O Nordeste que Lula ajudou a construir chega mais forte às urnas de 2026

O que resta, entre agora e outubro de 2026, é o trabalho de sempre: mostrar, um a um, os efeitos práticos desse projeto na vida de quem vota e garantir que o Nordeste, mais uma vez, cumpra o papel decisivo que a história recente já lhe reservou

por João Paulo Lima e Silva, economista / 247
O Nordeste que Lula ajudou a construir chega mais forte às urnas de 2026 Ricardo Stuckert/PR

Há pouco mais de duas décadas, quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência pela primeira vez, o Nordeste era, no imaginário nacional, quase sinônimo de seca, fome e abandono. Passados vinte e três anos, a região que ele encontrou já não existe. No lugar dela, ergueu-se um Nordeste mais escolarizado, mais saudável e mais integrado à economia do país – e é justamente essa transformação, sentida na vida concreta de milhões de famílias, que hoje sustenta a força política de Lula na região onde ele nasceu.

A mudança não começou por acaso. O Fome Zero e, na sequência, o Bolsa Família atacaram a fome como problema de Estado, enquanto a valorização do salário-mínimo e a expansão do emprego formal e da agricultura familiar deram sustentação à renda das famílias nordestinas. A pobreza extrema recuou de forma expressiva, e o acesso regular à alimentação deixou de ser privilégio para se tornar regra. Os indicadores de saúde acompanharam esse movimento: a mortalidade infantil caiu com força à medida que a atenção básica se expandiu e o Programa Saúde da Família chegou a rincões que antes não conheciam um posto de saúde.

O desenvolvimento humano da região avançou em praticamente todos os estados, puxado pela combinação de mais escolaridade, mais renda e melhores condições de saúde – reduzindo, ainda que não eliminando, a distância histórica que separava o Nordeste do restante do Brasil. Essa mudança também tem endereço físico: a Transposição do Rio São Francisco, a expansão das universidades e institutos federais, novas rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, a habitação popular, a eletrificação rural e as milhões de cisternas que garantiram segurança hídrica ao Semiárido.

Programas como ProUni, Fies e Reuni abriram as portas do ensino superior a uma geração inteira que, até então, via a universidade como um horizonte distante. Além disso, a sociedade tem quebrado vários tabus, com apoio a pautas em defesa da Cannabis medicinal e da população LGBTQIAPN+, lutas abraçadas por nosso mandato. O resultado é uma região que deixou de ser retratada apenas como símbolo da pobreza para se firmar como uma das que mais avançaram em inclusão social nas últimas décadas – sem deixar de conviver, é verdade, com desigualdades que ainda pedem enfrentamento.

É essa memória viva, e não apenas discurso de campanha, que explica por que o Nordeste segue sendo o pilar mais sólido da candidatura de Lula à reeleição. Em 2022, Pernambuco deu a Lula 66,93% dos votos válidos no segundo turno, e a região nordestina como um todo respondeu por parcela decisiva da margem de doze milhões e meio de votos que separou o petista de Jair Bolsonaro – margem sem a qual o resultado nacional poderia ter sido outro. Pesquisas recentes indicam que essa base, longe de se enfraquecer, tende a se repetir e até se ampliar: levantamento da Genial/Quaest mostra Lula ampliando sua vantagem em Pernambuco, que saltou de 34 pontos percentuais de diferença em 2022 para 42 pontos no ciclo atual, com saldo de aprovação do governo de +29 no estado, um dos mais altos do país. Nacionalmente, pesquisas de 2026 já apontam Lula à frente de Flávio Bolsonaro tanto no primeiro quanto no segundo turno, com o Nordeste como âncora dessa liderança.

Essa força eleitoral ganha ainda mais peso porque o colégio eleitoral pernambucano nunca foi tão grande. Dados do TSE mostram que o estado chegou, pela primeira vez, à marca de 7.225.744 eleitoras e eleitores aptos a votar em 2026 – crescimento de quase 3% em relação a 2022 -, mantendo-se como o sétimo maior colégio eleitoral do Brasil e o segundo do Nordeste. Cada novo eleitor que se soma a esse universo é também alguém que viveu, na própria trajetória, parte da transformação que o Nordeste atravessou nas últimas duas décadas.

A reeleição de Lula, portanto, não é apenas disputa de nomes: é a garantia de continuidade de um projeto que trouxe resultados mensuráveis à vida das pessoas, e a certeza de uma base regional mais forte e mais convergente ideologicamente com a Presidência da República. É nesse quadro que ganha sentido o trabalho legislativo cotidiano que buscamos traduzir, na escala do estado: iniciativas em defesa da Ferrovia Transnordestina, da criação de empregos, da habitação popular, da universidade pública, da tarifa zero e do currículo escolar que reconhece a história afro-brasileira e indígena são exemplos de mandatos alinhados à visão do presidente Lula que entendem a política como instrumento de cuidado concreto com a vida das pessoas – e não como fim em si mesma. Porque é um projeto de Brasil que funciona, traz desenvolvimento e combate à desigualdade.

O que resta, entre agora e outubro de 2026, é o trabalho de sempre: mostrar, um a um, os efeitos práticos desse projeto na vida de quem vota e garantir que o Nordeste, mais uma vez, cumpra o papel decisivo que a história recente já lhe reservou.




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