Ronaldo Caiado, o galo de terreiro a quem poucos dão ouvidos

Na convenção do PSD, o ex-governador de Goiás parte para o ataque a Flávio e a Lula


Ronaldo Caiado, o galo de terreiro a quem poucos dão ouvidos Reprodução/PSD

Ao contrário de Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, é capaz de cunhar frases e fazer comparações que ficam na memória das pessoas. Ele demonstrou isso na convenção do PSD de Gilberto Kassab, que o lançou candidato à Presidência da República. Em tempos de “farmar aura” — ou seja, acumular estilo, carisma e presença diante dos outros —, até que ele se sai razoavelmente bem; só falta melhorar a linguagem corporal.

“Quem rouba com a mão esquerda ou quem rouba com a mão direita é ladrão”, disse Caiado. Ele faz questão de se apresentar como um “galo de terreiro” que só briga “pelo que interessa”, enquanto Flávio seria um “frango de granja” que, à primeira dificuldade, “chama o papai” e lê “uma carta dele como quem come uma raçãozinha ou toma um antibiótico”.

Caiado acha que não é possível o Brasil “optar pelos maiores rejeitados da política”, referindo-se a Flávio e a Lula. Para ele, Lula está fugindo do primeiro debate entre os candidatos à Presidência, previsto para o dia 16 de agosto, porque “amarelou”. “Estou te esperando, Lula, vem cá. (…) Ele sabe que está com o rabo preso na criminalidade. (…) Só faz reunião em recinto fechado”, provoca.

Flávio é o candidato escolhido por Lula para disputar o segundo turno. “Nós vamos cometer o erro de entregar para o PT o candidato que ele quer?”, indaga Caiado. O problema dele — e também dos demais candidatos da direita que se oferecem como alternativa a Flávio — é um só: ninguém lhes dá ouvidos. Na mais recente pesquisa Datafolha, em simulação de primeiro turno, mais de sete em cada dez eleitores afirmaram que votariam em Lula (40%) ou em Flávio (32%). Empatados na terceira colocação, Caiado, Romeu Zema e Renan Santos nem sequer atingem 5% das intenções de voto.

Por ora, Flávio é o candidato do “sem, sem, sem”: sem um vice para completar sua chapa; sem apoio de partidos, a não ser o PL, reduto da sua família; e sem palanques fortes em pelo menos sete estados — entre eles, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas finge apoiá-lo, mas não convence. A qualquer momento, a distância entre eles poderá ser explicitada por meio de algum fato que se torne público.

A convenção do PSD foi marcada pela ausência de nomes de peso do partido, como o ex-prefeito e candidato ao governo do Rio, Eduardo Paes, que apoia a candidatura de Lula; a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, que se mantém próxima a Lula; e o governador de Minas, Mateus Simões, que apoia Zema. Por outro lado, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, que tentou se candidatar à Presidência pelo Democracia Cristã, foi visto ao lado de Caiado.




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