Flávio Bolsonaro perde 20 pontos na direita não bolsonarista, diz Quaest
Pesquisa mostra avanço de Lula, aumento dos indecisos e maior apoio a Michelle Bolsonaro na disputa pública com o senador
Flávio BolsonaroCrédito: Reprodução/YT/247 Pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu 20 pontos percentuais entre os eleitores da direita não bolsonarista, mas ainda mantém ampla vantagem sobre os demais candidatos conservadores na corrida presidencial de 2026. O parlamentar da extrema direita caiu de 74% das intenções de voto nesse segmento, em maio, para 54% em julho, segundo a nova pesquisa Genial/Quaest. O relato foi divulgado nesta quarta-feira (15) pelo Portal G1.
O recuo do senador revela uma dificuldade de Flávio Bolsonaro para consolidar apoios fora do núcleo mais fiel a Jair Bolsonaro. O senador registrava 45% das intenções de voto entre os eleitores da direita não bolsonarista em dezembro de 2025, quando anunciou que disputaria a Presidência com o apoio do pai. O índice avançou nos meses seguintes e atingiu o pico de 74% em maio, antes de iniciar uma trajetória de queda.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, relacionou a mudança ao impacto das informações divulgadas sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
“Depois do caso ‘Dark Horse’, as coisas mudaram significativamente. Mas, mudaram onde? Entre os bolsonaristas, não. Os bolsonaristas continuam calcificados e dando muito apoio a ele. Quem está abandonando o Flávio? A direita não bolsonarista”, afirmou Felipe Nunes.
O episódio ganhou repercussão após a divulgação, em maio, de mensagens e de um áudio nos quais Flávio Bolsonaro cobrava recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção. Vorcaro é investigado por suspeitas de participação em fraudes bilionárias relacionadas ao Banco Master.
Base bolsonarista
Embora tenha perdido espaço entre eleitores conservadores que não se consideram bolsonaristas, Flávio mantém índices superiores a 90% entre os que se identificam diretamente com o movimento político liderado pelo pai. O patamar permanece praticamente estável desde fevereiro, segundo a série histórica da Quaest.
Os dados indicam que o desgaste do senador ainda não atingiu de maneira significativa a parcela mais fiel da base bolsonarista. O impacto aparece principalmente entre eleitores de direita menos vinculados à família Bolsonaro e potencialmente mais abertos a outras candidaturas.
Mesmo nesse grupo, porém, Flávio Bolsonaro continua muito à frente dos concorrentes. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) conseguiu 6% das intenções de voto entre os eleitores da direita não bolsonarista. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) apareceu com 5%. O pré-candidato Renan Santos (Missão) teve 4%.
Lula lidera cenário geral
Considerando todo o eleitorado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apareceu na liderança com 40% das intenções de voto no primeiro turno. Flávio Bolsonaro ocupou a segunda posição, com 28%, uma diferença de 12 pontos percentuais. Na sequência, Ronaldo Caiado somou 4%, Renan Santos, 3%, e Romeu Zema, 2%.
Um dos obstáculos enfrentados pelas candidaturas alternativas é o baixo grau de conhecimento dos nomes apresentados. Segundo a Quaest, 44% dos entrevistados afirmam não conhecer Caiado, enquanto 50% dizem desconhecer Zema. No caso de Renan Santos, o índice chega a 77%.
O número de eleitores indecisos passou de 5% em maio para 11% em julho. Já os que pretendem votar em branco, anular o voto ou não comparecer às urnas representam 8% do eleitorado.
Michelle tem mais apoio em disputa com Flávio
A pesquisa também avaliou a repercussão dos vídeos publicados pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, nos quais ela fez críticas ao senador do PL. Entre os entrevistados, 51% afirmaram que não tinham conhecimento das gravações, e 49% disseram que estavam informados sobre o episódio.
Ao serem questionados sobre a divergência, 42% declararam concordar mais com Michelle, ante 18% que disseram se identificar mais com a posição de Flávio. Outros 22% não concordaram com nenhum dos dois lados.
Para 45% dos entrevistados, Michelle acertou ao tornar públicas as críticas ao senador. Outros 38% avaliaram que a ex-primeira-dama errou ao divulgar os vídeos. Entre os eleitores da direita não bolsonarista, 35% consideraram correta a atitude de Michelle. No grupo bolsonarista, essa avaliação foi compartilhada por 20%.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e realizado presencialmente pela Quaest com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, entre 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-07181/2026.



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