EMIR SADER
América Latina, epicentro da luta contra o neoliberalismo
Avanço de governos progressistas convive com ofensiva neoliberal e disputa define rumos políticos e sociais da região
Lula e Claudia SheinbaumA América Latina foi uma vítima privilegiada do neoliberalismo na última década do século passado. Quase todos os países do continente foram afetados por esse modelo de mercantilização das relações sociais e de privilégio dos ajustes fiscais.
O Estado e a sociedade latino-americanos foram profundamente afetados. De tal forma que houve uma radical reação de quase todos os países, que fizeram com que o continente se tornasse a única região do mundo com governos antineoliberais e, ao mesmo tempo, que seus maiores líderes se tornassem os principais líderes da esquerda no mundo no século XXI: Hugo Chávez, Rafael Correa, Evo Morales, Néstor e Cristina Kirchner, Pepe Mujica, Lula, López Obrador e Claudia Sheinbaum.
As duas primeiras décadas deste século foram marcadas por esse processo de reação e resistência latino-americana. Depois de idas e vindas, na terceira década do século XXI o continente está dividido em dois grupos radicalmente opostos. Um, centrado nos governos do México e do Brasil, representa os governos que dão continuidade ao movimento antineoliberal, com governos consolidados democraticamente, com grande expansão econômica, com índices sociais muito positivos, especialmente do desemprego.
A esses governos acompanham Uruguai e a Colômbia. Se contrapõem a eles os governos de direita, que têm no Chile e na Argentina hoje, acompanhados pelos do Equador e de Honduras. Estes implementam políticas neoliberais, do Estado mínimo e da centralidade do ajuste fiscal, em detrimento das políticas sociais.
Os dois polos contrapostos compõem o cenário político da América Latina no primeiro quarto do século XXI. Ao sucesso, especialmente dos governos do México e do Brasil, se antepõe o fracasso evidente do governo argentino, cujos índices sociais são todos negativos, enquanto o governo neopinochetista no Chile se aventura por essa via já fracassada.
O futuro do continente depende de qual desses polos será predominante. Se seguirá sendo o eixo das lutas antineoliberais ou se predominarão as políticas de restauração neoliberal.



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