Políticos progressistas das Américas se reunirão em Montevidéu para construir “resistência” a Rubio e Trump
Encontro no Uruguai reunirá representantes de 15 países e discutirá ações conjuntas diante dos desafios políticos, econômicos e geopolíticos das Américas
Yamandu Orsi-Crédito: Reuters- Montevidéu sediará, entre os dias 21 e 23 de agosto, a terceira edição do Congresso Pan-Americano, encontro que reunirá cerca de 100 parlamentares e lideranças progressistas de 15 países das Américas para debater estratégias comuns em defesa da soberania, da integração regional e da cooperação entre os países do continente. As informações foram publicadas pelo jornal uruguaio Búsqueda.
O evento, convocado pela coalizão governista uruguaia Frente Ampla, contará com a participação do presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, da vice-presidente Carolina Cosse, do governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, da ex-ministra do Trabalho e ex-candidata à Presidência do Chile Jeannette Jara, além de três deputados do Partido Democrata dos Estados Unidos e parlamentares de diversos países americanos.
Segundo um dos coordenadores do congresso, o cientista político e economista David Adler, a iniciativa busca fortalecer a articulação entre forças progressistas diante do que definiu como tentativas de retomada de antigas práticas de dominação externa no continente.
“O propósito desta rede de legisladores é defender o princípio da autodeterminação quando o hemisfério é ameaçado por uma tentativa de restaurar velhas lógicas de dominação estrangeira”, afirmou Adler ao Búsqueda.
Resposta às declarações de Marco Rubio
O coordenador também relacionou o encontro às recentes declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que mencionou os Tupamaros e outros movimentos guerrilheiros durante uma reunião ministerial sobre terrorismo político realizada em Washington.
De acordo com Adler, a delegação norte-americana presente no congresso vê o evento como uma resposta política às posições defendidas por Rubio.
“A delegação dos Estados Unidos que chegará ao Uruguai está pensando no congresso nesta nação como uma resposta a Rubio, como uma maneira de construir a resistência hemisférica aos seus projetos coloniais e à sua doutrina inspirada na Doutrina Monroe”, declarou.
O coordenador também fez referência às eleições legislativas norte-americanas previstas para novembro.
“Vamos conquistar a Câmara dos Representantes em novembro e, quando vencermos, teremos a oportunidade de avançar na responsabilização por todos os crimes de intervencionismo, desde a guerra jurídica até os golpes eleitorais cometidos nestes dois anos por Marco Rubio e pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”, afirmou.
Adler sustentou ainda que houve interferências em processos eleitorais de países como Honduras e Colômbia.
“Houve golpes eleitorais em Honduras e na Colômbia, onde os Estados Unidos participaram ativamente para alterar a dinâmica eleitoral desses países”, disse.
Agenda comum para o continente
Os debates ocorrerão em sessões fechadas no Palácio Legislativo uruguaio e incluirão um evento público no Teatro Solís. O encerramento será realizado na sede do Parlamento do Mercosul (Parlasul), onde deverão ser anunciados compromissos e ações conjuntas voltadas à construção de uma agenda hemisférica comum.
Neste ano, o congresso será organizado em torno de quatro eixos temáticos:
paz, multilateralismo e segurança;
integração econômica e reindustrialização sustentável;
soberania digital;
bem-estar e políticas de cuidado.
Segundo Adler, o encontro também pretende demonstrar que existem, dentro dos Estados Unidos, lideranças políticas interessadas em construir relações baseadas “na soberania e no respeito mútuo” com os demais países do continente.
Montevidéu como centro da articulação progressista
Na avaliação dos organizadores, o Uruguai representa atualmente um dos poucos países do Cone Sul em que um governo mantém “com solidez institucional um projeto de justiça social e soberania nacional”.
Em material divulgado pela organização, Montevidéu é descrita como “um farol político a partir do qual é possível mostrar uma alternativa viável diante da onda reacionária que atravessa o restante do Cone Sul”.
Além de Orsi e Cosse, participarão pelo Uruguai o secretário da Presidência, Alejandro Sánchez, a ex-vice-presidente Lucía Topolansky e os senadores Bettiana Díaz e Daniel Caggiani, do Movimento de Participação Popular (MPP).
Também é esperada a presença da secretária de Meio Ambiente e Recursos Naturais do México, Alicia Bárcena, que comandou a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) entre 2008 e 2022.
Os parlamentares participantes virão de Argentina, Barbados, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Guatemala, Honduras, México, Paraguai, Peru, Porto Rico e Uruguai.
Histórico do Congresso Pan-Americano
O Congresso Pan-Americano foi realizado pela primeira vez em 2024, em Bogotá, por iniciativa do então presidente colombiano Gustavo Petro, reunindo representantes de oito países.
A segunda edição ocorreu em 2025, na Cidade do México, com abertura da presidente Claudia Sheinbaum, ampliando a participação para representantes de 12 nações.
Segundo os organizadores, a criação do fórum busca suprir a ausência histórica de um espaço permanente de coordenação entre forças democráticas e progressistas das Américas, em contraste com a articulação internacional construída por setores da direita continental em fóruns conservadores.



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