Trump e Milei, governantes suicidas
É nesse sentido que falo em governantes suicidas: pelo cenário que deixarão em seus países quando terminarem seus mandatos
O presidente dos EUA, Donald Trump, recebe o presidente da Argentina, Javier Milei, na Casa Branca – 14/10/2025/Crédito: REUTERS/Jonathan Ernst Há governos de vários tipos: de esquerda, de direita, talvez até de centro. Mas há atualmente dois governos no mundo, estreitamente associados entre si, que podem ser caracterizados como governos suicidas.
São os governos dos Estados Unidos e da Argentina. Ambos são ortodoxamente neoliberais, antes de tudo, apesar do fracasso desse modelo de governo mundo afora, inclusive em toda a América. Não há um governante que possa exibir resultados positivos decorrentes da aplicação do neoliberalismo.
Esses dois governantes se caracterizam, além disso, por atitudes exóticas, afirmações falsas e mandatos fracassados. Ambos estão com índices de apoio na casa dos 30% e níveis de rejeição próximos dos 70%. A situação chegou a tal ponto que os prognósticos das pesquisas indicam prováveis derrotas dos dois nas próximas eleições.
Trump deve perder a maioria no Congresso nas próximas eleições, passando a ser, na segunda metade do mandato, o que se costuma chamar de “pato manco”. Pela primeira vez no atual mandato de Trump, a maioria dos norte-americanos aponta confiar mais nos democratas para dirigir a economia do país, com a perspectiva de um provável retorno desse partido ao governo.
Da mesma forma, Milei tem diante de si o favoritismo de um candidato peronista, Axel Kicillof, governador da província de Buenos Aires, que as pesquisas apontam como provável vencedor nas eleições de novembro do próximo ano.
Assim, o cenário que os dois governantes deixarão será devastador para seus países e negativo para as perspectivas futuras da direita nessas duas nações.
É nesse sentido que falo em governantes suicidas: pelo cenário que deixarão em seus países quando terminarem seus mandatos. Serão marcos na história política das duas nações, com uma virada da extrema direita em direção a governos democráticos.
No caso dos Estados Unidos, o governo de Donald Trump acentua o processo de declínio e decadência da hegemonia norte-americana no mundo, característica deste século, depois de o século XX ter sido um século norte-americano.
No caso da Argentina, o fracasso do governo de Javier Milei deve representar o retorno do peronismo ao poder, depois do sucesso dos governos kirchneristas na década passada.
Essas viradas, caso se confirmem, fortalecerão a posição do Brasil e do México no continente, que passarão a contar com governos vizinhos aliados, em vez dos atuais governos hostis.
O cenário político do continente também sofrerá modificações favoráveis às forças progressistas e contrárias às forças de extrema direita atualmente presentes na região.



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