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Após Malafaia, bispo Rodovalho recusa Flávio: “evangélico é intransigente com mentira”

Colega de Bolsonaro na Câmara e substituto de Malafaia como "guru" do ex-presidente, Robson Rodovalho denunicou oportunismo de Flávio Bolsonaro e diz que mentiras sobre Vorcaro e Master fizeram ele derreter entre os evangélicos

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Após Malafaia, bispo Rodovalho recusa Flávio: “evangélico é intransigente com mentira” Michelle e Bolsonaro em culto do bispo Rodovalho na Sara Nossa Terra em 2021 (Alan Santos/PR)

Colega de Bolsonaro na Câmara e substituto de Malafaia como "guru" do ex-presidente, Robson Rodovalho denunicou oportunismo de Flávio Bolsonaro e diz que mentiras sobre Vorcaro e Master fizeram ele derreter entre os evangélicos.

Bispo Robson Rodovalho, da Igreja Sara Nossa Terra, declarou que Michelle Bolsonaro deve substituir Flávio Bolsonaro na chapa presidencial, em entrevista ao O Globo nesta sexta‑feira (19).

A mudança foi anunciada após Silas Malafaia cortar apoio a Flávio, alegando corrupção e mentiras envolvendo o senador e o caso Daniel Vorcoro.

Rodovalho, que já visitou Jair Bolsonaro na prisão e assumiu como conselheiro do ex‑presidente, criticou as mentiras de Flávio e pediu a abertura imediata das contas da Dark Horse.

O bispo também apontou ligações de Daniel Vorcoro com a Igreja da Lagoinha, afirmando que tais vínculos prejudicam a imagem do segmento evangélico.

Após Silas Malafaia abandonar Flávio Bolsonaro (PL-SP), dizendo que não passa a mão na cabeça de “corrupto de direita“, foi a vez do bispo Robson Rodovalho, da Igreja Sara Nossa Terra, largar a mão do filho “01” de Jair Bolsonaro (PL) e defender abertamente o nome de Michelle Bolsonaro para substituir o candidato como representante do clã na chapa presidencial.

Rodovalho, que visitou Bolsonaro na prisão e substituiu Malafaia como conselheiro do ex-presidente após rusgas com o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec), explicou o derretimento de Flávio nas pesquisas após o caso Master pelas mentiras ditas pelo senador sobre a relação com Daniel Vorcaro.

“Acho que foram duas questões. A primeira delas, o vazamento da conversa com o Daniel Vorcaro, e ele ter dito antes que não tinha nenhuma relação com o banqueiro. Está custando muito caro para o Flávio isso. O evangélico pensa: às vezes é melhor votar num candidato que não é cristão do que um que diz ser, mas não mantém a coerência”, afirmou ao ser indagado por Thiago Prado sobre as pesquisas, em entrevista ao jornal O Globo nesta sexta-feira (19).

Rodovalho, que já aclamou Michelle como “grande líder” após visita ao ex-presidente, disse que pior que a revelação da relação íntima com Vorcaro, foram as mentiras ditas pelo senador sobre o caso.

“Evangélico é intransigente com mentira. A pior coisa que tem é uma coisa ser dita e a realidade ser outra. Ele deveria ter falado sobre o assunto desde o início”, afirmou, ressaltando que se o dinheiro é privado e para o filme não teria razões para mentir.

O bispo defendeu que Flávio Bolsonaro abra “imediatamente as contas de Dark Horse para tentar estancar a debandada evangélica e tentar reverter o quadro diante das mentiras em série.

“Ele está perdendo a confiança do segmento, as pessoas estão achando que, se mentiu desta vez, pode mentir na próxima. O copo de cristal trincou, e ele vai precisar reconhecer isso. Mostrar arrependimento, pedir desculpas. Não dá para ficar camuflando o assunto, achando que o tempo vai fazer os evangélicos esquecerem porque o Lula tem mais escândalos”, disse.

