Lula e Claudia Sheinbaum são os presidentes mais bem avaliados da América Latina, diz pesquisa Latam Pulse
A rodada de fevereiro do Latam Pulse, parceria entre AtlasIntel e Bloomberg, coloca Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Claudia Sheinbaum (México) no topo do ranking de aprovação
rep. publ. internet/presidente do Brasil e do México Entre inflação, medo da violência e uma disputa política cada vez mais polarizada, a América Latina entra em 2026 com um paradoxo: os governos seguem sendo cobrados com dureza, mas dois presidentes conseguem sustentar uma base social mais larga do que os rivais na região. A rodada de fevereiro do Latam Pulse, parceria entre AtlasIntel e Bloomberg, coloca Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Claudia Sheinbaum (México) no topo do ranking de aprovação, em um continente em que a desaprovação é maioria em vários países.
Brasil: Lula mantém vantagem na aprovação, mas enfrenta ambiente dividido
No Brasil, Lula aparece com 47% de aprovação e 52% de desaprovação. Na avaliação de governo, 41% classificam a gestão como excelente/boa, 9% como regular e 48% como ruim/muito ruim. Os números indicam um cenário de sustentação política relevante, mas com desgaste e disputa permanente por narrativa — especialmente em temas que costumam “andar” com humor social, como segurança pública, custo de vida e confiança no futuro.
México: Sheinbaum lidera a região e tem avaliação positiva mais confortável
No México, Sheinbaum registra 56% de aprovação e 38% de desaprovação. Na avaliação de governo, 51% dizem que o desempenho é excelente/boa, 19% avaliam como regular e 29% como ruim/muito ruim. O dado coloca a presidente mexicana em posição relativamente mais sólida, com maior folga tanto na aprovação pessoal quanto na leitura sobre o governo.
O retrato regional: desaprovação forte em Chile, Colômbia, Argentina e Peru
Fora do eixo Brasil–México, o cenário se torna mais áspero. Na Argentina, Javier Milei tem 42% de aprovação e 55% de desaprovação, com 35% avaliando o governo como excelente/bom e 53% como ruim/muito ruim. No Chile, Gabriel Boric aparece com 36% de aprovação e 64% de desaprovação, e uma avaliação de governo em que 30% consideram excelente/bom e 55% ruim/muito ruim.
Na Colômbia, Gustavo Petro registra 40% de aprovação e 54% de desaprovação, com 37% de avaliação excelente/bom e 46% ruim/muito ruim. O Peru desponta como o caso mais crítico: José Jerí soma 25% de aprovação e 65% de desaprovação, com 9% dizendo excelente/bom e 50% ruim/muito ruim. Já na Venezuela, Delcy Rodríguez tem 37% de aprovação e 44% de desaprovação, com avaliação de governo marcada por 24% de excelente/bom e 52% de ruim/muito ruim.
O desempenho por campo ideológico e o “teste do cotidiano”
A fotografia sugere que, nesta rodada, os governos identificados com o campo progressista se distribuem em dois blocos: uma liderança relativa (Lula e Sheinbaum) e um patamar intermediário sob pressão (Petro e Boric). No campo liberal/ultradireita, Milei aparece com apoio relevante, mas sem virar o jogo da desaprovação.
E, onde a crise de governabilidade é mais aguda — como no Peru — a divisão ideológica perde espaço para a percepção de colapso do Estado no dia a dia. Em outras palavras: no continente, a ideologia importa, mas a “prova” decisiva segue sendo o cotidiano — preço, segurança e sensação de futuro.
Metodologia
Latam Pulse (AtlasIntel/Bloomberg), coleta entre 19 e 24/02/2026 (Venezuela: 19 a 25/02). Amostras: Brasil 4.986 (±1 p.p.), México 2.023 (±2 p.p.), Argentina 4.761 (±1 p.p.), Chile 4.422 (±1 p.p.), Colômbia 5.695 (±1 p.p.), Peru 3.127 (±2 p.p.), Venezuela 6.631 (±1 p.p.).
Reportagem produzida com auxílio de Inteligência Artificial



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