No Mercosul, Lula diz que vai disputar a reeleição para defender a democracia no Brasil
Durante a Cúpula do Mercosul, em Assunção, presidente defendeu a integração regional e propôs maior cooperação em IA, Pix e combate a desastres naturais
Presidente Lula durante sessão Plenária da 68.ª Cúpula de Presidentes do Mercosul (Foto: Ricardo Stuckert / PR) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (30), durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, que será candidato à reeleição nas eleições deste ano. A declaração foi feita em um discurso de improviso, após sua fala oficial sobre o futuro do bloco sul-americano e a integração regional.
Lula disse que pretende disputar um novo mandato para preservar o regime democrático no Brasil, ao mencionar o cenário político internacional e as ameaças recentes às democracias em diferentes países, incluindo a tentativa de golpe registrada no Brasil. "Vou concorrer às eleições para garantir que o país se mantenha como um país democrático", afirmou o presidente, de acordo com o G1.
Ao comentar o contexto internacional, Lula declarou que a democracia voltou a enfrentar desafios em diversas partes do mundo e ressaltou a importância das instituições democráticas para a estabilidade política e econômica.
Mercosul deve estar acima das disputas políticas
Durante o pronunciamento, Lula dedicou parte significativa de sua fala aos 35 anos do Mercosul. O presidente afirmou que a criação do bloco representou uma resposta histórica ao período de regimes autoritários na América do Sul e defendeu que a integração regional seja preservada independentemente das mudanças de governo nos países-membros.
"O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição deste ou daquele presidente. Senão, a gente nunca vai ter um bloco forte funcionando. Nunca vai conseguir se transformar em um bloco econômico de muita vitalidade", afirmou.
Na sequência, reforçou que o compromisso brasileiro com o bloco deve permanecer independentemente do resultado das eleições. "Acreditem, independentemente de quem seja eleito no Brasil, o Mercosul continuará sendo prioridade. Quero pedir um esforço nestes seis meses para consolidar as instituições de apoio do Mercosul para que ele funcione independentemente de quem foi eleito presidente dos países do nosso bloco", declarou.
Sem mencionar diretamente governos de direita na região, Lula afirmou que o Mercosul representa a principal alternativa institucional para enfrentar a polarização política no continente. "Ninguém é dono da América do Sul", disse o presidente.
Milei não participa da cúpula
A reunião ocorreu sem a presença do presidente de extrema direita da Argentina, Javier Milei, adversário político de Lula. O governo argentino informou que Milei permaneceu no país para cumprir compromissos internos e enviou o chanceler Pablo Quirino como representante na reunião. Na véspera da cúpula, Milei havia se encontrado com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.
Pix regional e cooperação em inteligência artificial
Além da pauta política, Lula apresentou propostas voltadas à integração econômica e tecnológica do Mercosul.
O presidente sugeriu que os países compartilhem experiências no desenvolvimento da inteligência artificial e defendeu a criação de uma infraestrutura regional de pagamentos inspirada na arquitetura do Pix. Segundo Lula, o objetivo seria reduzir custos nas transações entre os países do bloco e ampliar a utilização de moedas locais nas operações comerciais.
Homenagem às vítimas dos terremotos na Venezuela
No início da sessão, os chefes de Estado fizeram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos terremotos que atingiram a Venezuela na semana passada. A homenagem foi proposta por Lula.
Ao abordar o tema, o presidente destacou a necessidade de ampliar a cooperação regional diante da ocorrência cada vez mais frequente de eventos climáticos extremos e desastres naturais.
Lula defendeu a criação de um fundo sul-americano destinado ao enfrentamento dessas situações e ao financiamento de medidas de adaptação climática. Segundo ele, trata-se de uma "necessidade estratégica" para os países da região.
Expansão comercial e novos acordos
Durante o discurso, Lula também apresentou dados sobre a evolução econômica do Mercosul. Segundo o presidente, o comércio intrabloco passou de US$ 4,5 bilhões em 1991 para US$ 50 bilhões em 2025.
Ele destacou ainda a ratificação de acordos comerciais com Singapura e Europa, além do avanço das negociações com Canadá, Índia e Vietnã.
Lula informou que a atual cúpula marcará o lançamento das negociações para uma parceria econômica entre o Mercosul e o Japão e afirmou que pretende buscar, futuramente, uma aproximação semelhante com a China.



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