LULA TENDE A GAMNHAR, ATÉ NO PRIMEIRO TURNO

o cenário político é favorável à reeleição do Lula

por Emir Sader, sociólogo e cientista político/247
LULA TENDE A GAMNHAR, ATÉ NO PRIMEIRO TURNO Lula/Crédito: Ricardo Stuckert

Qualquer análise minimamente imparcial aceitaria o favoritismo do Lula para ser reeleito presidente do Brasil. Todas as pesquisas o colocam em primeiro lugar, preveem sua vitória no primeiro e no segundo turno. Nenhum analista se arrisca a dizer que Flávio Bolsonaro vai ser o próximo presidente do Brasil.

Não poderiam se apoiar em nenhuma pesquisa, mesmo se estas também são prisioneiras da situação de perderem interesse se afirmarem, claramente, o favoritismo do Lula. Algumas chegam a apontar o resultado absurdo de quase empate entre os dois candidatos no segundo turno. Quem acredita, sinceramente, nessa possibilidade?

Mas então por que a mídia não aceita essa realidade e segue especulando sobre o tema?

Em primeiro lugar, porque o tema perderia importância se se rendessem à maior probabilidade. Os leitores perderiam interesse, porque a eleição está praticamente definida. As próprias pesquisas perderiam importância e teriam menor destaque na mídia e na opinião pública.

Em segundo lugar, a Faria Lima prefere, claramente, Flávio Bolsonaro, que prega uma política neoliberal, a favor dos interesses do mercado e das grandes empresas. Ela se opõe às políticas do governo Lula e, ainda mais, às que ele provavelmente pode colocar em prática em um quarto mandato, caso consiga ter maioria no novo Congresso.

Opõe-se ao fortalecimento e à democratização do Estado, à prioridade das políticas sociais, à diminuição do desemprego. Estado forte significa mercado mais fraco. Diminuição do desemprego significa mão de obra com maior poder de negociação com os patrões, maiores salários e maior poder aquisitivo dos trabalhadores.

Um Lula forte não é do agrado da Faria Lima, porque significa um governo em condições de contrariar os interesses do grande capital.

A direita, por sua vez, está derrotada, comete um erro atrás do outro, se contradiz, não consegue sequer alianças para fortalecer seu candidato. Outros candidatos da direita se propõem até a substituir Flávio Bolsonaro como candidato dessa corrente. Vários o criticam abertamente. Até mesmo entre os que o apoiam, expressam-se críticas sobre as suas posições, em particular à dificuldade de chegar ao voto das mulheres, maioria no eleitorado.

Entre o próprio empresariado há os que apoiam abertamente o Lula, pela perspectiva favorável para a economia e para o país. Entre o chamado Centrão, por sua vez, há uma tendência abertamente favorável ao Lula, com a consciência de que ele é favorito para se reeleger e essa corrente vive da proximidade com o governo e com os cargos que consiga obter, conforme a força parlamentar que consiga manter.

A própria direita, de alguma forma, está resignada à possibilidade de uma nova derrota eleitoral e trata de concentrar suas forças no Congresso, onde acredita que poderia colocar dificuldades a um novo governo Lula e negociar com ele em condições favoráveis.

Dessa forma, o cenário político é favorável à reeleição do Lula. Conforme se iniciem os debates nos programas eleitorais, a força da presença e do discurso do Lula e a debilidade de Flávio, tanto porque a herança do governo do seu pai é pífia como porque, quando aconteceu aquele debate com a Jandira Feghali, ele revelou fraqueza até mesmo psicológica para enfrentar o Lula.

Também por estas condições, acredito que não apenas o Lula é favorito para ganhar, como sua vitória no primeiro turno é bastante provável. Até porque há um setor de eleitores que, na reta final, tende a votar pelo favorito.




Ouça o áudio da Matéria





COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.