Caso Ana Clara: Mãe conta como Flávio Bolsonaro defendeu policial que matou sua filha de 5 anos
Ana Clara Machado, uma menina de 5 anos, foi assassinada com quatro tiros de fuzil enquanto ela brincava na porta de casa com o irmão de 2 anos, em Niterói
Flavio Bolsonaro e seu candidato ao governo do Rio, Douglas Ruas em cerimônia da polícia fluminense (MAURO PIMENTEL / AFP / Fórum por Renato Rovai
Após denúncia de Marcelo Freixo que revelou que o senador integrou a defesa do PM acusado de matar Ana Clara Machado, de 5 anos, a tiros de fuzil enquanto brincava em casa, Camila Pitanga traz a mãe para contar a história.
Ana Clara Machado, uma menina de 5 anos, foi assassinada com quatro tiros de fuzil enquanto ela brincava na porta de casa com o irmão de 2 anos, em Niterói.
Flávio Bolsonaro assinou, ao lado de outros advogados do escritório que representa o PM, um recurso ao Superior Tribunal de Justiça para tentar impedir que o caso fosse a júri popular. O recurso foi negado. O policial segue respondendo em liberdade, aguardando julgamento.
Freixo fez essa denúncia no mesmo dia em que esteve no Fórum Onze e Meia. Hoje, a atriz Camila Pitanga gravou um vídeo dando ainda mais alcance ao caso.
Por que isso importa tanto? Porque revela, sem precisar de adjetivo, o que é esse universo da extrema direita que cerca o senador Flávio Bolsonaro. Não estou falando de discurso, de tuíte, de embate de Congresso. Estou falando de escolha profissional, de horas de trabalho dedicadas a evitar que um homem seja julgado por um júri popular pela morte de uma criança de 5 anos.
Tem gente que vai dizer que todo réu tem direito à defesa — e tem, isso é princípio básico do Estado de Direito, defendo isso para qualquer um. O problema não é o policial ter advogado. O problema é o que essa escolha específica revela sobre as prioridades e as alianças de quem hoje disputa a Presidência da República.
Porque não foi um advogado qualquer que pegou esse caso por acaso. Foi o senador Flávio Bolsonaro, hoje pré-candidato, que decidiu colocar seu nome, seu tempo e sua rede de contatos jurídicos a serviço de tirar da frente do júri popular o homem apontado como responsável pela morte de Ana Clara.
Isso não é sobre um caso isolado de violência policial — o Brasil tem, infelizmente, muitos. Isso é sobre quem esse país pode optar por colocar, ou não, no comando do Palácio do Planalto. É sobre que tipo de mundo essa gente defende quando ninguém está prestando atenção: um mundo em que a vida de uma criança de 5 anos pesa menos do que blindar a farda. Do que blindar a milícia. Ele fez o mesmo com Adriano da Nobrega e com Rony Lessa.
A eleição está entrando na reta final. Casos como esse não podem ficar embaixo do tapete. Ana Clara tinha 5 anos. A mídia não pode continuar fazendo um silêncio sepulcral sobre esse assunto. Ao fazer isso, se torna cúmplice da injustiça com a morte de Ana Clara.



COMENTÁRIOS