Miriam Leitão responsabiliza Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro pelas agressões de Milei ao Brasil

Jornalista afirma que governador paulista e candidato do PL contribuíram para a quebra do protocolo diplomático e para a escalada da crise entre Brasil e Argentina

BRASIL 247
Miriam Leitão responsabiliza Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro pelas agressões de Milei ao Brasil Milei e TarcísioCrédito: GPT- montagem/rep. publ.247

A jornalista Miriam Leitão afirma, em coluna publicada no jornal O Globo, que a visita do presidente argentino Javier Milei ao Brasil representou uma grave ruptura dos protocolos diplomáticos e contou com o respaldo político do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.

Segundo a colunista, Milei desembarcou no Brasil sem comunicar previamente o governo federal, procedimento considerado básico em viagens internacionais de chefes de Estado, mesmo quando classificadas como privadas. Em vez de manter uma agenda institucional, o presidente argentino seguiu diretamente para São Paulo, onde foi recebido por Tarcísio de Freitas no Palácio dos Bandeirantes.

Para Miriam Leitão, o governador paulista concedeu a Milei tratamento de chefe de Estado ao recebê-lo com honras oficiais e entregar-lhe a Medalha da Ordem do Ipiranga, a mais alta condecoração do Estado de São Paulo.

Discurso contra Lula e Alexandre de Moraes

Após o encontro com Tarcísio, Milei participou da convenção do PL que oficializou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Durante o evento, fez ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticou políticas do governo brasileiro e dirigiu ofensas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Na avaliação de Miriam Leitão, o episódio representou uma interferência inédita e desrespeitosa na política interna brasileira, agravando uma das mais sérias crises diplomáticas entre Brasil e Argentina das últimas décadas.

A reação do governo brasileiro ocorreu por meio dos canais diplomáticos. O Itamaraty chamou de volta o embaixador do Brasil em Buenos Aires para consultas e convocou o embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos sobre a conduta do presidente de seu país.

Acusações sem provas ampliaram o conflito

A colunista destaca que, ao retornar à Argentina, Milei elevou ainda mais o tom ao conceder entrevista ao jornal Clarín, na qual afirmou, sem apresentar provas, que o governo brasileiro teria financiado uma campanha midiática contra a Argentina após a conquista da Copa do Mundo.

Segundo o presidente argentino, 25% dos recursos dessa suposta campanha teriam origem no Brasil. Miriam Leitão ressalta que a acusação não foi acompanhada de qualquer evidência e carece de fundamento conhecido.

Crise atende interesses políticos de Milei

Na análise da jornalista, mais do que apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro, Milei procurou utilizar sua passagem pelo Brasil para fortalecer sua imagem política em meio às dificuldades enfrentadas por seu governo, que registra elevados índices de desaprovação segundo pesquisas de opinião.

Miriam Leitão observa ainda que a estratégia pode trazer custos para a própria Argentina, uma vez que o Brasil é o principal parceiro comercial do país e o principal destino das exportações industriais argentinas. Para a colunista, caberá agora à diplomacia dos dois países trabalhar para reconstruir uma relação que sofreu forte desgaste após os episódios protagonizados por Milei durante sua visita ao Brasil.




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