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Teresina,24/02/2026

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Gleisi Hoffmann: Jornalões torturam números para atacar fim do 6×1

Ministra acusa Folha e Estadão de distorcer dados para criticar o fim do 6×1 e ignora apoio popular de 73% à redução da jornada sem corte salarial

Brasil247
Gleisi Hoffmann: Jornalões torturam números para atacar fim do 6×1 rep. publ./ESMAEL MORAIS, jornalista

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), acusou Folha e Estadão de manipular estatísticas para atacar a redução da jornada e carimbar o trabalhador como problema, quando o debate real é dignidade, saúde e organização produtiva.

No vídeo publicado nas redes, Gleisi disse que, após a Folha, o Estadão repetiu o roteiro de “produtividade” para tentar enquadrar o fim do 6×1 como irresponsabilidade econômica. Segundo ela, os jornais “torturam os números” para fabricar manchete e escondem, no corpo do texto, os dados que relativizam o alarmismo.

O movimento é clássico. Primeiro vem a moralização, “brasileiro trabalha pouco”. A Folha usou rankings internacionais para afirmar que o Brasil teria média de 40,1 horas semanais (2022 e 2023), abaixo da média mundial de 42,7 horas, e puxou a corda do julgamento cultural sobre “preferência por lazer”.

Depois vem a chantagem do medo, “menos horas quebram o país”. Só que, quando o debate desce do palanque e entra na planilha séria, o tom muda. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que reduzir a jornada predominante de 44 para 40 horas elevaria o custo do trabalhador celetista em 7,84%, mas que o impacto no custo operacional total das empresas tende a ser bem menor em muitos setores, com estimativas próximas de 1% na indústria e no comércio, e mais altas em segmentos como vigilância e limpeza, na casa de 6,5%.

É essa parte que costuma virar rodapé, quando deveria ser manchete. Porque o dado central desarma o terror econômico: o fim do 6×1 não é um meteoro, é uma transição possível, com desenho, negociação e adaptação, como o próprio debate técnico admite.

O truque retórico também inverte a responsabilidade. Se a produtividade brasileira patina, isso não se resolve com o trabalhador vivendo menos, dormindo pior e adoecendo mais. Resolve com investimento, gestão, tecnologia, crédito menos predatório e organização do trabalho, justamente o tipo de modernização que o Brasil posterga enquanto naturaliza jornada exaustiva nos serviços, no varejo e na logística.

A fala de Gleisi também mira o subtexto. Trabalhador não é estatística para ser torcida conforme a conveniência do lucro. É cidadão com direito a tempo, estudo, família, cuidado, cultura, participação comunitária, vida além do trabalho. Quando jornalão escolhe a lente do “esforço” para culpar quem está na ponta, ele protege quem decide as regras do jogo.

A opinião pública, aliás, não está comprando o pânico. Uma pesquisa da Nexus aponta que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1 sem redução salarial. Isso ajuda a explicar por que o assunto saiu do nicho e virou disputa nacional, inclusive com leitura eleitoral.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é cobrado por essa pauta porque ela mexe no cotidiano de milhões, não em tese abstrata. E é por isso que o debate precisa ser honesto: discutir produtividade sem discutir jornada desumana é pedir eficiência para quem já opera no limite.

No balanço, a velha mídia tenta empurrar a ideia de que o trabalhador é o gargalo do Brasil, enquanto poupa o modelo econômico que lucra com cansaço, rotatividade e salário pressionado. A resposta democrática é simples: menos 6×1, mais vida, mais organização, mais civilização.




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