Flávio Bolsonaro chega a 2026 com menos palanques estaduais que Jair em 2022
Cinco forças partidárias são consideradas decisivas nas negociações
Flávio Bolsonaro Crédito: Andressa Anholete/Agência Senado PT e PL abrirão mão de candidaturas próprias em mais da metade dos estados para atrair partidos do Centrão e ampliar os palanques regionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro. A estratégia coloca PSD, MDB, Republicanos e a federação União-PP no centro das articulações para as eleições de 2026.
Segundo reportagem do O Globo, as duas legendas preferem apoiar candidatos de outros partidos em diversas unidades da Federação. A avaliação é que os acordos estaduais podem reduzir conflitos, fortalecer as chapas proporcionais e facilitar a formação de bases políticas para o próximo governo.
A movimentação repete uma estratégia adotada na eleição presidencial de 2022, quando alianças regionais nem sempre seguiram os acordos firmados na disputa pelo Palácio do Planalto. Em 2026, a tendência é que as diferenças entre os palanques estaduais e os alinhamentos nacionais sejam ainda mais evidentes.
Cinco forças partidárias são consideradas decisivas nas negociações: PSD, MDB, Republicanos, União Brasil e PP — os dois últimos reunidos em uma federação. Mesmo sem declarar apoio nacional a Lula ou Flávio Bolsonaro, essas siglas deverão liderar chapas estaduais apoiadas por PT ou PL em mais de uma dezena de estados.
No campo governista, Lula deverá apoiar nove candidatos de partidos de centro, principalmente do PSD e do MDB. Outros cinco nomes pertencem ao PSB e ao PDT, legendas de centro-esquerda que também devem participar da coligação presidencial do petista.
A renúncia a candidaturas próprias ocorre inclusive em estados de grande peso político e eleitoral. No Rio de Janeiro, o PT deverá apoiar o prefeito Eduardo Paes, do PSD, na disputa pelo governo estadual. Em Pernambuco, a legenda caminhará com o prefeito do Recife, João Campos, do PSB.
No Rio Grande do Sul e no Paraná, os petistas deverão integrar os palanques de Juliana Brizola e Requião Filho, ambos do PDT. No Pará, a aliança está encaminhada em torno da vice-governadora Hana Ghassan, do MDB.
Coordenador das eleições estaduais do PT, o deputado federal Jilmar Tatto afirmou que a prioridade é evitar disputas regionais capazes de prejudicar a candidatura presidencial de Lula.
“O critério é o apoio ao Lula e cuidar para não atrapalhar a campanha dele. A prioridade é ampliar os palanques do presidente.”
O PT trabalha atualmente com 11 candidaturas próprias aos governos estaduais. A maior parte está concentrada em estados administrados pela legenda, sobretudo no Nordeste. Entre os governadores que tentarão a reeleição estão Jerônimo Rodrigues, na Bahia, Elmano de Freitas, no Ceará, e Rafael Fonteles, no Piauí.
Em São Paulo e Minas Gerais, a legenda decidiu manter nomes próprios, embora seus representantes apareçam inicialmente atrás dos principais adversários. Fernando Haddad será o candidato petista em São Paulo, enquanto Patrus Ananias disputará o governo mineiro.
A manutenção das duas candidaturas é considerada estratégica por garantir palanques exclusivos para Lula nos dois maiores colégios eleitorais do país. As definições do partido em Goiás e Roraima ainda dependem das negociações regionais.
No PL, o cenário permanece mais aberto. Dos dez estados com maior número de eleitores, a legenda poderá apoiar candidatos de outros partidos em seis, buscando combinar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro com acordos destinados a ampliar as bancadas na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas.
Em São Paulo, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tentou filiar o governador Tarcísio de Freitas, mas não conseguiu concluir a operação. Tarcísio disputará a reeleição pelo Republicanos com o apoio do grupo bolsonarista.
Em Minas Gerais, o PL avalia retirar uma candidatura própria para apoiar o ex-deputado Marcelo Aro, do PP, ou o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos. A decisão deverá considerar tanto a competitividade dos candidatos quanto a composição das chapas proporcionais.
No Nordeste, a legenda pretende aumentar o número de deputados federais e, por isso, considera alianças com candidatos que não necessariamente apoiarão Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Entre os nomes avaliados estão o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, do PSD, no Maranhão, e a governadora Raquel Lyra, também do PSD, em Pernambuco.
O deputado Mendonça Filho, do PL pernambucano, declarou apoio à reeleição de Raquel Lyra, mas indicou que a legenda não deverá integrar formalmente a coligação da governadora.
“O partido não vai coligar, mas o meu apoio ela (Raquel Lyra) terá. Política é um fato local, as circunstâncias locais têm um peso muito grande em qualquer processo político. Não dá para buscar um caminho alternativo a essa realidade que estou dizendo.”
No Piauí, o PL abandonou a intenção de apresentar um candidato próprio e decidiu apoiar Joel Rodrigues, do PP, aliado do presidente nacional da legenda, Ciro Nogueira.
Também estão encaminhados os apoios do partido a ACM Neto, do União Brasil, na Bahia; Lorenzo Pazolini, do Republicanos, no Espírito Santo; Doutor Furlan, do PSD, no Amapá; Professora Dorinha Seabra, do União Brasil, no Tocantins; e Celina Leão, do PP, no Distrito Federal.
Ao todo, o PL mantém 12 pré-candidaturas próprias aos governos estaduais. A sigla já costurou alianças com a federação União-PP em cinco estados e com candidatos do Republicanos em outros dois. Também deverá apoiar nomes do PSD, PSDB e Podemos.
A situação nacional, porém, é mais desfavorável para Flávio Bolsonaro do que a enfrentada por Jair Bolsonaro em 2022. Naquela eleição, PP e Republicanos integraram formalmente a coligação presidencial do então chefe do Executivo.
O diretório paulista da federação União-PP declarou apoio a Flávio Bolsonaro durante um evento na capital. Poucos dias depois, entretanto, a direção nacional anunciou que permanecerá neutra na disputa presidencial, ao menos durante o primeiro turno.
Comunicada por Ciro Nogueira, a decisão libera os diretórios estaduais da federação para formar alianças distintas, inclusive com candidatos apoiados por Lula. O PL ainda tenta convencer o Republicanos a integrar o palanque presidencial de Flávio, mas a legenda não definiu oficialmente sua posição.
Lula, por sua vez, deverá preservar o apoio nacional de PSB e PDT, partidos que participaram de sua coligação na eleição anterior. A principal prioridade do PT é incorporar aos palanques estaduais candidatos competitivos de centro que possam contribuir com a campanha presidencial, mesmo sem aderir formalmente ao governo.



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