Doador de Bolsonaro, pastor Zettel é alvo de mandado de prisão em operação da PF que levou Vorcaro à cadeia
Doador de R$ 3 milhões para a campanha de Bolsonaro, Fabiano Zettel, da Igreja Lagoinha, é alvo de mandado de prisão na mesma operação da PF, autorizada por André Mendonça, que levou o cunhado, Daniel Vorcaro, de volta à cadeia
André Mendonça, Bolsonaro com André Valadão e Fabiano Zettel (Ascom STF / PR / Reprodução de vídeo) Doador de R$ 3 milhões para a campanha de Jair Bolsonaro (PL) em 2022, o pastor Fabiano Zettel, da Igreja da Lagoinha, é um dos alvos de mandados de prisão cumpridos na terceira fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que levou o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, novamente à prisão nesta quarta-feira (4).
Cunhado de Vorcaro, Zettel ainda não havia sido localizado pela PF em Belo Horizonte até às 7h40, segundo informações obtidas pela Fórum. Vorcaro já está preso na sede da Superintendência da PF em São Paulo. Há outros dois alvos de prisão, cujos nomes ainda não foram divulgados. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça que, um dia antes, deu aval para que o banqueiro não compareça à CPI do Crime Organizado, no Congresso.
Segundo a PF, estão sendo cumpridos 4 mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados de São Paulo e Minas Gerais. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça que, um dia antes, deu aval para que o banqueiro não compareça à CPI do Crime Organizado, no Congresso.
“Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas”, diz a PF em nota.
Crimes na Faria Lima
A noite de 17 de novembro de 2025 marcou o início de um dos capítulos mais turbulentos da recente história financeira brasileira: o banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, foi preso pela primeira vez pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar em um jato particular rumo ao exterior, no bojo da Operação Compliance Zero — investigação que mira supostas fraudes bilionárias na emissão de ativos financeiros pelo banco.
A detenção preventiva foi seguida, na manhã de 18 de novembro de 2025, pelo decreto de liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central do Brasil (BC), medida que interrompeu de imediato qualquer negociação da venda da instituição de Vorcaro ao Banco de Brasília, comandado pelo governador bolsonarista Ibaneis Rocha (MDB), e fez aflorar um rombo estimado em dezenas de bilhões de reais no sistema.
O epicentro do escândalo foram as suspeitas de que o Master teria criado e negociado carteiras de crédito fictícias e títulos sem lastro, atraindo fundos de pensão e recursos públicos e multiplicando o risco sistêmico num ambiente já permeado por críticas à fiscalização.
A Compliance Zero, batizada assim por desafiar princípios básicos de governança e controle, se desdobrou em uma série de mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal, com celulares e documentos retirados de executivos e sócios — um material que passou a ocupar o centro do debate judicial e político em Brasília.
A investigação foi ampliada em 14 de janeiro de 2026, com uma segunda fase de Compliance Zero autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, que desencadeou bloqueios e sequestros de bens em várias localidades do país e aprofundou a apuração das supostas irregularidades.





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