Romero, da Argentina, se recusa a cumprimentar Trump em premiação da Copa
Donald Trump foi vaiado ao entrar no gramado da final entre Espanha e Argentina e teve sua presença ignorada por zagueiro durante a cerimônia de premiação
Romero, da Argentina, ignora Trump no final da Copa - Foto: Reprodução-Forum O zagueiro argentino Cristian Romero ignorou Donald Trump durante a cerimônia de premiação da Copa do Mundo em Nova Jersey, onde a Espanha derrotou a Argentina por 1 a 0 na final, na noite deste domingo (19). Trump, que era um dos responsáveis pela entrega das medalhas, foi vaiado por parte do público ao entrar no gramado e ainda assim permaneceu no pódio durante o levantamento da taça pelo capitão espanhol Rodri. A presença do presidente estadunidense no evento havia sido anunciada previamente pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino, e foi marcada pela controvérsia em torno de sua intervenção para reverter a suspensão do atacante americano Balogun.
Trump na final: vaias, ignorado por Romero e presença controversa
A Espanha acabava de ser coroada campeã do mundo quando Donald Trump desceu ao gramado do estádio em Nova Jersey para a cerimônia de premiação. Ao aparecer no campo, vaias fortes partiram de diferentes setores das arquibancadas. Era o presidente dos Estados Unidos no papel de anfitrião do Mundial realizado em seu país, recebido com hostilidade por parcela significativa do público presente.
Na fila de entrega das medalhas, o zagueiro argentino Cristian Romero não cumprimentou Trump. Enquanto os demais jogadores de Argentina e Espanha interagiram normalmente com o presidente dos EUA, Romero passou sem qualquer gesto de reconhecimento, ignorando o chefe de Estado que era um dos responsáveis pela cerimônia. O episódio rapidamente se tornou um dos momentos mais comentados da premiação.
Trump não se limitou à função cerimonial. Após entregar as medalhas e participar da passagem da taça ao capitão espanhol Rodri, ele permaneceu no centro do pódio durante o início da comemoração, garantindo sua aparição em uma das imagens mais reproduzidas de qualquer Copa do Mundo: o primeiro levantamento do troféu pela seleção campeã. A permanência no palco, depois que a função protocolar havia se encerrado, foi o que extrapolou o papel de entregador do troféu e transformou Trump em figura central de uma cena que pertencia aos jogadores espanhóis.
Intervenção na FIFA: o caso Balogun
A presença de Trump na final não foi o único episódio polêmico de sua relação com a Copa do Mundo. Durante o torneio, o presidente dos EUA interveio diretamente junto à FIFA para reverter a suspensão do atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos. Segundo o que foi apurado, uma ligação de Trump para Gianni Infantino, presidente da entidade, foi um dos fatores que impulsionaram a mobilização nos bastidores para revisar o caso.
Balogun havia sido expulso na vitória dos EUA sobre a Bósnia e Herzegovina na segunda fase da Copa e, pelo regulamento da FIFA, deveria cumprir suspensão automática de uma partida. Dias depois da expulsão, o Comitê Disciplinar da entidade decidiu suspender a punição, abrindo caminho para que o atacante estivesse à disposição para enfrentar a Bélgica nas oitavas de final. A decisão gerou uma das maiores controvérsias da história recente do torneio, levantando questões sobre a autonomia da FIFA diante de pressões políticas externas.
“Obrigado à FIFA por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça.”
A frase foi publicada por Trump nas redes sociais logo após a decisão do Comitê Disciplinar, comemorando publicamente o resultado de uma intervenção que, segundo os relatos, ele mesmo havia ajudado a desencadear. A celebração aberta de um chefe de Estado sobre uma decisão disciplinar de uma entidade esportiva internacional dificilmente poderia ser lida como algo além do que era: a demonstração de que a pressão havia funcionado.
A politização do esporte e a presença de autoridades
A inserção de Trump na cerimônia de entrega da taça não foi uma iniciativa de última hora. Em 23 de junho, Gianni Infantino já havia anunciado publicamente que ele e Trump entregariam juntos o troféu ao vencedor, numa mudança em relação ao formato adotado nas finais de 2018 e 2022, quando a tarefa coube principalmente ao dirigente da FIFA. A decisão de colocar o presidente dos EUA no centro da premiação foi, portanto, uma escolha deliberada da entidade, não um protocolo neutro.
Trump chegou ao estádio de helicóptero, acompanhado da primeira-dama Melania Trump. No camarote, esteve ao lado de outras autoridades: Gianni Infantino, Claudia Sheinbaum (presidente do México), Mark Carney (primeiro-ministro do Canadá) e Pedro Sanches (primeiro-ministro da Espanha). A presença de chefes de Estado em grandes finais não é inédita, mas a forma como Trump se moveu na cerimônia, permanecendo no pódio além do necessário e posando para a foto do título, repetiu um padrão já observado no ano anterior, quando ele também apareceu na imagem da premiação da final do Mundial de Clubes, vencida pelo Chelsea.



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