As amizades políticas de Vorcaro que mais preocupam Brasília
Nos bastidores da Câmara e do Senado, deputados e senadores afirmaram ao jornal O Globo que ainda não está claro o alcance do material apreendido pela investigação
Divulgação/Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira A divulgação de mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro ampliou a preocupação no Congresso Nacional sobre possíveis efeitos políticos das investigações envolvendo o Banco Master. Trechos das conversas revelaram detalhes da relação do empresário com o senador Ciro Nogueira (PP) e com Antonio Rueda (União), presidente do partido, o que levou parlamentares a temer novos desdobramentos.
Nos bastidores da Câmara e do Senado, deputados e senadores afirmaram ao jornal O Globo que ainda não está claro o alcance do material apreendido pela investigação. A expectativa é de que novos trechos possam surgir e atingir diferentes atores políticos, aumentando a tensão em torno do caso.
Outra preocupação envolve a possibilidade de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito dedicada ao Banco Master. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), vêm sendo pressionados por parlamentares para convocar sessão do Congresso e dar andamento ao pedido de CPI.

Ciro Nogueira, presidente do PP, e Antônio Rueda, do União Brasil. Foto: Divulgação
Mensagens de Vorcaro também mencionam Ciro Nogueira, a quem o banqueiro teria chamado de “grande amigo”. Documentos obtidos após quebra de sigilo indicam ainda que uma empresa ligada ao empresário reservou um helicóptero para transportar os dois após o Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1. O senador afirma que não utilizou a aeronave e que deixou o evento de van.
O clima no Congresso foi descrito por parlamentares como tenso. O deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) afirmou que “os documentos podem abalar a República”. Em caráter reservado, integrantes da Mesa da Câmara relatam aumento da pressão política para conter o avanço de novas investigações.
Parte da oposição defende que as apurações avancem por meio de outras comissões já em funcionamento. O senador Izalci Lucas (PL-DF) afirmou que “precisamos ver se Vorcaro virá aqui para dizer a verdade”, enquanto o senador Sergio Moro (União-PR) declarou que “Vorcaro é um gângster. Sujeito perigoso”.
Outro fator que elevou a apreensão entre parlamentares foi a mudança na relatoria do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) . Com a saída de Dias Toffoli e a entrada do ministro André Mendonça, lideranças do Congresso avaliam que aumentou a imprevisibilidade sobre os rumos da investigação.



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