MIGUEL DIAS
O que faz uma pessoa acreditar em absurdos?
É irracional e bestial acreditar em absurdos
Por Miguel Dias Pinheiro, advogado
Em entrevista concedida a um canal de TVWEB, a atriz Denise Fraga se perguntou: "O que faz uma pessoa acreditar em absurdos?".
Realmente, o que faz uma pessoa acreditar que a terra é plana; que "fazer cocô dia sim, dia não", combate a poluição; que Deus possa entrar por um celular para obrar milagre; que não vai tomar vacina porque no líquido dela vem um "chip" que vai monitorá-la; que possa mudar de vida e ficar milionária pagando dízimo para um(a) pastor(a) picareta;...
É muito interessante, mas a literatura especializada ensina que a crença em absurdos é um fenômeno humano, enraizado tanto na psicologia humana quanto em fatores sociais e cognitivos(psiquiátricos). Estudiosos apontam que as pessoas possam até acreditar em absurdos por falta de inteligência. Mas, frequentemente, acreditam por razões emocionais, buscando padrões ou uma necessidade de pertencimento na sociedade. Porque acreditar em algo absurdo poderá garantir-lhe uma aceitação em grupos sociais específicos.
Albert Camus, escritor, filósofo, jornalista e ativista político franco-argelino, definiu o "absurdo" como o conflito entre a busca humana por significado e a indiferença do universo. Acreditar em algo absurdo, nesse contexto, pode ser uma forma de tentar dar sentido a uma vida que parece não ter.
A famosa frase atribuída a Voltaire, de que "Aqueles que podem fazer você acreditar em absurdos podem fazer você cometer atrocidades" (injustiças), alerta que a aceitação cega da irracionalidade anula o senso crítico. Para o filósofo, a crença fanática sem base racional é o motor de perseguições e violências.
O que faz uma pessoa acreditar em absurdos cria um sentimento de "ódio" contra grupos específicos (racismo, xenofobia, homofobia,etc.), permitindo que indivíduos cometam barbaridades, crueldades, desumanidades, monstruosidades, truculências, brutalidades e perversidades sem sentir culpa.
No Brasil de hoje, a violência política é alimentada por comportamentos irracionais que normalizam atitudes agressivas que, embora pareçam "normais" para alguns, causam danos severos, alimentando a "doença do ódio" que afeta o sistema nervoso central com altíssima taxa de letalidade (próxima a 100%). Uma mudança comportamental drástica onde a pessoa pode se tornar agressiva, agitada e apresentar alucinações.
Hoje, analistas utilizam a frase "um Brasil de loucos" para expressar uma metáfora que descreve o cenário onde normas são violadas, instituições agredidas e a realidade cotidiana acreditando em absurdos de forma irracional, bestial.



COMENTÁRIOS