Lula defende ‘baixar a poeira’ com a Argentina para proteger a indústria nacional
Mesmo atacado pessoalmente por Javier Milei, presidente defende normalização das relações com o país vizinho, importante parceiro comercial do Brasil
rep. publ. internet O presidente Lula (PT) determinou que o governo brasileiro adote uma postura de desescalada e “baixe a poeira” em relação ao embate travado com o repugnante presidente da Argentina, Javier Milei, homenageado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e aliado de Flávio Bolsonaro (PL). Lula busca evitar que a escalada da crise política entre os dois países possa desencadear graves consequências econômicas e comerciais, prejudicando o setor produtivo nacional, informa Gustavo Uribe, da CNN Brasil.
Em conversas reservadas, Lula tem ressaltado de forma categórica que o recado diplomático ao governo vizinho já foi devidamente dado. Segundo a avaliação do presidente, a convocação do embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para retornar ao país constituiu uma resposta firme e à altura das críticas desferidas pelo governante argentino.
Além disso, o diagnóstico formulado pela cúpula do governo é de que responder aos ataques de Milei na mesma moeda significaria embarcar na estratégia política articulada pelo líder argentino. Tal movimento, segundo a avaliação interna, acabaria apequenando a diplomacia do governo brasileiro e a própria figura do presidente Lula. Para os assessores presidenciais, Milei tem mergulhado deliberadamente em um embate ideológico ostensivo na tentativa de fidelizar o seu eleitorado na Argentina, que se mostra insatisfeito com os trágicos resultados econômicos de sua gestão.
Diante desse cenário, a ordem que vigora agora no Palácio do Planalto é redirecionar o foco das disputas políticas. A orientação interna estabelece que o contencioso prioritário deve ser voltado para o embate com o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à sucessão presidencial, utilizando sobretudo comparativos diretos entre as realizações da atual gestão e os indicadores do governo de Jair Bolsonaro (PL).
A determinação de Lula visa preservar a relação comercial estratégica entre as duas maiores economias da América do Sul. Atualmente, a balança comercial entre Brasil e Argentina gira em torno de US$ 31 bilhões. No entanto, o fluxo de trocas já registra uma queda recente nas exportações brasileiras.



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