SUS faz, por ano, 3,4 mil cirurgias de câncer gerado por HPV em homens
Maioria dos homens não conhece relação entre vírus e tumores
rep. publ. internet O SUS realiza, por ano, cerca de 3,4 mil cirurgias de câncer causados por HPV em homens, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Em meio a isso, a maioria dos homens não conhece a relação entre o vírus e o câncer.
Entre 2022 e 2025, foram 13.443 operações desse tipo, além de quase 77 mil procedimentos de quimioterapia. O levantamento foi feito a pedido da reportagem da Rádio Nacional.
Segundo o ministério, o HPV, papilomavírus humano, está associado ao desenvolvimento de cânceres de pênis, ânus e orofaringe – garganta, base da língua e amígdalas. Este último caso, o de orofaringe, é mais comum entre homens, e cada vez mais está relacionado com o vírus.
Apesar disso, falta informação aos homens. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia aponta que dois em cada três (64%) não sabem que HPV pode causar câncer. O médico oncologista Abraão Dornellas, do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer, também tem essa percepção.
"A maioria dos homens acredita que HPV é um problema das mulheres, e isso não é verdade. O HPV também infecta os homens e também é fator de risco para desenvolvimento de câncer em homem".
Existem mais de 200 tipos de HPV, sendo que os subtipos 16 e 18 são os mais perigosos. Segundo o doutor Abraão, em geral, o corpo elimina sozinho o vírus, mas o perigo é quando a infecção se torna crônica.
"O problema é que, em aproximadamente 10% dos casos, acontece a infecção crônica. Isso pode acontecer pelas características do vírus, do sistema imune do paciente. Essa inflamação crônica gera um processo inflamatório crônico que predispõe o desenvolvimento desses tumores".
Diagnóstico e vacina
Identificar a infecção pode ser difícil, porque, na maioria das vezes, não existem sintomas. Alguns sinais que devem ser investigados são verrugas e lesões genitais, sangramentos e desconforto na garganta para buscar um diagnóstico.
A principal forma de prevenção é a vacinação, mas não a única, como explica o médico oncologista..
"A vacinação que está recomendada e disponível na rede pública de saúde para meninos e para meninas, não só para meninas, mas também o uso regular de preservativos e a redução de outros fatores de risco, especialmente tabagismo, quando falamos desses tumores".
O Ministério da Saúde informou que a cobertura vacinal contra HPV entre meninos de 9 a 14 anos alcançou 74%, segundo dados preliminares de 2025. Entre meninas, o índice é de mais de 85%.
Edição:
Paula de Castro/Sumaia Villela



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