Trump resgata Doutrina Monroe e ameaça: ‘domínio dos EUA sobre as Américas nunca mais será questionado’
Departamento de Estado resgata política de 1823 e diz que hegemonia de Washington sobre o Hemisfério Ocidental não será contestada
Donald Trump Crédito: REUTERS/Kylie Cooper O governo dos Estados Unidos afirmou nesta terça-feira (11) que sua “dominância americana” no Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionada”, ao recuperar a Doutrina Monroe como referência para a atual estratégia de segurança nacional do país.
O Departamento de Estado divulgou um vídeo de mais de cinco minutos no X no qual revisita a política formulada pelo presidente James Monroe em 1823 e relaciona seus princípios à atuação do governo do presidente Donald Trump.
A publicação recupera episódios históricos em que Washington recorreu à doutrina para justificar sua atuação no continente e apresenta a América Latina como uma área central para os interesses estratégicos dos Estados Unidos.
Washington resgata doutrina criada há dois séculos
Formulada durante o governo de James Monroe, a Doutrina Monroe estabelecia que novas tentativas de colonização ou interferência de potências europeias nas Américas seriam consideradas pelos Estados Unidos uma ameaça à sua segurança.
Em contrapartida, Washington se comprometia a não interferir nos assuntos internos dos países europeus.
Ao longo de quase dois séculos, porém, a doutrina tornou-se uma referência recorrente da política externa estadunidense e foi utilizada para respaldar iniciativas diplomáticas, econômicas e intervenções militares destinadas a preservar e ampliar a influência dos Estados Unidos no continente.
O vídeo divulgado pelo Departamento de Estado recupera essa trajetória e associa o princípio formulado no século 19 aos atuais objetivos estratégicos de Washington.
EUA citam crise dos mísseis e governo Reagan
Entre os episódios históricos destacados pela publicação está a crise dos mísseis de Cuba, em 1962, quando a instalação de armamentos soviéticos na ilha provocou um dos momentos mais críticos da Guerra Fria.
O Departamento de Estado também menciona a política adotada pelo governo de Ronald Reagan contra grupos apoiados pela União Soviética na América Latina.
Ao reunir esses episódios, Washington apresenta a Doutrina Monroe como uma política que atravessou diferentes períodos da história estadunidense e que voltou a ganhar relevância diante das atuais disputas geopolíticas no Hemisfério Ocidental.
Governo Trump associa estratégia atual à Doutrina Monroe
Ao abordar o governo de Donald Trump, o vídeo cita a chamada Operação Resolução Absoluta, que, segundo o material fornecido, resultou na invasão do território venezuelano e no sequestro do então presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro de 2026.
De acordo com a publicação do Departamento de Estado, a operação representou um sinal dirigido aos países do Hemisfério Ocidental.
É nesse contexto que o vídeo apresenta uma das declarações mais contundentes sobre a estratégia estadunidense para a região. Segundo o Departamento de Estado, a nova estratégia de segurança nacional determina que a “dominância americana” no hemisfério “nunca mais será questionada”.
América Latina vira frente central da disputa geopolítica
A estratégia de segurança nacional também classifica a proteção das fronteiras como “elemento principal da segurança nacional” dos Estados Unidos.
O plano prevê o reposicionamento de forças militares e de inteligência para enfrentar situações consideradas por Washington ameaças urgentes no continente.
A América Latina, nesse cenário, é descrita como um “front central” da disputa geopolítica global.
A orientação apresentada pelo governo Trump prevê ainda o fortalecimento das alianças no Hemisfério Ocidental e rejeita aquilo que Washington considera interferência hostil de potências externas na região.



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