Campanhas presidenciais: de 2022 a 2026

Entre a busca pela consolidação da esquerda e os desdobramentos da oposição, o novo cenário político redesenha as disputas eleitorais no país

por Emir Sader, sociólogo e cientista político/247
Campanhas presidenciais: de 2022 a 2026 rep. publ. internet

Lá se foram quatro anos e Lula enfrenta um novo personagem da família Bolsonaro. O que mudou desde então? O que esta campanha tem de diferente da anterior? Qual a previsão do resultado?

Aquela campanha foi sui generis, a ponto de ter levado a uma vitória apertada de Lula, de forma inesperada. Desta vez, a previsão é de uma vitória mais folgada, talvez até no primeiro turno.

Naquela eleição, Lula vinha de sair da prisão, e esta ainda estava presente na campanha. A disputa se fez em torno das realizações dos governos do PT contra os resultados pífios do governo de Bolsonaro.

Desde então, houve o terceiro mandato de Lula que, mesmo sem maioria no Congresso, apresenta resultados muito positivos, de todos os pontos de vista.

Enquanto isso, o filho que Bolsonaro designou como seu candidato — impossibilitado ele de ser candidato por estar condenado à prisão domiciliar por participação em tentativa de golpe —, viu-se envolvido em cenas que certificaram, apesar do seu desmentido, um compromisso grave com Vorcaro. Além de outros desacertos de toda a família Bolsonaro.

Dessa forma, esta campanha tem um caráter muito diferente da anterior. Embora pesquisas insistam em dar vantagens relativamente pequenas para Lula — com todas dando vitória de Lula no primeiro e no segundo turno —, a perspectiva é a de que Lula, desta vez, possa triunfar já no primeiro turno. Ninguém duvida da provável vitória de Lula.

A direita, incluindo seu candidato, está derrotada. O próprio isolamento do seu partido, sem conseguir alianças, revela isso. Dá a impressão, inclusive, de que existe uma resignação com a derrota e uma busca por manter maioria no Congresso como seu maior objetivo.

Da mesma forma, as várias tentativas de supostamente superar a polarização e projetar uma chamada “terceira via” não conseguem encontrar espaços significativos. Praticamente todas as tentativas são de superar e substituir a candidatura do filho de Bolsonaro, considerando que esta não estaria em condições de concorrer com Lula. Enquanto isso, o campo da esquerda está plenamente definido e unificado com todas as suas distintas correntes.

Ainda vai começar o horário eleitoral. Os primeiros debates serão inócuos com a ausência de Lula. Se Lula vencer no primeiro turno, tudo terminará por aí. Senão, aí veremos como será a oposição entre as duas candidaturas e que caráter teriam os debates entre os dois.

Já se sabe que a campanha de Flávio tentará explorar a ideia de que o Brasil não vai bem e de que seria preciso chegar a um Brasil que dê certo. Por mais que o marketing possa tentar projetar uma imagem dissociada da realidade, não será fácil apostar nessa visão.

De qualquer maneira, é uma campanha diferente da anterior. O favoritismo de Lula é claro. A situação de derrota de Flávio é também clara.

Mas será uma situação nova ter os dois candidatos frente a frente, com posições radicalmente distintas e posturas pessoais muito diferenciadas também.

Muitos dos olhos já estão postos em 2030, nas primeiras eleições sem Lula, o que daria à direita a esperança de poder disputar realmente com a esquerda. Hoje, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aparece como o possível candidato da direita, enquanto Fernando Haddad surge hoje como o candidato a suceder a Lula na presidência do Brasil.




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