LULA SAI VITORIOSO - Federação PP-União Brasil garante neutralidade e Flávio Bolsonaro fica sem apoio

Governo atuou para impedir aliança da federação com o pré-candidato do PL, que perderá tempo de TV e rádio

BRASIL 247
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A decisão da federação PP-União Brasil de ficar neutra na eleição presidencial de 2026 representa uma vitória política para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e um revés para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tentava atrair o bloco para sua pré-campanha ao Palácio do Planalto.

Segundo apuração de Pedro Figueiredo e Valdo Cruz, do g1, aliados de Lula atuaram junto a lideranças da União Progressista para evitar que a federação apoiasse Flávio Bolsonaro, ao menos no primeiro turno. A neutralidade também foi comunicada ao presidente pelo líder do PP na Câmara, Dr. Luizinho (RJ), em reunião na terça-feira (21), no Palácio da Alvorada, conforme publicou a coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles.

De acordo com interlocutores do governo, a articulação ocorreu em duas frentes. O ministro da articulação política, José Guimarães, procurou lideranças do PP e do União Brasil. Já o presidente nacional do PT, Edinho Silva, manteve conversas com os presidentes das siglas.

Guimarães, que foi líder do governo na Câmara e tem bom trânsito com o Centrão, atuou junto ao próprio Dr. Luizinho e ao líder do União Brasil, Pedro Lucas Fernandes (MA). Lula também conversou diretamente com dirigentes dos dois partidos, que até pouco tempo tinham ministros no governo petista.

O objetivo do Planalto era impedir que a federação se alinhasse a Flávio Bolsonaro. Um apoio formal do bloco ao senador do PL ampliaria o acesso da pré-campanha bolsonarista a recursos do Fundo Eleitoral e ao tempo de propaganda no rádio e na televisão.

A neutralidade, por outro lado, favorece Lula na divisão do horário eleitoral. Como a federação PP-União Brasil tem o maior tempo de rádio e TV entre os partidos, a ausência de apoio a qualquer presidenciável retira esse peso da conta geral. Com isso, a redistribuição do tempo passa a não considerar o tamanho do bloco, o que tende a elevar proporcionalmente o espaço do PT na propaganda eleitoral e reduzir as possibilidades de Flávio Bolsonaro.

A manutenção de palanques regionais também pesou na decisão. Integrantes do governo argumentaram que a independência nacional preserva alianças estaduais da federação com Lula, especialmente no Nordeste. Além disso, foi lembrada a boa relação construída entre os partidos e o governo federal, inclusive com espaço ocupado em ministérios.

Do lado do PP e do União Brasil, a prioridade pelos palanques locais foi apresentada como uma das justificativas para a neutralidade. Sem se comprometer nacionalmente, a federação consegue concentrar o Fundo Eleitoral nas disputas estaduais, sobretudo nas campanhas para a Câmara dos Deputados, onde o PP tradicionalmente exerce influência relevante nas negociações de comando da Casa.

A posição foi confirmada por Dr. Luizinho após o encontro com Lula no Alvorada. “Com o presidente, conversei sobre a federação a nível nacional. Na nacional, ficaremos neutros”, afirmou o líder do PP à coluna de Igor Gadelha.

A conversa ocorreu um dia depois de Dr. Luizinho posar ao lado de Lula durante a sanção de um projeto de autoria do deputado. Apesar da sinalização institucional ao presidente, a federação busca manter margem de manobra para composições distintas nos estados.

No Rio de Janeiro, por exemplo, o arranjo local segue em disputa. Na terça-feira (21), Dr. Luizinho encontrou o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que também esteve com Lula para avançar na montagem do palanque petista no estado. Paes disputará o governo fluminense e terá em sua chapa os deputados Pedro Paulo (PSD) e Benedita da Silva (PT) como candidatos ao Senado.

Na noite de quinta-feira (23), Dr. Luizinho e Paes voltaram a dividir o mesmo palanque no interior do Rio. Os dois participaram do lançamento da candidatura do vereador Diogo Talento (PRD), de Mesquita, a deputado estadual.

Apesar dos encontros com Paes, o líder do PP afirma que a federação apoiará Douglas Ruas (PL), candidato ligado a Flávio Bolsonaro, na disputa pelo governo do Rio. O PP, no entanto, desistiu de indicar o candidato a vice-governador na chapa de Douglas, segundo a coluna.

A neutralidade nacional do PP-União Brasil, portanto, combina cálculo eleitoral e preservação de interesses regionais. Para Lula, o movimento evita que Flávio Bolsonaro amplie sua estrutura de campanha com o apoio formal de uma das maiores forças do Centrão. Para a federação, a decisão mantém abertas as negociações estaduais e protege recursos para suas próprias bancadas.




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