Descredibilizar processos eleitorais é estratégia da extrema direita no mundo todo, avalia cientista política

Tathiana Chicarino questiona se instituições e redes sociais estão prontas para lidar com as fake news nas eleições 2026

Brasil de Fato
Descredibilizar processos eleitorais é estratégia da extrema direita no mundo todo, avalia cientista política Rep. publ. internet

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), assim como já fez seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atacou as urnas eletrônicas e colocou em xeque a integridade do sistema eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob comando do ministro Kassio Nunes Marques, divulgou o mesmo texto usado em 2022 para defender o processo eleitoral, quando Bolsonaro divulgou mentiras sobre a tecnologia e tornou-se, assim, inelegível.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Tathiana Chicarino, professora da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), destaca a gravidade da fala de Flávio e que ela compõe a “cartilha da extrema direita” não apenas no Brasil.

“Um dos elementos que a extrema direita tem de construção estratégica do seu posicionamento político é descredibilizar os processos eleitorais, seja urna eletrônica, seja dizer que houve interferência de outro país, seja dizer que a contagem não dá certo”, afirma. Chicarino lembra que o presidente, Donald Trump, líder de extrema direita nos EUA, usa a mesma narrativa.

“A desinformação sobre a urna eletrônica é algo antigo e que veio se acentuando. Vamos lembrar que, na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, havia um núcleo de desinformação“, avalia Chicarino.

Risco a vista

Tathiana Chicarino avalia que as eleições de outubro acontecerão em um cenário complexo, em que Jair Bolsonaro está preso e o bolsonarismo segue honrando o seu legado em normalizar a extrema direita. “Há uma intensidade do debate, podendo gerar violência, e as instituições precisarão estar muito atentas. A gente já sabe por que passamos em algumas eleições em que isso aconteceu: 2018 e 2022 foram assim, e as eleições municipais, mesmo que em menor intensidade, também. A pergunta que fica é: nós já sabemos que eles farão isso, mas as instituições, as plataformas digitais estão prontas para atacar essa desinformação?”, questiona.




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