Bolsonaro está há um ano sem postar notícias falsas nas redes socias

Nova restrição atingiu Flávio em fase decisiva da eleição

DCM
Bolsonaro está há um ano sem postar notícias falsas nas redes socias rep. publ. internet/Bolsonaro e Moraes

A proibição imposta pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Jair Bolsonaro para usar redes sociais completa um ano em vigor neste sábado (18). A ordem, determinada em 18 de julho de 2025, também vetou publicações por intermediários e ocorreu antes da condenação do ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão na ação da trama golpista.

Moraes alegou à época que Bolsonaro usava as redes para amplificar o discurso de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), então deputado federal, que buscava apoio do governo Donald Trump para pressionar autoridades brasileiras e atacar o Judiciário. Para o ministro, a articulação tentava encurralar o STF antes do julgamento do ex-presidente.

Integrantes do PL passaram a tratar a medida como uma espécie de “morte digital” de Bolsonaro, pela perda de capacidade de pautar o debate público e mobilizar apoiadores em plataformas onde a direita mantém força. “Alexandre de Moraes criou o exílio virtual”, criticou um interlocutor do ex-presidente com trânsito no meio político e jurídico.

As últimas publicações de Bolsonaro no X ocorreram em 17 de julho de 2025. Na ocasião, ele repostou uma carta de Trump que pedia o encerramento imediato do caso da trama golpista e chamava de “vergonha internacional” a forma como o Brasil tratava o aliado do republicano. O cientista político Paulo Kramer afirmou que “o que salvou Jair Bolsonaro do esquecimento digital foi a fidelidade dos muitos grupos de seus apoiadores”.

Nova restrição atingiu Flávio em fase decisiva da eleição

A discussão sobre o uso das redes pelo clã voltou ao STF depois que Moraes proibiu, na última segunda-feira (13), o senador e pré-candidato do PL à Presidência Flávio Bolsonaro (RJ) de visitar o pai por 90 dias. A decisão impede encontros entre os dois até o primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, período em que partidos fecham alianças estaduais e composições de chapas.

Moraes suspendeu as visitas após Flávio divulgar nas redes, no sábado (11), uma carta escrita à mão por Jair Bolsonaro. No documento, o ex-presidente escolhe o filho como “porta-voz” e pede união da militância em torno da candidatura dele, definida como “a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência, e do empobrecimento”.

Para Moraes, Flávio usou a visita para obter a carta com a “exclusiva finalidade” de publicá-la nas redes e, com isso, burlar a restrição anterior. “Não há dúvidas, portanto, que a conduta irregular de Flávio Bolsonaro desrespeitou expressa vedação judicial e configurou ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita”, escreveu o ministro.

O episódio não foi o primeiro conflito envolvendo Flávio e as restrições digitais ao pai. Em agosto do ano passado, o senador colocou Bolsonaro para falar brevemente em viva-voz durante uma manifestação em Copacabana, no Rio, e a fala acabou publicada no Instagram. Moraes considerou que houve descumprimento das cautelares e determinou a prisão domiciliar do ex-presidente.

A proibição das redes surgiu em outro processo, ligado à atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Em depoimento à Polícia Federal, Jair Bolsonaro disse que repassou R$ 2 milhões ao filho para custear despesas no exterior: “Botei dinheiro na mão dele, bastante até, e ele está levando a vida dele. Dinheiro limpo, legal, Pix”. Em junho deste ano, a Primeira Turma do STF condenou Eduardo por unanimidade a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, além de deixá-lo inelegível por 12 anos.




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