Choro de senador desonra Minas e desqualifica política onde eleição será decidida

Cleitinho Azevedo anuncia em vídeo ridículo, chorando ao lado de líder do Republicanos, que não será candidato a governador do estado. Não há favoritos em MG

por Luís Costa Pinto, Jornalista, 247
Choro de senador desonra Minas e desqualifica política onde eleição será decidida Montagem G1 sobre fotogramas video

Dono de retumbantes 36% a 39% de intenções de voto nas pesquisas pré-eleitorais feitas em Minas Gerais, o senador “Cleitinho Azevedo”, que se apresenta assim para o país – com nome no diminutivo e sobrenome que poderia remeter a uma família quatrocentona mineira (mas, não é o caso) – anunciou em definitivo, na tarde da segunda-feira, 3 de agosto, que não será mesmo candidato ao governo estadual.

A divulgação da decisão se deu por meio de um vídeo no qual o deputado paulista Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, partido de Cleitinho, proclama o resultado de uma reunião mantida entre os dois e o deputado Euclydes Pettersen, presidente da secção de Minas da sigla. Aos prantos, em dois momentos, o senador deixa claro que não pode assumir as responsabilidades de uma campanha majoritária porque tem de cuidar do luto da família. O irmão caçula de Cleitinho morreu há menos de um mês, perdendo a batalha contra um câncer. Quando tentava se viabilizar candidato, o político chegou a divulgar um vídeo produzido por Inteligência Artificial no qual o irmão e o pai, também morto, pediam que ele assumisse a batalha eleitoral. Cleitinho não ouviu os fantasmas de IA que ele mesmo gerou.

Minas gerais é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, com 16,3 milhões de eleitores (10,5% do eleitorado total). Desde 1989, quando o país votou pela primeira vez para presidente da República depois de 21 anos de ditadura militar, o candidato que vence as eleições presidenciais em Minas, vence-as também em escala nacional. Foi assim com Fernando Collor (em 1989), Fernando Henrique Cardoso (em 1994 e em 1998), Lula (em 2002 e 2006), Dilma Rousseff (em 2010 e 2014), Jair Bolsonaro (em 2018) e novamente Lula em 2022. Este ano, a última pesquisa Quaest registra o presidente da República com 30% das intenções de voto no estado contra 29% de seu principal opositor, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A RealTimeBigData registra o petista com 47% em território mineiro e o filho 01do clã Bolsonaro, de extrema-direita, com 43%.

Tirar o senador Cleitinho Azevedo foi jogo combinado entre o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que este ano será candidato a deputado federal pelo Republicanos de Minas Gerais, e o ex-secretário da Casa Civil de Romeu Zema, Marcelo Aro (PP), que disputará o governo estadual com apoio do partido de Cleitinho e da Igreja Universal do Reino de Deus. Aro é conhecida como “o Eduardo Cunha nascido em Minas” por sua forma ousada de atuar na política.

O Eduardo Cunha original sentou praça do Triângulo Mineiro, ainda precisa do beneplácito da Justiça Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal para confirmar a candidatura depois das condenações criminais (por corrupção) que recebeu e do período de cana que puxou. Cunha e Aro já atuaram unidos em várias frentes no Congresso, nos tempos em que o ex-presidente da Câmara tinha o ex-secretário de Zema como seu operador junto à Confederação Brasileira de Futebol. Marcelo Aro já foi vice-presidente da CBF e mantém influência na entidade.

Pouco sério no desempenho do mandato parlamentar, Cleitinho Azevedo tenta manter a aura de outsider da política mesmo integrando o restrito grupo de 81 senadores da República. Em quaro ano no Senado, ele jamais relatou qualquer emenda estrutural para o arcabouço legislativo ou jurídico do país; tampouco participou de investigações ou movimentos parlamentares que tivessem mobilizado a sociedade. Cleitinho exerce o mandato como quem desdenha da atividade política e não reconhece a relevância da atividade parlamentar. Mesmo liderando de maneira insofismável as pesquisas de intenção de voto, nunca apresentou um projeto de mudança econômica ou social para Minas Gerais. Cleitinho adorava ser uma piada em Brasília, e foi como piada que se despediu da disputa eleitoral desse ano.




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