Com economia em frangalhos, Argentina está novamente no colo do FMI; o Brasil, não

Visita de Kristalina Georgieva reforça influência do Fundo Monetário Internacional sobre os rumos da economia argentina, destaca o Página 12

BRASIL 247
Com economia em frangalhos, Argentina está novamente no colo do FMI; o Brasil, não Chefe do FMI comanda reunião ministerial na Argentina/Crédito: Divulgação/247

A visita da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, à Argentina simboliza o retorno do país à tutela do organismo internacional em meio à grave crise econômica enfrentada pelo governo de Javier Milei. Segundo reportagem do jornal argentino Página 12, a agenda da dirigente ultrapassou o caráter técnico e assumiu um forte significado político, evidenciando o respaldo do Fundo ao programa econômico da Casa Rosada.

Além de se reunir com Milei, Georgieva participou de uma reunião do gabinete ministerial, em um gesto considerado inédito. Para o Página 12, a presença da chefe do FMI em uma reunião de governo revela o grau de influência exercido pelo organismo sobre a condução da política econômica argentina.

Imagem simboliza relação de dependência

O jornal destaca também o simbolismo da fotografia divulgada após o encontro. Na imagem, Milei não ocupa a cabeceira da mesa, posição tradicionalmente reservada ao presidente da República. O destaque ficou para Georgieva e integrantes do gabinete, cena interpretada pelo periódico como um retrato da relação de dependência estabelecida entre o governo argentino e o FMI.

Durante a visita, Georgieva afirmou que a economia argentina “está em um bom caminho” e declarou não haver necessidade de novos desembolsos de recursos neste momento, reafirmando o apoio da instituição ao programa de ajuste conduzido pelo governo.

FMI monitora de perto a política econômica

O economista Jorge Carrera, citado pelo Página 12, avalia que a visita tem como objetivo acompanhar diretamente a situação fiscal do país e garantir a continuidade do programa de endividamento firmado com o Fundo. Segundo ele, a atuação do FMI também reflete a influência exercida pelos Estados Unidos sobre a política econômica argentina.

Embora tenha elogiado o programa oficial, Georgieva reconheceu problemas importantes na economia. Ela demonstrou preocupação com o avanço da informalidade no mercado de trabalho e defendeu a criação de empregos formais, destacando que as pequenas e médias empresas são responsáveis por grande parte da geração de postos de trabalho no país.

A dirigente afirmou ainda que uma reforma do mercado de trabalho será fundamental para melhorar a qualidade do emprego e aumentar a produtividade da economia argentina.

Crise segue afetando famílias e empresas

Apesar do discurso otimista, os indicadores econômicos continuam refletindo a fragilidade da situação interna. O Página 12 destaca que a inadimplência no sistema financeiro argentino atingiu quase 13%, muito acima dos 2,4% registrados em novembro de 2024, evidenciando a deterioração das condições de consumo e investimento.

Georgieva também fez um apelo para que os argentinos mantenham a perseverança diante das dificuldades, afirmando que a transformação econômica exige esforço contínuo da sociedade.

Após cumprir agenda em Buenos Aires, a diretora do FMI seguirá para o Uruguai e visitará a formação de Vaca Muerta, principal reserva de petróleo e gás não convencional da Argentina, em mais um gesto de apoio aos projetos considerados estratégicos para a recuperação econômica do país.




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