Investigação de Jaques Wagner não atinge governo Lula nem PT
Caso avance sem afastamento da liderança no Senado, senador pode expor governo Lula e PT a uma crise política que não lhes pertence
rep. publ. internet/Jeferson Miola, articulista por Jeferson Miola, ariticulista
A investigação de Jaques Wagner no marco da Operação Compliance Zero tem como alvo o próprio senador, individualmente, e não atinge de nenhuma maneira o governo Lula, a bancada do PT no Senado e tampouco o Partido dos Trabalhadores.
Há, no entanto, o risco de governo, bancada petista e PT serem tragados para a crise que não lhes pertence caso Jaques Wagner continue na liderança do governo no Senado, no momento em que ele precisará se desincompatibilizar do cargo para se dedicar integralmente, e em seu próprio nome, ao pleno exercício do direito de defesa no processo.
As informações sobre supostos mimos, favores e vantagens econômicas indevidas recebidas por Jaques Wagner e familiares não foram vazadas pela imprensa, mas constam de relatório da Polícia Federal sobre conteúdos encontrados nos dispositivos de Daniel Vorcaro.
A PF mostrou encadeamento de diálogo entre Wagner e Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, para operacionalizar a aquisição de apartamento no condomínio Poème Horto pelo valor de 2,5 milhões de reais, e relatou pagamentos e repasses milionários a empresas financeiras vinculadas ao núcleo familiar do senador.
O relatório da PF também descreveu “possível atuação parlamentar de Jaques Wagner em temas de interesse do Banco Master”.
A PF relatou que “o Senador teria mantido interlocução direta com Augusto Ferreira Lima sobre temas relacionados [a] à elevação da margem consignável da remuneração disponível para os trabalhadores regidos pela CLT, para os aposentados e pensionistas vinculados ao RGPS, além de autorizar a realização de empréstimos e financiamentos por beneficiários do BPC e de outros programas federais de transferência de renda, [...]; [b] à tentativa de aprovação da PEC nº 65/2023, com repercussões sobre o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e [c] à atuação parlamentar voltada à fiscalização e controle da operação de potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília”.
A denúncia contra Jaques Wagner é impactante. O bolsonarismo tentará instrumentalizar o caso para desviar a atenção sobre o envolvimento sistêmico do establishment direitista e bolsonarista, em especial de Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira, Antonio Rueda e outros, envolvidos organicamente com o esquema mafioso de Daniel Vorcaro.
O governo não pode titubear na equivalência de postura, pois isso legitimaria a estratégia diversionista da bancada Master. As revelações da PF [que não se confundem com informações vazadas] “valem para Chico, valem também para Francisco”.





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