Míriam Leitão afima que decisão de André Mendonça favorece campo bolsonarista
Jornalista escreve que medida de André Mendonça beneficia o campo bolsonarista ao atingir a cúpula da PF na conclusão do principal inquérito do caso
rep. publ. internet/jornalista Miriam Leitão A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar o diretor-geral e o diretor de Inteligência da Polícia Federal do caso ocorre no momento em que a corporação conclui o principal relatório sobre o Banco Master. O documento deve reunir as diferentes frentes da investigação e propor uma série de indiciamentos, incluindo o do ex-controlador da instituição financeira, Daniel Vorcaro.
Segundo a jornalista Míriam Leitão, em sua coluna no jornal O Globo, a PF pretende finalizar ainda em setembro o chamado “inquérito-mãe” da Operação Compliance Zero, que abrange as apurações relacionadas ao Banco Master e à Tirreno. O relatório deverá apresentar uma visão integrada do caso e de suas ramificações.
A medida de Mendonça alcança o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação justamente na etapa final da elaboração do documento. O afastamento tende a adiar a apresentação das conclusões e a divulgação de informações que poderiam esclarecer a dimensão do escândalo investigado.
O relatório é considerado central porque deverá organizar elementos coletados em diferentes linhas de apuração, identificar a participação dos investigados e indicar à Justiça quais pessoas, na avaliação dos investigadores, devem responder criminalmente. O eventual indiciamento não representa condenação, mas formaliza a conclusão policial de que há indícios de autoria e materialidade de crimes.
Daniel Vorcaro, apontado como um dos principais alvos, deverá estar entre os nomes mencionados no documento. Ex-dono do Banco Master, ele ocupa posição central nas investigações sobre as operações que deram origem à Compliance Zero.
A coluna também avalia que o momento escolhido para o afastamento beneficia o campo bolsonarista, uma vez que o adiamento da conclusão do relatório posterga a exposição de informações sobre possíveis conexões do caso com políticos de direita. Esse efeito político é uma interpretação da jornalista, enquanto as responsabilidades individuais ainda dependem das conclusões formais da PF e das etapas posteriores no Ministério Público e no Judiciário.
Com a mudança determinada por Mendonça, cresce a incerteza sobre o calendário de entrega do relatório. A conclusão do “inquérito-mãe” é aguardada por concentrar as informações necessárias para dimensionar o alcance do caso Master e orientar os próximos atos da investigação.



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