Donald Trump abre guerra comercial contra o mundo e Lula é o nome da soberania nacional

Enquanto o governo norte-americano aposta na intimidação e no unilateralismo, Lula reafirma princípios históricos da política externa brasileira: diálogo, respeito ao direito internacional, negociação e defesa intransigente da soberania nacional

BRASIL 247
Donald Trump abre guerra comercial contra o mundo e Lula é o nome da soberania nacional Luiz Inácio Lula da Silva/Crédito: Ricardo Stuckert

Donald Trump escalou sua guerra comercial contra o mundo, e o Brasil está entre seus alvos. As tarifas de 25% e 12,5% impostas a produtos brasileiros não constituem simples medidas de política econômica. São instrumentos de pressão destinados a subordinar outros países aos interesses estratégicos dos Estados Unidos. Mais grave ainda é constatar que essa ofensiva externa encontra estimuladores dentro do próprio Brasil.
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O senador Flávio Bolsonaro, candidato da extrema-direita à Presidência da República, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro manifestaram apoio às sanções e atuaram politicamente junto ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos para que medidas de pressão contra o Brasil fossem mantidas ou intensificadas por determinação da Casa Branca. O secretário de Estado, Marco Rubio, também assumiu publicamente a defesa da ofensiva de Donald Trump, reforçando a pressão política e comercial exercida por Washington contra o Brasil.

Diante dessa ofensiva, a defesa da soberania nacional deixa de ser um discurso e se transforma em uma necessidade concreta. Cumprindo a missão que lhe atribui a Constituição de defender a independência e a soberania nacionais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alça-se à liderança da resistência democrática e institucional do Brasil diante da pressão exercida pelo presidente de uma potência estrangeira. Não atua apenas como líder de um governo, mas como chefe de Estado encarregado de proteger a integridade econômica, política e institucional da República.

O Brasil não provocou esse conflito. Tampouco pode aceitá-lo passivamente. A resposta não pode ser de submissão nem de desespero, mas de firmeza, serenidade e inteligência estratégica. Países soberanos não renunciam ao direito de defender seus produtores, seus trabalhadores e sua capacidade de decidir os próprios destinos.

O governo brasileiro respondeu com firmeza ao novo tarifaço. Em nota oficial, repudiou a decisão dos Estados Unidos, qualificou-a como incompatível com a tradição de diálogo entre os dois países, reafirmou que o Brasil continuará buscando soluções diplomáticas e deixou claro que utilizará todos os instrumentos legais disponíveis para defender sua economia, seus trabalhadores, suas empresas e sua soberania, inclusive aqueles previstos na Lei da Reciprocidade Econômica.

Ao mesmo tempo, o governo evitou cair na armadilha da escalada do conflito. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, propôs uma estratégia serena e responsável: não retaliar de imediato, mas negociar. É uma posição que revela maturidade de Estado. Retaliações precipitadas podem satisfazer impulsos políticos, mas raramente produzem os melhores resultados para a economia. A negociação, quando conduzida com firmeza e sem renunciar aos interesses nacionais, preserva canais diplomáticos e amplia as possibilidades de uma solução favorável ao Brasil.

Não há precedente recente de candidatos à Presidência da República que tenham recorrido a um governo estrangeiro para respaldar medidas capazes de prejudicar empresas, trabalhadores e exportadores brasileiros. Divergências políticas internas fazem parte da democracia. Pedir ou apoiar sanções econômicas contra o próprio país ultrapassa esse limite. Quando o senador Flávio Bolsonaro, candidato da extrema-direita ao Palácio do Planalto, e o deputado Eduardo Bolsonaro estimulam uma potência estrangeira a impor restrições comerciais ao Brasil, deixam de agir em favor do interesse nacional para atuar em consonância com objetivos externos.

Enquanto o governo norte-americano aposta na intimidação e no unilateralismo, Lula reafirma princípios históricos da política externa brasileira: diálogo, respeito ao direito internacional, negociação e defesa intransigente da soberania nacional. Não se trata de hostilidade aos Estados Unidos, mas da recusa em admitir que qualquer potência possa ditar os rumos da economia, da política e da democracia brasileiras.

Trump parece acreditar que tarifas podem forçar governos a se curvarem aos interesses de Washington. O resultado, porém, pode ser exatamente o oposto do pretendido. Ao fechar parcialmente seu mercado aos produtos brasileiros, os Estados Unidos incentivam o Brasil a acelerar a diversificação de seus destinos de exportação. Empresas brasileiras buscarão novos compradores na Ásia, na África, no Oriente Médio, na Europa e na América Latina. Dessas novas relações comerciais nascerão também novas parcerias estratégicas, tecnológicas e geopolíticas, reduzindo gradualmente a dependência do mercado norte-americano. Os maiores prejudicados por essa política poderão ser os próprios Estados Unidos, que correm o risco de perder um parceiro confiável e um mercado de enorme relevância para suas empresas.

Para o Brasil, o caminho é fortalecer a integração regional, ampliar as relações com a Ásia, a África, o Oriente Médio e a Europa e consolidar sua presença nos Brics e em outros fóruns multilaterais. Um país com a dimensão territorial, econômica, agrícola, industrial e energética do Brasil não pode ficar refém das decisões de um único governo estrangeiro.

As tarifas de Trump deixam também uma lição política. Em momentos de pressão externa, a defesa do interesse nacional deve estar acima das disputas eleitorais. Patriotismo não se demonstra incentivando medidas que enfraqueçam a economia brasileira nem oferecendo apoio político a sanções concebidas para constranger o próprio país.

A soberania não é uma palavra abstrata. Ela significa proteger empregos, preservar empresas, defender a produção nacional e garantir que as escolhas do povo brasileiro sejam feitas no Brasil, e não em gabinetes de governos estrangeiros.

Na guerra comercial aberta por Donald Trump, o Brasil não escolheu o confronto. Mas, uma vez colocado entre os alvos dessa política de coerção, só há uma resposta compatível com a dignidade nacional: defender sua independência e sua soberania. Hoje, essa missão encontra em Luiz Inácio Lula da Silva, no exercício das responsabilidades que a Constituição lhe confere como presidente da República, sua principal liderança política e institucional.




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