É um apelo: não seja vencido pela covardia, Flávio Bolsonaro
“O filho não pode renunciar à candidatura, envergonhar o pai, Trump e Milei e fracassar como herdeiro do bolsonarismo”, escreve Moisés Mendes
rep. publ. internet A pesquisa Nexus/BTG desta semana montou Ronaldo Caiado num cavalo branco e anunciou que o goiano pode até empatar com Lula num segundo turno. Lula teria 45% e Caiado ficaria com 43%. Mas essas pesquisas estranhas não querem assustar Lula. A intenção é acossar Flávio Bolsonaro e o entorno vacilante que ainda o apoia.
A pesquisa Nexus arranjou números que pedem pressa ao processo de destruição da candidatura do filho ungido, com a reafirmação exagerada de um dado que vem sendo insinuado: é possível que, nesse momento, outro nome qualquer seja tão ou mais competitivo do que Flávio.
Mas Caiado só existirá como alternativa se Flávio cair fora. Pelas regras eleitorais, o prazo para que um candidato diga se fica ou sai é 5 de agosto. Flávio pode continuar depois dessa data e renunciar mais adiante, desde que 20 dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Se, depois de confirmado em convenção, com a bênção de Milei, Flávio desistir antes de 5 de agosto, será terrível para a extrema direita. Se decidir continuar e renunciar no prazo de 20 dias antes da eleição, será trágico.
Com sua desistência, a família seria implodida como núcleo do bolsonarismo, e não necessariamente o próprio bolsonarismo como acolhedor do ultraconservadorismo extremista e dos agregados da velha direita. Seria o fim do plano de apresentar Flávio, Eduardo e Carluxo como herdeiros legítimos do pai.
A destruição da estrutura familiar seria a morte do próprio Jair Bolsonaro como mito orientador do que ele criou a partir da eleição de 2018 e manteve até agora, mesmo derrotado na eleição de 2022 e também após o golpe fracassado.
Mas não significaria o fim do bolsonarismo, de Michelle e tampouco de Jair Renan, o filho renegado pelos outros três. A implosão do núcleo dos três filhos que se consideram herdeiros significaria a ascensão de Michelle, já então como senadora por Brasília, e de Jair Renan como deputado federal por Santa Catarina. Fora da família, Tarcísio de Freitas se veria livre das amarras dos filhos ciumentos.
Flávio pode saltar fora até 5 de agosto e optar pela tentativa de reeleição ao Senado pelo Rio. Mas, depois disso, se desistir, não poderá ser candidato a mais nada, ou seja, seu vacilo vai até 5 de agosto.
Flávio não pode se acovardar, em nome de mais um fato já histórico envolvido nessa eleição. É agora que os filhos terão de provar que têm condições de herdar as ideias, as bases, as crueldades e todas as formas de violência política herdadas do pai.
Flávio precisa enfrentar Lula, sem medo do cavalo branco de Caiado, da Globo, do centrão, do agro pop e da Faria Lima. Seu irmão Eduardo não desistiria. Trump, Milei e seus amigos do fascismo mundial ficariam desolados e envergonhados.
Grandes adversários, mesmo os inimigos da democracia, não podem oferecer a seus oponentes a chance de vitórias pífias. Flávio ainda é, pelo que representa por imposição do pai, um inimigo a ser respeitado.
Lula precisa derrotá-lo, Flávio Bolsonaro. Como fez ao sair do cárcere político e enfrentar e vencer seu pai. Só assim poderá cumprir seu quarto mandato e se despedir da política. Não permita, Flávio Bolsonaro, que Lula vença um Caiado qualquer.



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