Colega de Bolsonaro na Câmara Federal entre 2007 e 2010, quando exerceu mandato de deputado federal, o líder da Sara Nossa Terra disse que Vorcaro “se cercou de uma rede mafiosa e fez amizades em instituições para se sentir protegido e cometer fraudes” e falou da conexão do banqueiro com a Igreja da Lagoinha, de André Valadão, reconhecendo que “é muito ruim para o segmento evangélico termos dúvidas sobre a atuação de uma igreja nesse esquema”.

Em seguida, ainda usou uma metáfora bíblica para criticar os “poucos movimentos na direção de lideranças evangélicas”.

“Tem uma história na Bíblia que ilustra exatamente o que quero dizer. Roboão foi filho do rei Salomão e neto do rei Davi. Também virou rei, mas presumiu que o reino já era dele sem precisar se esforçar. No fim das contas, foi justamente com Roboão que houve a crise da cisão do reino unificado de Israel. Flávio precisa consolidar a sua própria liderança no segmento, ele não pode se considerar absoluto entre nós como foi o pai no passado”, comparou.

Michelle como alternativa

Indagado sobre o movimento de Bolsonaro, que de dentro da prisão teria alçado o filho à Presidência, sem consultar aliados e preterindo nomes como Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), o preferido da terceira via, Rodovalho iniciou a defesa de Michelle como representante do clã em uma chapa majoritária, em troca do enteado.

“Eleição é emoção, igual a torcida em jogo de futebol. A Michelle mexe com o eleitorado feminino e com os jovens. Aliás, ela mexe até com o público gay, que tradicionalmente não milita para a direita. Ela tem relevância, sim, e claro que está fazendo falta para o Flávio”, iniciou sobre o impacto da não adesão da ex-primeira-dama, que se sentiu traída com a decisão do marido sobre o enteado.

Em seguida, sobre a possível troca, o bispo diz que pede “a Deus voltar a ter a possibilidade de conversar com o Jair” sobre o assunto.

“Vejo muitas fragilidades no cenário atual, o panorama não é nada animador. Lula subiu nas pesquisas e essa cesta com Desenrola e fim da escala 6×1 está sendo decisiva. Para a direita ganhar a eleição, vai ser preciso algum movimento novo e inteligente”, sinalizou.

Rodovalho, então, foi perguntado diretamente se “está defendendo a Michelle candidata” e saiu em defesa da ex-primeira-dama.

“Essa decisão é do Jair, não é minha, e a ideia precisa nascer como um projeto da família. Agora, eu seria uma pessoa a validar esse movimento, sim. Ou ela poderia ser vice do senador Rogério Marinho (PL). Ou até mesmo do governador Ronaldo Caiado (PSD). Que fosse vice do próprio Flávio. Fato é que Michelle precisa estar engajada na campanha”, concluiu.

“Grande líder”

Em fevereiro, após Bolsonaro trocar Malafaia por Rodovalho como “conselheiro espiritual” na visita à cadeia, o bispo da Sara Nossa Terra aclamou Michelle como “grande líder” em vídeo com a presença de Nikolas Ferreira (PL-MG), que à época estava sob ataques de Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

“Obrigado pela vida da Michele que será a nossa grande líder, Senhor, nesse país na sua graça. No lugar que o senhor colocar”, afirmou Rodovalho nos bastidores com os políticos.

Nas redes sociais, o bispo publicou uma foto com Michelle e Bolsonaro e um longo texto após encontrar o ex-presidente na Papudinha durarante o Carnaval.

Rodovalho diz que encontrou Bolsonaro “um pouco mais equilibrado no que diz respeito aos soluços, porém assustado por uma crise de pressão alta que teve ontem” e fez coro com a ex-primeira-dama ao dramatizar a situação do ex-presidente.

“Com os olhos lacrimejados algumas vezes, ele declarou: ‘Eu creio na força e no poder de Deus, não sei como, mas vou vencer’. Continuo vendo a necessidade eminente do cuidado em sua casa, facilitando os tratamentos e fortalecendo suas emoções”, afirmou.




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