustrados com a eliminação precoce.

Entre partidas, festas, protestos, recordes e controvérsias, a Copa de 2026 será lembrada como a maior já realizada — não apenas em tamanho, mas também na quantidade de histórias e contradições que produziu.




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