“Maior devedor do país”: quem é o empresário que Lula quer prender com ajuda de Trump
Ricardo Magro é investigado por suspeitas de sonegação fiscal bilionária no mercado de combustíveis
foto: Michelle Cadari/rep. publ. DCM O presidente Lula revelou, em entrevista coletiva em Nova Déli, Índia, que enviou informações a Donald Trump sobre um empresário brasileiro que está vivendo em Miami, Flórida, e é o maior devedor de impostos do país. Embora não tenha citado o nome diretamente, a pessoa mencionada foi identificada como Ricardo Magro, proprietário da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro.
Ricardo Magro é investigado por suspeitas de sonegação fiscal bilionária no mercado de combustíveis. A Refit foi alvo da Operação Carbono Oculto, uma das principais investigações contra fraudes tributárias no Brasil, especialmente relacionadas ao crime organizado. A empresa é considerada pela Receita Federal como o maior devedora contumaz do país, com mais de R$ 26 bilhões em dívidas acumuladas.
Advogado de formação, Magro assumiu a Refit em 2008 e possui um longo histórico de investigações. Em 2016, foi preso sob suspeita de envolvimento em desvios dos fundos de pensão Petros e Postalis, mas acabou absolvido. Ele também foi investigado por corrupção na Agência Nacional do Petróleo (ANP), embora as denúncias tenham sido arquivadas.
O nome de Magro também aparece nos Panama Papers, associado a seis offshores abertas pela Mossack Fonseca. No exterior, ele é proprietário de uma refinaria no Texas e de uma consultoria em Portugal chamada Pragmatismus. Sua atuação internacional e os vínculos com paraísos fiscais aumentaram a complexidade de suas investigações.
Os presidentes dos EUA, Donald Trump, e do Brasil, Lula. Foto: Ricardo Stuckert/PR
A Refit já foi mencionada em investigações que apontam a sonegação e adulteração de combustíveis. Em 2022, Magro foi relacionado a um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo 188 empresas, conforme investigação da Polícia Civil. A Operação Carbono Oculto também vinculou o empresário a uma rede de infiltração do PCC no setor de combustíveis.
Apesar das inúmeras acusações, Magro alega que é vítima de difamação por parte de grandes empresas do setor de combustíveis, que teriam resistência ao seu modelo de negócio. Ele afirmou em entrevistas que sofre ameaças do PCC (Primeiro Comando da Capital) e de aliados da facção criminosa.
Ele também é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de desviar R$ 90 milhões dos fundos Petros e Postalis.
Em maio de 2023, Magro foi elogiado publicamente pelo senador Ciro Nogueira (PP), presidente do Partido Progressistas. Durante um evento em Nova York, o político sugeriu ser amigo dele.
Ciro Nogueira apresentou emendas ao Projeto de Lei Complementar 125/2022, que visa facilitar a regularização de empresas devedoras como a Refit, possibilitando que evitem punições severas se continuarem prestando serviços de qualidade.






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