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Lula convoca ministros para discutir situação de Jaques Wagner e Planalto pressiona por troca

Lula falou por telefone com Jaques Wagner ainda na quinta-feira, mas auxiliares afirmam que o presidente prefere aguardar uma reunião presencial antes de deliberar sobre o assunto

DCM
Lula convoca ministros para discutir situação de Jaques Wagner e Planalto pressiona por troca Lula e o senador Jaques Wagner. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a calcular o impacto político da operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. Ao longo desta quinta-feira (18), Lula conversou com ministros palacianos no Palácio da Alvorada para tratar dos efeitos da nova fase da Operação Compliance Zero, que mira suspeitas envolvendo o Banco Master.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, segundo a CNN Brasil, uma ala avalia que a operação prejudica a imagem do governo federal e afeta diretamente a articulação política no Senado. Esse grupo defende que Wagner seja substituído da liderança do governo na Casa. Por enquanto, porém, prevalece a avaliação de que Lula só deve tomar uma decisão após uma conversa pessoal com o parlamentar e outros aliados.

Lula falou por telefone com Jaques Wagner ainda na quinta-feira, mas auxiliares afirmam que o presidente prefere aguardar uma reunião presencial antes de deliberar sobre o assunto. Como o petista terá compromissos no Sudeste nos próximos dias, o encontro deve ficar para a próxima semana.

Interlocutores do presidente dizem que o Planalto já estava preparado para responder a questionamentos sobre possíveis conexões do PT baiano com o caso Banco Master. A operação contra Wagner, no entanto, surpreendeu integrantes do governo.

Jaques Wagner e familiares foram alvos de busca e apreensão. O senador é suspeito de ter recebido vantagens indevidas do Banco Master. Em nota, ele nega ter atuado em favor desta ou de qualquer outra instituição financeira.

Após a operação, o PT alinhou o discurso interno. A principal orientação é individualizar eventuais responsabilidades de Wagner ou de qualquer outro aliado citado nas investigações, tentando preservar Lula, que disputa a reeleição neste ano.

Segundo apuração da CNN, o partido pretende manter o caso Banco Master em sua comunicação política e nas redes sociais. A estratégia será destacar que Lula deve enfrentar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial e que o adversário também aparece ligado a personagens investigados no caso.

Nos próximos dias, parlamentares e dirigentes petistas devem intensificar publicações sobre a visita de Flávio a Daniel Vorcaro e sobre o áudio em que o senador cobra recursos do banqueiro para o filme “Dark Horse”. O partido também deve lembrar que Flávio chamou Vorcaro de “mermão”.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que Wagner é “depositário de confiança”, mas declarou apoio às apurações sobre o Banco Master. “Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, escreveu.

O secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, também reforçou a “confiança” do partido em Wagner. Ele afirmou que “uma tentativa de equiparar relações e falsamente criar a ideia de que o escândalo atinge igualmente todos os campos políticos brasileiros é inócua”.




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